quinta-feira, 27 de junho de 2019

Artigos de Bemvindo Sequeira se Despedem do Blog da Cia. De Teatro Atemporal


Informamos que o último artigo de Bemvindo Sequeira será publicado aqui no Blog da Cia. De Teatro Atemporal no dia 1 de julho de 2019.

Foi um longo período de publicações de seus artigos durante muitas segundas-feira aqui no nosso Blog.

Agradecemos por cada leitura, visualização e comentário em suas postagens aqui publicadas. Meditamos, demos muitas risadas e vivemos momentos incríveis com as mensagens desse gênio da arte brasileira.

Você pode acompanhar o Bemvindo em seu Canal no YouTube (https://www.youtube.com/channel/UCHkIWOyyMuYfWeXkRGJUSxA) e em seu Blog (http://blogdobemvindo.blogspot.com/)

Muito obrigado, Bemvindo!

segunda-feira, 24 de junho de 2019

A Rainha de Copas


- Cortem-lhe a cabeça! Cortem-lhe a cabeça!

Nem mesmo o autor de Alice no País das Maravilhas poderia imaginar que a sua personagem, a Rainha de Copas, havia pulado fora da História, ou melhor havia entrado para a História.

Depois de servir como atendente direta de Mussolini fabricando-lhe pizzas de fina massa trabalhadora, rapidamente ascendeu na maldade e foi ser assessora de Hitler, e grande incentivadora da solução final.

Com o fim do nazismo fugiu de jangada para a Argentina onde esteve a serviço dos generais até naufragar com um destroier nas costas das Malvinas. A coisa ruim veio a nado e veio dar com os costados na Uberlíndia.

Ali fixou-se como emigrante ilegal, até que vendendo um dos anéis de ouro que possuía conseguiu um visto de trabalho. Trabalhou muitos anos como aparadora de restos nos centros de tortura da Uberlíndia. Tendo até recebido a medalha de mérito por relevantes serviços prestados à humanidade, se é que se podia chamar de humanos aquele amontoado de gente da Uberlindia que quando não estavam atirando e matando-se uns aos outros estavam completamente anestesiados andando pelas ruas como zumbis com a cara mergulhada em smartphones.

Por uns breves anos na Uberlíndia teve que retornar à condição semiclandestina, quando passou a trabalhar como piniqueira – lavadora de pinicos – no Motel Bahamas.

Mas a sorte lhe sorriu a passou a ser ama seca, muito seca, do seco rebento do vampirão seco que imperava na Uberlíndia e que por ser muito velho deixava a Imperatriz na maior secura.

Dali para ser ela mesma a Rainha de Copas de sempre, foi um passo, melhor ou pior ainda: agora não era apenas A Rainha De Copas havia se transformada numa hidra de sete cabeças, por isso era difícil identificar seu nome, ora era um nome, ora outro. Como uma besta apocalíptica gritava após ter conseguido mandar prender um sujeitinho arrogante que ousara ser maior que ela, logo ela de origem autoritária, elitista e aristocrática:

- Cortem-lhe a cabeça! Cortem-lhe a Cabeça!

- Mas Majestade, atreveu-se a lhe orientar um puxa saco que havia sido ministro da Cultura. Assim como a Bolívia não tem mar, mas tem Ministro Marinha, assim a Uberlindia tem Ministro para isso e para os vexames de sempre.

- Majestade já está um pé no saco este tal de cortem-lhe a cabeça. Muito monótono, e depois cabeça cortada é maldade pouca, acaba o sofrimento logo.

- Tem razão, rosnou a Rainha. Prendam-no.

Mas é pouco. Predam-no num espaço pequeno. Mas ainda é pouco.

Prendam-no isolado de todos.

É pouco...hummm proíbam as visitas... nem o rei de Roma, nem o rato que roeu as roupas da rainha de Roma podem visita-lo ah e não toquem mais no nome dele, em nenhum jornal, rádio ou televisão. E quem o fizer será preso e processado. Deixem-no preso por algumas décadas. Mas se isso não quebrantar-lhe o ânimo então não tem outro jeito a não ser seguir o conto da Alice, Cortem-lhe a cabeça!

Afinal a Uberlíndia não é também chamada de o País das Maravilhas?

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br

segunda-feira, 17 de junho de 2019

A Intervenção Miulitar e a Louca Paixão de Adolfo, o Mito


Naquele dia Adolfo, o Mito, também conhecido como Adolfinho Zero Zero, ele gostava de numerar as pessoas, ele era o Zero Zero, seus filhos os números 1, 2 e 3 . A única filha não era numerada pois não podia ser quantificada. Numa palestra na Associação dos Cortadores de Grama de Elói mendes, em Minas Gerais ele dissera que mulheres valiam menos que um molho de brócolis, e fora muito aplaudido.

Adolfo teve conhecimento da Intervenção Militar no Rio de Janeiro. E indignou-se, vale dizer que ele não era homem de se indignar com qualquer coisinha como direitos humanos, uma atendente de telefonia celular, ou um escorpião numa lata de coca cola.

Na mesma hora que soube da notícia para surpresa geral Adolfinho proclamou que era contra a intervenção.

Oh, um ohhh prolongado oooooohhh ouviu-se por toda a nação. Logo ele era contra a intervenção militar já?

O motivo era lógico, o feito tirava dele o protagonismo de ser o herói que montado numa metralhadora, na passarela da Rocinha e aplaudido por um milhar de especuladores do dinheiro alheio iria disparar sobre os trezentos mil moradores pondo fim junto com eles à bandidagem. Sua fórmula era perfeita: panfletos dando um prazo e depois, a metralha.

E agora vinha este general atrapalhar seus planos, tirar dele a gloria de acabar com os bandidos pés de chinelo do Rio de Janeiro.

E isto logo naquele dia que Adolfo acordara de péssimo humor, o que aliás era comum no seu cotidiano depois que sua mãe fora atropelada e morta por um avião Constelation da Panair do Brasil ao atravessar a Rua Domingos Ferreira, no Leblon. O avião, descontrolado desde a falência da empresa ficava à espreita atrás de bancas de jornais e hidrantes, à espera de senhorinhas míopes e mancas. Agenitora de Adolfo possuía estas duas qualidades era míope e manca.

Preso em flagrante por um meganha que na hora de folga estava dirigindo um UBER o avião declarou no Tuiter – o depoimento foi dado no tuiter porque o governo não tinha verbas para papeis – o avião confessou que seu prazer era atropelar senhorinhas do Leblon numa vingança contra as novelas de Manoel Carlos que ele detestava desde que era criança, quando ainda era um DC3 da Real Aerovias. Ainda assim há controvérsias.

Mas o assunto é Adolfo, o Garnizé de Realengo, não confundir com o Galinho de Quintino. Irritado com a Intervenção que lhe tirava o brilho, sua raiva hedionda transformou-se em gula, uma gula ansiosa que o levou a comer 12 pratos de de ravióli frios no Sporreto. O ravióli era sua paixão. ele dizia que o ravióli do sporreto ficava melhor depois de frio. A massa pesou e ele foi fotografado dormindo de boca aberta no trabalho. Dormiu e sonhou, um sonho épico que virou pesadelo. No sonho ele era o Imperador da Uberlíndia. Coroa na cabeça, faixa ao peito, uniforme de Napoleão, Mas quando no sonho se preparava para apertar o gatilho da metralhadora os comunitários, de cima da criminosa colina jogavam merda fresca sobre ele. Quilos e quilos de merda, toneladas, enquanto gritavam: seu filho de uma mula manca.

Acordou com uma azia imensa, e cheio de gases, eram tantos gases que pensou em reinventar o zeppelin. Amaldiçoou a Intervenção, dizendo que era coisa de comunistas fabianos, e o que o irritou mais no sonho não foi a merda, ele já estava acostumado , era a sua essencia, mas chamarem sua pobre mãezinha, vítima de atropelo aéreo urbano, de mula manca foi o que mais o incomodou.

Foi pra casa mas não conseguia dormir só depois que pegou sua 45 desceu na portaria do prédio e disparou 6 tiros na cara do porteiro Waldir aos berros de : Morre nordestino filho da puta, todo nordestino vota em Lula. Morre comunista mossoroense. O rapaz nem era de Mossoró, era de Currais Novos, mas isso não vem ao caso, já que para ele todo nordestino era sempre culpado.

Ele passara a ter este conceito desde que quando ainda soldado, tirando serviço na madrugada em Curitiba,no meio da bruma excitante, viu-se atraído sexualmente por Rosenildo Araújo, também conhecido como Sariguê, o Gambá, do Sertão, nordestino de Sobral, eleitor de Ciro Gomes e gay assumido. Rosenildo, um metro e 62 , calvo, peito cabeludo, pernas arqueadas, com um leve odor de bode no cio, ocupou de imediato o lugar da sua paixão por raviolis frios. Paixão na hora. Mas Rosenildo Sariguê era volúvel e após o ato o abandonou trocando-o pelo pastor alemão Marco Feliniano.

O Dr. Luiz Effelberg Alfredo, psicanalista da linha Central- Santa Cruz explicou o sucedido: paixão recolhida que na andropausa transformou-se em homofobia, e o tornara também nordestefóbico com a paranoia focada na erva santa de Joazeiro. Quem sabe o Santo Daime... disse ainda o psicanalista antes de levar uma azeitona no meio da testa.

Mas nada adiantou para melhorar o dia de Adolfinho. Continuava de péssimo humor, resmungando nomes estranhos de mulheres à revelia: Jandira, Manuela, Gleisi, Olga Benario, foi quando numa esquina encontrou sua vizinha Maria Bispo do Rosário, aí ele aliviou sua raiva: Só não te estupro porque você é muito feia! E saiu correndo gargalhando histérico pelas ruas até o consultório do seu médico, o Dr. Calighari, que havia sido médico de Mussolini, Hitler, e do General Eisenhower, e agora responsável pelo desentupimento do pinto do Vampiro da Tuiuti. O Dr Calighari deu-lhe umas pílulas de vida do Dr Ross para acalmar seus nervos e seus intestinos que exalavam os resultados de 12 pratos de raviólis frios.

O Dr disse-lhe enquanto cortava diligente a unha do dedão do pé esquerdo:

- Já vi muitos exércitos, muitas manobras militares, não se aborreça com isso não, deixa isso pra lá. Isso é só uma gambiarra, vai dar em nada. Lembre-se dos Dardanellos.

Adolfo pensava que dardanellos era um tipo de chocolate recheado.

- Desiste desse negócio de ser Salvador da Pátria e parta em busca da sua felicidade , do seu eu interior.

Vale dizer que Calighari depois de tentar ser condutor do metrô de São Paulo tornara-se discípulo de Prem Baba.

- Alegria! Parta agora mesmo numa van da linha Moema Vale das Pedrinhas, diga ao condutor a senha: Miriam Makeba, se nõ colar tente a senha Jean Willys, e vá em busca de sua grande paixão: Rosenildo Araujo, o sariguê do sertão.

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Aniversário de 11 Anos da Cia. De Teatro Atemporal


No último dia 5 de deste mês, nossa companhia completou 11 anos de existência. Uma caminhada de lutas, superação e vitórias. Temos admiradores aqui no Blog e nas Redes Sociais que nos acompanham há anos... alguns desde os tempos de quando a companhia foi fundada no colégio. Também temos novos admiradores que vem nos acompanhando e nos apoiando nesta caminhada.

Peças como "Encruzilhada: Quatro Caminhos, Uma Escolha" (2007), "Zona Oeste, Zona Sul" (2008) e "Atribulado" (2019) fazem parte da história da Cia. De Teatro Atemporal.

É isso que faz nossa companhia tão especial. Todo o sucesso que alcançamos é fruto de um trabalho árduo. Que DEUS continue nos sustentando e conduzindo durante muitos anos.

O mundo precisa de mais amor e mais projetos como este, que leve a verdadeira Arte do Teatro Atemporal para as pessoas.

Viva a Cia. De Teatro Atemporal!

Parabéns pelos 11 anos!


segunda-feira, 10 de junho de 2019

A Glória Eterna da Lata de Lixo da História

Chiquinha Gonzaga, Heroína Nacional

O Rei, o mais medíocre que já tivemos desde 1927 rivalizava em brilho apenas com a Rodovia Washington Luiz e com Fulgêncio Batista.

O Soberano, outrora um jovem idealista que acreditou que se não seguisse a carreira de contador de coliformes fecais até que daria um bom advogado, trocou seu idealismo e seus sonhos de juventude por um doce bradando a célebre frase que o imortalizou às margens do Riacho da Mãe Joana: Viva o Sorvete Dagen Hausss!!!

O Rei havia mandado às favas os escrúpulos, a pátria, a constituição e até aquele menino, chato como todo filho de velho, e que cismava que tinha direito a um Ministério no reino da Uberlíndia.

Tudo ia bem para o rei até que nuvens sombrias se abateram sobre ele e seu poder: uma conspiração. Foi denunciado no WhatsApp, já que o WhatsApp era a Instância Máxima no Reino da Uberlíndia. Fora denunciado por receber propinas na construção de ancoradouros para caravelas e barcos voadores provenientes da Grande Nave Mãe ancorada ao lado do Reino da Uberlindia e comandada por um panaca de cabelos cor de cenoura cujo único mote na vida era:" - Vou bombardear a Coreia do Norte e vou invadir a Venezuela."
E o panaca enquanto dizia isto apalpava bundinhas no salão oval que tinha justamente este nome de oval porque era lá que ele contemplava seus ovos, ovinhos tão minúsculos, mais minúsculos que rabanetes orgânicos.

O Rei Eustáquio III, este era um de seus nomes, ele tinha vários nomes, um deles era Batman, ele ganhou este nome quando num jantar vegano ele irritou-se e saiu, transformou-se num morcego gigantesco e saiu batendo asas.

Mas como eu ia dizendo, o Rei não se importava muito com aquela denúncia pois afinal fora publicada no WhatsApp, e o WhatsApp que era a única instância de justiça do Reino é cheio de fake News e aquela poderia ser mais uma, sendo ao final esclarecido que o Rei era honesto, justo, maravilhoso, e que tudo não passou de um engano. E que ele foi, é e continua sendo a pessoa mais honesta jamais posta sobre a face da Terra, à exceção superado apenas pelo Marquês Adelmário de Barros, e pelo Duque Saulo Paluf, por coincidência ambos provenientes da mesma província do Reino: o Tucanistão.

-É tudo fake News! Tudo fake News! Bradava ele enquanto cortava a garganta de um bode preto durante uma missa satanista.

Mas eis que de repente, não mais que de repente, a las cinco en punto de la tarde, sem mais, sem quê nem para quê denunciaram o Delfin, logo o Delfin o primogênito, o herdeiro, o sucessor, o Delfin!

Estavam chegando muito perto de tudo. O Delfin, tão fofinho, que a gente não conseguia olhar para ele sem imaginar um saco de bacon.
O Rei grunhia desesperado:

- Em que tempos estamos?

E dizia isto enquanto lavava o rosto com óleo de peroba.

- Não há mais qualquer respeito a qualquer cidadão de bem. Cidadão de bem! Homens de Bem, como eu e Delfin, estamos à mercê de conspirações baratas. Sim! Porque isto contra mim e contra o Delfin não passa de uma conspiração barata para destruir a Família, a Pátria e a Propriedade Privada, sobretudo a minha propriedade privada.

Aí o o Rei mandou chamar imediatamente o seu Ministro da Educação que tinha cara de padeiro do interior e que por questões humanas tinha por pretensão ser o Inquisidor Mor da Avenida Boa Vista na bela recife. O Rei deu a ordem:

-Prenda todos os reitores do reino, Todos os reitores e professore, queime-os!

Essa ordem dada, vale dizer, não tinha nada a ver com a conspiração que envolvia ele e o Delfin, mas ele não se apercebia. Todos no reino sabiam que ele fumara estragado quando fora a um piquenique em Paquetá e tentou estuprar a Chiquinha Gonzaga que quando se viu assediada por um morcego deu-lhe uma guarda-chuvada na cabeça enquanto cantava: " _ ô Abre Alas que eu quero passar!"

A porrada na cabeça fora tão grande que ele nunca mais se recuperara passando então a ser denominado de Dona Maria II, a Louca, entrando assim, de vez, para a Glória Eterna da Lata de Lixo da História!

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br