segunda-feira, 25 de junho de 2018

O Fim do Bordão no Humor Brasileiro?

Chico e seu bordão : " E o salário, ó!"

Pouca gente percebeu, mas a mudança foi radical: sumiram com os bordões.

O “bordão” - que ainda encontramos em personagens da Praça da Alegria, é um dos pilares do nosso humor latino que provém da Commedia Dell'arte italiana.

O bordão caracteriza cada personagem de comédia popular. Bordões ficaram famosos por séculos e séculos. Sempre funcionaram enquanto nosso humor tinha por matriz a Península Ibérica e a Comédia Franco Italiana, ou seja, enquanto latinos.

A invasão cultural neocolonialista vinda dos EEU chega arrasando a terra já cultivada. O humor estadunidense não tem bordões. Não tem origem latina. Seguindo esta linha os bordões foram retirados do humorístico na tela platinada.

Sinal dos tempos, e não há jeito de ser de outra forma. Mas é lamentável que até no humor seguimos o modelo norte americano abrindo mão das nossas origens culturais.

Pra quem ainda não localizou o bordão, por exemplo, o Zebedeu tinha um: “Não me queira mal que eu só sei querer bem. ” O Brasilino que eu fazia na Escolinha tinha o seu: “Só se for na França”. O cômico Zé Trindade tinha um famosíssimo em seu tempo: “O negócio é mulher! ”. Zezé Macedo com Dona Bela tinha o bordão “Ele só pensa naquilo!”.

Assim como um dia a turma da praia de Ipanema determinou que contar piada era brega e as piadas foram desaparecendo do cenário nacional, assim como a turma do Rio determinou que stand up não pode contar piada e as piadas foram sumindo dos shows de humor, agora são os redatores de humor, mais jovens, que determinam o fim do bordão.

Melhor para o humor? O tempo e os costumes dirão.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br

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