sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Segunda de Primeira


Informamos que a partir de setembro de 2017 os artigos do gênio Bemvindo Sequeira (Foto Acima) estarão aqui no Blog da Cia. De Teatro Atemporal apenas nas segundas-feiras.

Com toda irreverência e carisma ímpar os melhores artigos do mundo do teatro e da cultura estão aqui!

Não se esqueça! Nossas segundas serão de primeiras!

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O Ideal do Outro Em Nós


A tolerância é um grande Dom, e um exercício para ser elaborado todos os dias. Ninguém se tona tolerante da noite para o dia, como num passe de mágica. É um exercício constante. Uma observação constante de si mesmo e do outro.

Pela observação do outro aprendemos o quanto podemos ser intolerantes também.

Há pressões sociais e pessoais de intolerância que afetam nosso Ser. São pressões que vão de sutis manifestações até claras manifestações de ódio.

Como é difícil para muitos, hoje, dizer: - Sou comunista! Ou: sou evangélico! Ou: sou homossexual! Ou até mesmo: Sou ateu!

E, creiam, este SOU não é a verdadeira essência do que estas pessoas são. Estes “EU SOU” são rótulos que estabelecemos para nos identificarmos diante do outro e de nós mesmos.

Mas o que exatamente - no nosso âmago, na nossa essência, na nossa alma - o que somos realmente? Quem somos realmente? Este é o mistério da vida, cujo desvelar passaremos a existência procurando saber.

Portanto, aceitar naturalmente as pessoas como elas são naquele momento da vida delas, aguardando que elas avancem cada vez mais no seu autoconhecimento é, este sim, um ato de amor ao próximo. Um ato de tolerância.

O que eu penso, ou o que acho bom para mim, pode não ser para o próximo, e isso deve ser respeitado, para que também me respeitem.

Como posso ser libertário se tento prender o próximo aos meus conceitos? Afinal, se eu mesmo ao prender o próximo aos meus conceitos torno-me preso a ele.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Com Mulher Não se Pode Falar Sério, Diz Sérgio Mallandro

Divertido e ingênuo no seu humor toma bronca das novas gerações

Minha neta de 15 anos está de mau com Sérgio Mallandro. Ela e uma porção de amigas que se juntaram para discutir a mais recente entrevista do amigo e humorista.São duas gerações diferentes, muito distantes uma da outra, em idade e conceitos. Mallandro, que é divertidíssimo e como diz o nome: muito malandro, vem de uma época em que não se precisava ter muitos cuidados com o que se dizia sobre a mulher. Não chega ao nível de machismo é claro do tempo da minha vó árabe, que quando minha mãe recém casada foi queixar-se com ela do meu pai, ainda imatura, (naquele tempo casava-se com 16 anos ) Travou-se o seguinte diálogo em 1932:

Mãe – Eu quero separar do meu marido.

Avó – Por que? Ele bate em você?

Mãe – Não.

Avó – Você passa fome? –

Mãe – Não.

Avó – Ele te dá roupas?

Mãe – Sim.

Avó- Ele deu sobrenome dele pra você.

Mãe – Deu.

Avó – Então você está reclamando de que? Volta pra seu marido e fica quieta.

Minha neta , da chamada geração cristal, está muito pau com a declaração machista dele de que mulher gosta de rir, de que não se pode falar sério com mulher. Ela diz que este é o tipo de homem babaca,e que se um garoto de hoje diz isso elas de saída escanteiam ele como bobo, infantil e machista. Tentei explicar à ela que se tratava apenas de uma brincadeira e tive como resposta:

- O humor não pode servir de escudo para a manutenção de conceitos machistas.

É, Mallandro, a gente papa mosca com as novas gerações, coisas ditas sem a menor intenção de ferir – nos nossos velhos conceitos – acabam provocando tsunamis de críticas e de broncas para nos adequarmos aos tempos modernos.

Outro dia , palestrando numa Faculdade levei uma bronca de uma jovem apenas porque disse que as feministas do meu tempo eram muito feias, e as de hoje são belas. Uma jovem pediu a palavra e me desancou de machista pra baixo.

E a garotada está certa, afinal o mundo já é deles. E em dez anos será mais ainda.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

De Repente Estamos Carentes de Vitamina D?


Faço um simples hemograma (exame de sangue) e fico assustado: os níveis de vitamina D no meu organismo estão muito baixos.

Uma queda surpreendente. O nível normal seria de 30 para cima, eu estava com 10.

E aí leio nos jornais que muita gente está com níveis baixíssimos de vitamina D.

A vitamina D é muito importante, sobretudo para aumentar as nossas defesas imunológicas. Ela regula de intestinos a unhas. E é tão simples repô-la e em nosso organismo: apenas 15 minutos de sol por dia.

Curiosamente somos um país solar e somos um povo que não toma sol. Passamos a maior parte do dia dentro de casa ou escritório.

A partir desta preocupação passei nos últimos dois meses a caminhar pela manhã por 15 minutos ao sol, ou a sentar-me no jardim e ler por 15 minutos também a o sol.

Resultado: no último exame a taxa havia subido para 27, quase o normal que pretendo atingir no próximo mês. Previna-se você também, e adeus micoses ou unhas quebradiças, e intestinos instáveis, entre outras coisas muito mais sérias que podem advir da falta de Vitamina D.

Se tem mais dúvidas sobre isso consulte um médico.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Ser Velho Não é Doença, Nem Praga Nem Maldição

Quando a velhice é uma alegria

Toda a vez que eu digo que eu estou velho algum interlocutor pessoa me repreende: - O que é isso? O senhor não está velho coisa nenhuma!

Deixem-me ser velho. Vou completar 70 anos.

Não vejo problema algum em ser velho. A vida tem me abençoado com longos anos. Carrego a minha velhice como uma medalha ao peito.

Mas as pessoas em sua maioria rejeitam a ideia de envelhecer. E sobretudo repreendem quem se diz velho, como se velho fosse uma doença, uma praga, uma maldição.

O corpo envelhece sim. A mente não. Às vezes ela rateia a memória aqui e ali, mas se mantém lúcida ao ponto de denominar e reconhecer a velhice.

Graças a Deus cheguei à velhice. E uso os cuidados que deve ter um homem, ou mulher da minha idade: exames periódicos, exercícios, alimentação diferenciada, controle da ansiedade, calma nas tarefas que devem ser feitas, prudência, tolerância e paciência. Caminhar mais devagar – não porque não possa caminhar mais depressa, mas que necessidade há de caminhar mais depressa na nossa idade?

E assim vou seguindo feliz sem horror à velhice e suportando sobretudo o preconceito que a sociedade tem para com os velhos.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A Dor Escondida Atrás de Óculos Escuros

Neguinho da Beija-Flor e Carlinhos Brown no Velório de Emílio Santiago 

Fico observando o velório e enterro de personalidades. E há uma coisa que não entendo, talvez porque eu seja néscio bastante para não alcançar o significado: os óculos escuros colocados pelas pessoas que vão ao velório.

Imagino a preocupação da pessoa indo ao velório:

- Eu preciso ir ao velório, era muito amigo, querido mesmo, uma perda. Ah, mas não posso esquecer dos óculos escuros.

Como numa hora e dor, de comoção, lembrar-se dos óculos escuros?

Vejo enterro de pobre. De crianças assassinadas nas comunidades durante confrontos do tráfico. Nunca, jamais vi em nenhum destes velórios uns óculos escuros sequer. Ao contrário, vejo olhos bem abertos à tragédia que se passa ao redor.

Será que os óculos escuros em cerimônias fúnebres são no fundo símbolo de status e classe social?

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com
Foto: Roberto Teixeira/EGO