segunda-feira, 16 de setembro de 2019

A Campainha


Beeeeemmm! Primeiro sinal.

Frio na barriga ouve-se o burburinho do público entrando, quem faz a primeira cena começa a se posicionar. Em fração de segundos é possível “passar” todas as falas da peça ou lembrar de que não foi ao banheiro e geralmente quando lembramos disto a vontade sempre vem. Dependendo do figurino e da distancia dá para resolver o assunto antes do segundo sinal, caso contrario é bom pôr em pratica todas as técnicas de Stanislavski de concentração e preparação de ator que a vontade passa, na maioria das vezes é nervosismo mesmo.

Beeeeeemmm! Segundo sinal.

O ápice da tensão. É nessa hora que sempre me questiono por que fui inventar isso? É tão mais fácil ficar na platéia. O que eu faço? Simulo um ataque? Um desmaio talvez? Não vale a pena, seguindo a máxima: O show deve continuar; com certeza seria substituída por alguém. Enquanto pensei nestas bobagens todas sai totalmente da personagem, para voltar inicio o mantra “calma, calma, se concentre, calma, calma, se concentra…”.

Beeeeeemmm! Terceiro sinal.

MERDA!

Não sei explicar como, mas entre o terceiro sinal e a cortina se abrir relaxo como se nada tivesse acontecido e tudo dá certo.

É esta adrenalina que me encanta no teatro, mais até que o aplauso. O aplauso é importante, gratificante, mas essa apreensão funciona como uma espécie de termômetro. A partir do momento que pisamos no palco na base do “piloto automático” significa que esta na hora de começar estudar novas peças, ensaiar uma nova montagem e se preparar para outra tensão.

Beeeeemmm! A campainha de uma estréia.

Escrito por audrey

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Não precisamos ter medo do Grande Irmão


O ator lida com a fantasia não com a realidade, mas qual o problema em pessoas que surgem para o grande público em um reality show iniciar uma carreira artística depois da fama repentina?

Caso alguém tenha recebido uma oferta de emprego num banco, por exemplo, apesar de não ter experiência alguma na área, ela não fica ouvindo xingos ou chacotas por ser um profissional inexperiente. Pelo contrario em muitos casos os companheiros de trabalho ajudam o profissional inexperiente.

O tempo que as pessoas gastam criticando estes novos atores poderia ser utilizado para estudar. Acredito que tais agressões, talvez inconscientemente, retratam uma necessidade de auto-afirmação, uma insegurança. E a partir do momento que nos sentimos inseguros é porque está na hora de nos aperfeiçoarmos. É assim no mercado de trabalho “tradicional”; quem sente que seu emprego está ameaçado ou que está precisando de novos conhecimentos para progredir faz uma faculdade, uma pós-graduação, um curso de idioma, informática qualquer coisa para justamente manter-se atualizado e não ter medo de perder o emprego para um desqualificado. Por que a classe artística se acha no direito de fazer diferente? Atores têm o direito de agredir publicamente os outros?

Em tese quem se inscreveu em um reality show tinha uma outra profissão (cabeleireiro, advogado, medico, modelo, etc.) e passou a “atuar” em comerciais e novelas depois da fama. Que mal há em tentar? Um famoso de reality show atrai anúncios e audiência. A televisão sempre precisou de imagem, de pessoas que ficam bem no vídeo, então porque uma empresa de comunicação não pode investir em um novo funcionário?

Podemos não gostar de alguém ou do seu trabalho, mas devemos sempre respeitá-lo. Esta atitude respeitosa é principalmente prudente, porque se por ventura estes novos atores se dedicarem e o antigo clichê “só quem tem talento vai sobreviver” se comprovar, com uma carreira de sucesso a convivência entre os atores será péssima.

Muitos me perguntam o que devo fazer para ser ator. Acredito que participar de um reality show é o caminho menos indicado, mas tenho que admitir que a vida nos oferece diversas oportunidades cabe a nós sabermos aproveitá-las ou não.

Escrito por audrey
Foto: Marc Brenner. Espetáculo "The Brothers Size" no Young Vic.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Cia. De Teatro Atemporal arrasa no palco do Teatro Municipal de Araruama

O ator Serginho Clemente na pele de Clóvis no tenso espetáculo "Atribulado" da Cia. De Teatro Atemporal.

A noite da última quinta-feira (15) foi agitada para nossa companhia. O espetáculo "Atribulado" teve única apresentação no FESTMAR - 1º Festival de Monólogos de Araruama que aconteceu no Teatro Municipal de Araruama no interior do estado do Rio de Janeiro.


Com uma excelente interpretação e presença no palco, o ator Serginho Clemente que dá vida a Clóvis no espetáculo se mostrou muito grato e feliz com a apresentação que arrancou muitos aplausos, elogios e cumprimento de parte do público.

O enredo do espetáculo narra um embate de um rapaz jurado de morte com a LUZ e as trevas. Nossa companhia fica gratificada pelo privilégio em ter levado este grande projeto para a 1ª edição do FESTMAR. Agradecemos a toda equipe do festival e a todos os demais artistas participantes.

E acima de tudo e todas as coisas,

Agradecemos a DEUS por sempre estar conosco e nunca deixar em nenhum milésimo a nossa companhia.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

No meio do caminho há sempre uma pedra


Os artistas têm fama de malucos por verem a sociedade por uma outra ótica. Realmente estudamos não apenas para obter uma vaga no mercado de trabalho; estudamos também para compreender às mazelas de nosso país, mas como isto não chega ao grande público a imagem que fica é o lado glamuroso da profissão.

Fala-se muito no chefe bravo, no encarregado estúpido, mas muitos diretores de teatro, coreógrafos e regentes, passam longe de ser uma candura de pessoa. Não são pessoas más, porém a busca pela perfeição, do melhor, do inédito faz com que a rotina dos artistas seja tão estressante quanto a de qualquer executivo.

Passos repetidos a exaustão, dias ensaiando a mesma cena. A nossa meta é o belo, o retorno financeiro na maioria das vezes fica em segundo plano. Até a cena ficar do jeito que o diretor quer é comum ouvimos gritos e mais gritos. A nossa jornada de trabalho é irregular, fim de semana não é dia de descanso, para os artistas sábado e domingo é dia útil. Recebemos criticas, quando digo critica é critica mesmo e não apenas um feedback construtivo.

Falando em feedback geralmente dos diretores ouvimos quando estiver ruim eu aviso ou depois de passar a mesma cena pela quinta vez ouvimos um “ ficou melhor”, ou seja, ainda não está bom. É claro que quando vem um elogio, instantaneamente esquecemos todas as dificuldades e compreendemos o porquê do método e recarregamos as nossas baterias para os próximos ensaios, próximos gritos, próximas critica e etc.

Escrito por audrey
Foto do espetáculo "Picnic at Hanging Rock"