segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Devemos Cultivar Nosso Jardim

Open Air Theatre, Londres - Inglaterra

Cheguei num tempo em que posso aconselhar a todos que cultivem um jardim. Um jardim pode ser cultivado mesmo numa pequena varanda do seu apartamento, e até mesmo em pequenos vasos no canto de uma sala.

Jardim não necessariamente significa os jardins do Palácio de Versalhes. Não precisa ser tão grande, nem sequer ostentatório. Pode ser apenas o seu jardim.

Cultivo um pequeno jardim na varanda do meu apartamento. Me faz muito bem à alma conversar com as plantas, cuidar delas, e vê-las crescer, verdejar, florir.

Enquanto cultivo meu jardim lembro-me sempre do romance “O Otimismo”, obra de Voltaire ( França 1759) que narra a história de um jovem, Cândido, vivendo num paraíso edênico e recebendo ensinamentos do otimismo de Leibniz através de seu mentor, Pangloss. A obra retrata a abrupta interrupção deste estilo de vida quando Cândido se desilude ao testemunhar e experimentar eminentes dificuldades no mundo. Voltaire conclui a obra-prima com Cândido — se não rejeitando o otimismo — ao menos substituindo o mantra leibniziano de Pangloss, "tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis", por um preceito enigmático: "devemos cultivar nosso jardim."É com esta frase que Voltaire termina o romance.

Apenas relembro Cândido, porque continuo otimista, apesar de toda desgraça e vilania que já vi nesta existência. E é por otimismo que cultivo um jardim, ouvindo as plantas e seu natural canto de amor à vida.

Se você ainda não tem, experimente cultivar um jardim. Vai ver como faz bem à alma.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com

Um comentário:

  1. Perfeito, meu caro. Cultivando jardins estamos cultivando a nós mesmos. Puxa, como esse mundo precisa de jardins... externos e internos.Abração.

    ResponderExcluir

A Cia. De Teatro Atemporal agradeçe os seus comentários.