segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Cabe ‘A Mulher decidir Sobre Seu Corpo'


Quando se é criança o mundo tem uma magia toda especial. Cheiros, gostos, luzes... que irão se perdendo à medida em que nos tornamos adultos.

Não tenho prova científica mas afirmo que o olfato infantil, por exemplo, detecta odores que passam desapercebidos a nós adultos.

Pois foi nesta meninice, num subúrbio do Rio que meu olhar infantil viu, sonhando acordado, uma realidade diversa à dos adultos.

Tínhamos uma vizinha muito simpática. Generosa mesmo. Dona Eurídice. Um amor de criatura, para mim. Mãe de um amiguinho meu. Apenas um muro de um metro e pouco separava nossos quintais e jardins.

Dona Eurídice era uma santa para mim. Muito prestativa. Minha mãe me dizia que ela era uma parteira. E eu ficava maravilhado por saber que a mãe do meu amiguinho trazia bebês ao mundo.

Cresci , o mundo permaneceu o mesmo, mas meu olhar mudou. Vim perceber que a querida Dona Eurídice não era parteira coisa nenhuma, era “aborteira”. Procurada por mocinhas das mais diversas classes sociais que desejavam livrar-se, por várias razões, da vida que traziam no ventre.

Nem por isso Dona Eurídice deixou de ser para mim uma pessoa querida. Prefiro continuar a vê-la com meus olhos do menino de ontem , e a pensa-la hoje com meu juízo de adulto.

Dona Eurídice já partiu deste mundo, fez a sua parte. Mas centenas de mulheres continuam morrendo em todo o Brasil, todos os meses, pelas mãos de “parteiras” como Eurídice, e pela letra da Lei patriarcal, que nega tais mulheres à busca de soluções à margem da Sociedade, criminalizadas e correndo riscos .

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O Dedão

 

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Quando Os Artistas Pagam Mico


Todo mundo paga mico. Sejam artistas ou não. Situação chata, constrangedora, que deixa a gente de saia justa, por assim dizer.

Hoje eu me lembrei de dois micos que passei com colegas de profissão.

Assistindo ao sucesso de Os Dez Mandamentos, e vendo o desempenho brilhante dos colegas, e também do nosso Ramsés Sérgio Marone, revivi na memória o mico que paguei com ele há alguns anos atrás.

Confesso a vocês que chega uma idade que são tantos nomes, e tantas novas celebridades, subcelebridades, e colegas de profissão que vão surgindo que não se consegue guardar ou entender todos eles. Pois foi assim entre eu e o Sérgio. Vendo-o numa mesa do restaurante, aproximei-me cumprimentei-o trocamos algumas palavras amistosas, disse-lhe que estava feliz por conhece-lo e me despedi dele dizendo:

- Foi um prazer estar contigo Bruno Marrone.

Isto já vão anos, e até hoje sinto vergonha pelo mico.

Mas parece que a questão de não conseguir saber, saber todos os nomes de colegas não é privilégio de maduros. Tirei esta dúvida com o mico pago pelo então iniciante Daniel Del Sarto.

Naquele tempo eu ainda estava na Globo e fui gravar com ele. Encontrei com ele no camarim e me apresentei:

-Muito prazer, Bemvindo.

E ele

- Obrigado!

- Não, cara, Bemvindo é meu nome!

Tenho a certeza de que o mico dele guinchou mais que o meu com o Marone. (Risos)

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Vamos Parar Com Essa Coisa de Fobia Pra Tudo

É gorda e pronto. Só isso. Tem quem goste, tem quem não goste. Simples.

O tal do “politicamente correto” já de há muito encheu o saco. Agora a moda são as "fobias". Se você não come hambúrgueres pode ser acusado de "hamburguerfobia". Uma bobajada só. Fobia é coisa muito além da distinção que fazemos das coisas e pessoas. Fobia é coisa séria, profunda, que exige tratamento e acompanhamento psicanalítico ou psiquiátrico.

Usando o Hoauiss, fobia é “medo exagerado” ou ainda “estado de angústia, impossível de ser dominado, que se traduz por violenta reação de evitamento e que sobrevém de modo relativamente persistente, quando certos objetos, tipos de objeto ou situações se fazem presentes, imaginados ou mencionados ".

Que gordofobia nada. Ela é gorda e pronto. E quem a vê sabe e diz que ela é gorda. Gordofobia nem existe catalogada entre as doenças. Mas - como eu disse, - a moda agora é taxar qualquer distinção como fobia.

Nascemos com o dom de distinguir. Separar as coisas: isto é vermelho, isto é verde. Isto é molhado, isto é seco. Isto é jiló, isto é, maxixe. E com isso decidimos do que gostamos ou não. Um amigo meu recusou uma relação com um homossexual. Foi taxado de homofóbico. Ah, qual é? Vamos respeitar. Ele não gosta de relações homossexuais, ou talvez, para maior ironia, não gostou DAQUELE homossexual. Talvez um outro... (risos)

Vamos com calma, distinguir, nomear, reconhecer coisas e pessoas não denota aversão ou fobia. Denota escolha.

Nem fobia, nem discriminação persecutória. Fobia é incontrolável, pertence ao terreno do inconsciente, deve ser tratada. Discriminação persecutória como o racismo ou crimes de gêneros é caso de polícia e Justiça.

O resto é a boca do povo usando o termo “fobia” pra tudo, como no tempo em que para qualquer comportamento se dizia brincando “Freud explica”, e sabíamos Freud não tinha nada a ver com o fato.

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Que Tal Iluminar Nossos Cantos Escuros?


Todos temos nossos pontos trevosos. Cantoss escuros em nós mesmos, na nossa vivência e no nosso existir, que recusamos a ver, sendo portanto na maioria das vezes melhor deixá-los nas trevas para que não tenhamos que tratar deles.

Vejam bem o termo que usei, até sem querer: “tratar deles”. Isso quer dizer enfim: curá-los.

Em nossas trevas vivem vermes, fantasmas, miasmas, fungos e monstros. Todos nossos. A escuridão os alimenta.

Quando a gente tem uma ferida ela precisa de duas coisas além dos medicamentos usuais: oxigênio e luz. Pois a permanência na escuridão, sem ar e sem luz, fará proliferar as bactérias e a infecção.

Assim é com a nossa vida. Quando nos atrevemos a iluminar estes cantos escuros não tenhamos medo, estamos trabalhando para a cura das “ purulentas infecções” com as quais, sem o querer, compartilhamos o que deveria ser vida limpa e saudável.

Comece hoje mesmo. Pare um pouco e olhe para dentro de si mesmo. Jogue luz sobre seus medos, seus terrores...como diz a letra de Caetano : "Nada é pior do que tudo que você já tem dentro do teu coração mudo".

Você é dual como o Universo: carrega com você a luz e as trevas. Use sua luz. Ilumine a sua escuridão.

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br
Foto: Josth Groban and Denée Benton. Photo by Chad Batka