segunda-feira, 28 de março de 2016

Quer ser Ator? Comece Por Conhecer a Língua!

Língua ele também tem, mas para ser ator precisa conhece-la.

Muitos jovens que desejam seguir a profissão de ator me perguntam o que devem fazer pra ser um bom ator.

-"Como fasso para ser ator?"

_"Sempre quis enterpretar no pauco."

Parece brincadeira, mas é com essa ortografia que recebo inúmeras mensagens.

Primeiro que tudo para ser um bom ator é preciso conhecer a Língua em que se fala. No caso, o Português. Conhecem melhor o Inglês que a Língua Pátria!.

Nunca me esqueço de um ator , já formado, já profissional, trabalhando comigo que gritava em cena: -"Peguem os fusíveis!!!" .Porque ele achava que este era o plural de "fuzil".

Eu iria adiante: além de Português é preciso ter noções de Latim, origem da nossa Língua.

Mas, como já seria pedir demais, fiquemos no bom Português: conhecer os sufixos, prefixos, radicais, desinências, objetos diretos, indiretos, predicados, sujeitos, verbos (ação)...

Para dar um exemplo: se você desconhece o Verbo como pode determinar qual a ação da cena? Qual é o sujeito que protagoniza a ação? Qual o objeto direto da ação a que se refere o verbo? Se não sabe o que diz como poderá dize-lo com a verdade que a cena necessita? E por aí vai...

Claro que existe a pintura primitiva, a dança popular...a arte popular...a cultura de massa...mas se você que está agora começando, ou que vai começar na arte do ator quiser ir mais além, quiser buscar a obra de arte inspirada tem que começar por saber como orar, ou seja, a partir da sua palavra bem dita tocar a alma dos espectadores enlevando-a.

"Orar: falar em público; proferir discurso ou expressar-se em tom oratório; discursar."... Tem que dominar a oratória: "...conjunto de regras que constituem a arte do bem dizer, a arte da eloquência; retórica." (Houaiss), a Gramática ...

Senão você pode até comunicar-se, cães, gatos e até gambás fazem isso a toda hora, nem por isto são atores. Mas se você quer ser um grande ator comece por aprender a Língua em que vai se comunicar.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

sexta-feira, 25 de março de 2016

Sem Música Todo Ator Tropeça e Cai

Joan Collins e Candy Barr nos bastidores de "Seven Thieves", Califórnia, 20 de Agosto de 1959. (AP Photo)

O canastrão é antes de tudo um péssimo intérprete musical.

Para interpretar é necessário ter melodias na cabeça. A melodia da cena, e a da obra toda.

É uma melodia imaginária que ajuda o ator a manter o compasso e o tom de cada ação. A manter-se afinado na sua interpretação: allegro, allegro vivace, stacato, moderato...como numa ópera ou numa sinfônica.

Relendo Meyerhold, o grande diretor russo (1874-1940) encontrei este pensamento que trago a vocês:

"O pessoal de circo necessita da música como um guia rítmico que os ajuda a organizar seu "timing". Eles trabalham em termos de fração de segundo, e a menor mudança de compasso provocaria uma queda e um desastre. Com uma melodia bem conhecida servindo de acompanhamento a coisa fica diferente, tornando o cálculo do tempo quase isento de erro. Sem música seria possível, mas muito difícil. E se a banda se puser a tocar uma melodia diferente da esperada pelo acrobata, este se vê em perigo. Em certa medida o mesmo acontece no teatro (e também na tv digo eu). Construída sobre uma base musical , a atuação torna-se mais precisa. No teatro orient5al , nos momentos de clímax, o contra-regra provoca sons ritmados: é um guia para ajudar o ator a atuar precisamente. Ator necessita de um background musical para medir a passagem de tempo."

Para pensar. Sobretudo para aqueles que vão chegando e acham que interpretar é só abrir a boca e falar o texto decorado.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

segunda-feira, 21 de março de 2016

Quando a Vocação é Maior que o Peso dos Anos

A farra da longeva idade na piscina de "Cocoon"

A Arte Cênica tem um poder mágico, semelhante à piscina do filme "Cocoon", onde os velhinhos mergulhavam e saíam rejuvenescidos.

Comecei a perceber este poder há muitos anos atrás, início da década de 90, quando com minha mulher fui assistir ao grande Paulo Gracindo no Teatro Thereza Rachel - Copacabana, Rio, representando a peça "Num Lago Dourado".

Gracindo subia e descia escadas e praticáveis em cena, caminhava, corria, falava em alto e bom som, gesticulava...pleno de saúde e brilho de vida.

À saída do Teatro fiquei esperando para abraçá-lo. Saiu-me das entranhas dos bastidores um ancião claudicante, arrastando os pés, amparado por um amigo, tão distinto do vivaz ator posto em cena.

Esse poder vivificante você vê na Bibi , na Selma Lopes, na Nathalia Thimberg, Fernanda Montenegro, Nicete Bruno, Edney Giovenazzi, Francisco Cuoco, Milton Gonçalves... todos já passados dos 80 anos e uns jovens saltitantes em cena.

Vi a mesma gana de vida ao trabalhar com dois veteranos que já partiram deste mundo: Henriqueta Brieba e Jorge Dória.

Vi este poder agindo em Zezé Macedo, Walter D'Ávila, e Brandão filho.

É o gosto pela profissão, o prazer de comunicar-se, a certeza de que ainda se é útil, criativo e capaz.

O artista ao interpretar esquece artroses, cíaticas, diabetes, vista turva, pressão alta, marca passos, dores lombares, cansaço crônico...o que seja.

Por isso quando vejo um iniciante, na faixa dos vinte anos, dizer que não veio ensaiar, ou gravar, porque estava gripado, ou com dor de cabeça, ou com estômago enjoado, percebo logo que a vocação profissional passou ao largo deste jovem equívoco cênico.

O Tempo é a prova da verdade, pois o que é verdade permanece.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

segunda-feira, 14 de março de 2016

“Se Essa Rua, Se Essa Rua Fosse Minha..”

Universo ou pedrinhas de brilhantes?

A rua era o Universo.

A pequena e desconhecida rua de terra do subúrbio caroca era o Mundo inteiro.

Tudo que acontecia no Planeta acontecia também naquela rua , só que com mais intensidade.

Um eclipse lunar era acompanhado por todos, visto e revisto da calçada ainda quente do sol suburbano.

Eclipse solar então... era motivo de desespero. Uma calamidade. Algo sobrenatural. O Mundo ia acabar ali, agora? E se o Sol se espatifasse na Terra e acabasse em fogo como diziam os antigos?

Eliezer, único exemplar adicto da rua sentava-se plácido à porta da sua casa, na escada de entrada e via o mundo eclipsado através dos seus olhos vagos após uma crise que toda a rua tomava conhecimento.

Passado o "fim do mundo" e a crise de Eliezer as pipas voltavam aos céus, com bastante cerol, moído e remoído, colado e recolado em linha 10, aos gritos de "Tá com medo tabaréu? É linha de carretel!"

O Mundo era a rua e era simples como aquela gente que ali vivia.

Jorge e Ney eram negros; Vital e Ivanzinho, mulatos; Bebel e eu éramos morenos; Josimar era louro de olhos azuis e usava tranças mesmo com sete anos de idade, promessa de sua mãe para uma cegueira de que fora curado.

Não sabíamos que haviam cores entre as pessoas. Todos eram pessoas, amigos, gente.

Como disse muito bem Mandela: "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."

E era assim naquela rua: as crianças brincavam e sequer imaginavam que houvessem tais diferenças.

Naquela rua o jogo de bola parava quando passava uma senhora. Havia todo o tempo do Universo para marcar um gol. Podíamos esperar Dona Delfina passar com a sacola carregada de bananas, a sobremesa mais barata e amadurecida na quitanda do português à base de carbureto.

Mais tarde , não muito, quando calçaram a rua, caminhando por ela à noite, a luz dos postes faiscava o granito a cada passo cumprindo-se a canção: "Ladrilhada com pedrinhas de brilhantes para o meu amor passar..."

E eu sentia o gosto das estrelas no céu da minha boca.

Acredito que ainda existam ruas e gentes como aquelas. Deve haver sim . Precisa haver. É ali que nasce a humanidade.

É ali que se educa para a humildade e solidariedade.

Percebo-me a pensar na minha neta, prisioneira de um computador num bairro nobre de São paulo...vou perguntar-lhe se já pisou na rua descalça, ou se já pulou amarelinha na calçada riscada com giz.

Quando o tempo vier e ela amadurecer provavelmente recordará não de ruas de terra, mas de vias cibernéticas nas suas boas memórias da infância, percebendo afinal, como Drummond, que "...o Mundo não pesa mais que amão de uma criança."

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

terça-feira, 8 de março de 2016

As Minhas Mulheres

Mulher, a grande companheira na viagem da existência.

No Dia Internacional da Mulher relembro neste post uma prosa que escrevi há alguns anos em homenagem à mulher da minha vida.

"No outono da vida, as folhas secam, o rio é prata,o amor é ouro.

Quantas vezes a gente casa e separa da mesma pessoa?

Num casamento que já dure mais de trinta anos, por exemplo, quanto casamos e separamos?

Meu primeiro olhar de desejo foi para uma estranha. Sedutora... brilhante... bela... mas estranha.

Depois eu tive uma namorada. Jovem, alegre, vivaz, paixão.

Mais tarde assumi um compromisso sério com uma mulher já feita.

Mas quando conheci outra que além de mulher era mãe, eu - volúvel - apaixonei-me por esta.

Separei da mulher anterior, porém às escondidas, com sabor de traquinagem continuava encontrando às vezes a antiga namorada.

Mas foi aí que a vida me deu uma companheira muito melhor.

Uma companheira muito mais solidária, lutadora, firme, consoladora... muito mais que todas as outras que eu tivera antes.

Foi uma grande companheira que me acompanhou em todas as lutas.

Aventureiro, troquei-a por uma mulher que me passara desapercebida, mas que descobri madura. Paciente... sábia.

Mas quando esta mulher madura distraía-se eu encontrava-me com a namorada da juventude, e com a amante fogosa que era a mulher feita.

Ás vezes calhava de estarem todas num mesmo lugar: numa festa, num evento, na cama... de repente.

Relembrando João Cabral eu diria que foi "uma educação pela pedra, por aprender da pedra " administrar isto.

Mas este garanhão cheio de amantes e namoradas envelheceu e hoje vivo um amor tranquilo com uma charmosa mulher, que é mãe e uma avó carinhosa, a mulher do resto dos meus dias.

E no outono da vida descubro que desde o início ela sempre foi uma só- e várias - e agradeço a Deus por ter me dado a sabedoria e a paciência para encontrá-las todas numa só."

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

segunda-feira, 7 de março de 2016

Buster Keaton: o Rei do Riso Que Não Ria


Buster Keaton.

As novas gerações e até mesmo algumas mais velhas não o conhecem nem à sua obra.

Um dos maiores comediantes do século XX. Faleceu na data de hoje em 1966.

Keaton foi considerado o grande rival de Chaplin. Protagonizava filmes mudos.

Porém sua principal característica é que jamais sorria nos filmes. Sempre sério era capaz das maiores tiradas de humor.

O humor nos filmes de Buster Keaton, basicamente, se fazia através das chamadas gags; corridas, quedas, fugas. Uma das grandes inovações de Keaton, no entanto, é o fato de sua comédia se basear num personagem impassível, que mantém as mesmas feições diante dos fatos ocorridos

Keaton nasceu no final do século 19 nos bastidores do vaudeville. Seus pais eram artistas deste gênero de variedades.

Entrou em decadência quando do surgimento do cinema falado e por um péssimo contrato que fez com a nascente Metro Goldwin Mayer.

Foi reabilitado pelo próprio Chaplin no filme "Luzes daRibalta" da década de 50.

Na tv às vezes se apresentam suas comédias, e você pode encontrar seus filmes em boas locadoras que tenham filmes cult.

Keaton e sua cara de pau fazia gargalhar a plateia.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;