segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O Preconceito Com o Vestir

Supla surpreende usando a última moda de ternos para homens

Abro o jornal e vejo um promoter, carnavalesco, trajando um terno cenoura e com os cabelos pintados da mesma cor. Diz ele que trouxe inúmeros destes ternos coloridos diretamente de Nova Iorque para usar neste verão carioca.

A imagem, de primeira vista chocou-me. Depois lembrei-me de como somos preconceituosos com o modo de vestir. Com os costumes da moda. Lembrei-me de vários momentos de mudanças de estilo que eu mesmo passei, e sofri para vencer o preconceito.

1 – Tinha 11 anos quando foram lançadas a sandália de dedo (as chamadas havaianas). Alguns amiguinhos já usavam. Foi um problemão lá em casa para eu conseguir ter uma. “Coisa de mariquinhas” dizia meu pai. Mal informado que nordestinos e orientais já usavam estes modelos há séculos. Afinal, com a concessão de que a tira tivesse uma cor neutra (masculina) consegui a minha tão sonhada sandália de dedo. Por esta época surge para nós o bambolê, e até o seu uso por meninos era motivo de bullying.

2 – O tal do ban-lon. Uma fibra sintética que tornava os abrigos muito maleáveis e sedosos, bonitos mesmo. Havia-os nas cores as mais variadas. As mulheres foram as primeiras a usa-los. Era eu já adolescente e foi mais uma batalha a ser vencida em família para conseguir ter meu casaco de ban-lon quando já era uma moda aceita por ambos os sexos;

3 – As chamadas camisas “goleiro”. Até a chegada delas os homens usavam camisas de cores neutras e pasteis: azul claro, brancas, brancas com listinhas azuis, cinzas, marrons, castanhas... e de repente as vitrines ficaram cheias de belas camisas amarelo ovo, vermelho-sangue, azul rei, verde-alface, laranja, e por aí à fora. Aí eu á estava com mais de vinte anos, adulto e o universo patriarcal e machista olhava com profunda desconfiança e preconceito o uso desta vestimenta.

4 – Vieram as calças saint-tropez (de cintura baixíssima deixando o “cofrinho” à mostra) e as calças boca-de-sino. Estávamos na Ditadura, e para cúmulo da babaquice a polícia reprimia este uso, estigmatizando com detenções por motivos aleatórios quem os usava.

4 – E por último o direito de usar o cabelo no tamanho que desejasse. Aí foi um Deus nos acuda! Houve até uma marchinha de carnaval famosa que dizia “Olha a Cabeleira do Zezé, será que ele é? ”

Depois veio a onda hippie, as cores, as saias, as lantejoulas, os cabelos grandes, os colares, o amor livre...e a sociedade de consumo a pouco e pouco apropriou-se destes valores rebeldes e hoje o direito ao trajar-se flui melhor, embora ainda com preconceitos.

Mas a garotada de hoje - como nós os de ontem - saberá limpar os esqueletos nos armários. Afinal, esta é a autodenominada Geração Cristal.

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Tente Escutar Quando os Bons Ventos Soprarem


“ -Entra menino, sai da rua que esse é o vento ruim! ”

Era assim que minha mãe interpretava aquele vento que sopra à tarde, de repente, aquele vento quente, forte que vem trazendo muita poeira, folhas secas, lixo...ela dizia que era malfazejo.

A brisa matinal era o que ela considerava o melhor vento. Ela dizia que os anjos vinham com esse vento trazer boas novas para nós.

Minha mãe, na sua simplicidade, por alguma razão nomeava os ventos à sua maneira e filosofia.

Na minha vida talvez eu não tenha encontrado melhores ventos que a brisa marinha de Salvador ao anoitecer. Era como se os ventos do entardecer viessem limpar as coisas ruins do dia, preparando-nos uma noite tranquila.

Cientificamente os ventos são divididos em vários tipos: Os ventos constantes são divididos em ventos alísios e contra-alísios.

Os ventos periódicos são aqueles que ocorrem de forma repetitiva ou durante uma estação do ano. Existem dois principais tipos: as monções e as brisas.

Ainda temos o Nordeste, o Noroeste, o Norte, O Sudeste...cada um deles dando um rumo à navegação, aos pescadores, à vida. Cada um deles como se nos contassem por onde andaram e o que viram deste mundo.

Por isso, amigos, quando os bons ventos soprarem tentem escutar o que eles lhes dizem. Eles não só contam histórias, também apontam direções e corrigem rumos.

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

A Cômoda Posição de Vítima


Sabe aquele sujeito que vive dizendo que não consegue realizar seus projetos sempre por culpa de alguém? Ou aquela pessoa que passa o tempo todo dizendo que não é feliz no amor por culpa da mãe? Ou ainda o aluno que diz que foi reprovado por culpa do professor que é antipático?

Claro que você já viu e ouviu dezenas, centenas de pessoas que dizem coisas como essas. Nós mesmo dizemos muitas vezes coisas assim. É a posição de vítima. Os culpados são sempre os outros, há sempre uma história vilã que nos faz de vítimas.

É uma cômoda posição na vida. A gente não avança, não sai do lugar por causa sempre do outro. Nunca por nossa responsabilidade.

Outro dia eu me peguei dizendo que não conseguia escrever um livro que tenho em projeto por que ia ser impossível encontrar uma editora para publicá-lo. Isso é a posição de vítima: não escrevo porque não encontrarei editora. Quando percebi isso logo depois descobri que há sites onde você pode publicar e vender seu livro em formato digital. Estou escrevendo o livro. Avancei, venci a antiga crença que me vitimizava.

Nós somos responsáveis por tudo o que acontece na nossa vida. Aqui e agora. O Passado já foi e o Futuro nem chegou ainda. Portanto deixe de fora as historinhas velhas, remoídas, que você vive contando pra você mesmo e avance na vida. Você é a ação, no aqui e agora.

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Quando a Criação Artística Vem do Inconsciente

Van Gogh, puro inconsciente criativo

A obra de arte que nos enleva, que nos entusiasma esta sim é a obra inspirada.

Creio que há dois tipos de criação artística: a obra de arte inspirada e a obra de arte correta. A primeira nos é ditada, de repente, pelo nosso inconsciente. A outra é fruto da técnica. Fica correta, bonitinha, mas não “acontece”. Não mexe com o espectador.

Você vê isto até em comerciais da tv. Alguns são feitos com tanto esmero, tantas técnicas e não rola nada. Aí vem um, bem simples, e torna-se viral. A diferença? Um é técnico, outro, inspirado.

Percebo isso na minha carreira de ator. Há personagens que você recebe e para os interpretar tem que estudar, pensar, elaborar, buscar, etc. etc. Há outros que não precisam de nada disso: eles chegam pra você e já estão prontos. A diferença? No primeiro caso você está trabalhando no consciente. No segundo caso está com o inconsciente “aberto” como costumamos dizer. Aí rola a “magia” da criação.

No primeiro caso por mais que você se esforce no máximo conseguirá representar uma personagem de forma correta, e chata (risos). No segundo caso a personagem empolgará os espectadores e muitas vezes tomará para si o protagonismo da obra.

Mas é preciso estar atento. Muitas vezes o inconsciente nos dá a dica e o nosso censor, o superego consciente, corta o barato antes mesmo que a ideia chegue à luz.

Portanto, em processos criativos – e viver é uma constante criação – procure sempre respeitar o seu inconsciente, às vezes - ou sempre - ele é o nosso melhor conselheiro.

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br