segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Como Eu, Ator, Lido Com Meus Sentimentos

Escuras nuvens e tempestades dentro do nosso Ser.

Devido à minha profissão em verdade no lugar de ser eu apenas um, sou três: a pessoa, o ator e a personagem.

Como pessoa me disponho a trabalhar como ator e como ator disponho-me a sentir e controlar e perceber e agir a partir dos sentimentos de uma personagem.

O curioso é que por ser uma personagem eu sinto todos os seus sentimentos, mas observo-os de fora ao mesmo tempo. Impeço-os de tomarem o controle absoluto do meu ser, caso contrário seria um doente, um perigo para os espectadores, que como eu, embora sintam os sentimentos expostos também os controlam.

E na vida? Como agimos enquanto pessoa?

Sempre, sempre, deixo-me levar sem controle pelos sentimentos negativos que surgem. Por exemplo: nervosismo e medo.

Vamos falar do medo e do nervosismo.

Penso que vou morrer de pânico, que estou com muito medo e muito nervoso e não consigo pensar em outra coisa que não seja livrar-me do medo e do nervosismo.

Enquanto ator trabalhando eu trabalharia estes sentimentos , eu os acolheria e os vivenciaria até o final da sua cena. Na vida tenho a impressão de que aqueles sentimentos serão eternos e infinitos. Nada disso, eles surgem dentro de um espaço do nosso ser e também vão passar. Vão ter seu momento “cênico” e vão sumir.

Noventa por cento dos problemas que nos afligiram descobrimos depois que nunca aconteceram. Os dez por cento restantes aconteceram e foram resolvidos. Logo, não há motivos para deixarmos torrentes de sentimentos perturbadores invadirem nossa alma de forma irracional.

E o mais curioso é que como ator compreendo isso, e faço isso sempre. Como pessoa...um desastre! Tenho muito ainda o que aprender em como lidar com meus sentimentos. São meus, eu tenho que abraça-los e conhece-los e esperar com calma e tranquilidade que eles passem, e possa eu continuar observando e sentindo apenas aquilo que é belo e que me dá prazer ao espírito.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com

Um comentário:

  1. E se fingíssemos, o tempo todo, que somos atores em uma peça? talvez esteja aí a solução.

    Excelente post!

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