quinta-feira, 16 de junho de 2016

Humor – Em Caso de Polícia Chame o Ladrão


(Diálogo real, com pequenas pinceladas fictícias de humor, e nomes e endereços fictícios.)

Três e meia da madrugada. Cidadão acorda com o barulho e percebe que estão tentando arrombar a porta do seu apartamento. Olha pelo olho mágico e vê um sujeito que não reconhece. Interfona ao porteiro que responde sonolento com um “dialeto” ininteligível. Então o cidadão desesperado liga para o 190 da Polícia Militar:

- 190

- Polícia militar?

- (Do outro lado é dita alguma coisa também ininteligível)

- Meu nome é Álvaro, Rua Pio Ferreira 122, apartamento 804. (Diz com a urgência que o momento requer).

- Como é seu nome?

- Álvaro.

- A sua identidade.

- 1104567358-79

- 1104567358-69?

-Não senhor, é: 1104567358-79

- 79 né? Certo. Como é mesmo seu nome?

- Álvaro.

- Boa noite seu Álvaro. Qual é o seu endereço?

- Rua Pio Ferreira 122, apartamento 804.

- Um momento... (Tempo. E o estranho forçando a porta. Terror.) Não estou achando esta Rua Pinto Ferreira.

- Não é PINTO Ferreira é PIO Ferreira.

- Ah, sim, uma questão eclesiástica. Tem alguma referência pra essa rua?

- Começa em frente ao Viaduto Adroaldo de Mello.

- É, né? Não conheço esse Viaduto...Mas qual é o problema seu Armando?

- Álvaro.

- Quem é Álvaro?

- Meu nome. É Álvaro, não é Armando.

- Qual o problema seu Álvaro?

- Estão tentando arrombar a porta do meu apartamento. O porteiro não soube me dizer nada e está adormecido. Por isso estou pedindo ajuda a vocês. - Quem está tentando arrombar?

- Não sei. Um sujeito que eu nunca vi.

- Como o senhor sabe que nunca viu?

- Porque vi pelo olho mágico.

- Então o senhor já viu ele.

- Sim, vi. Mas nunca vi.

- Viu, mas nunca viu?! (Ri).O senhor está confuso...

- Não estou confuso, estou nervoso.

- Fique calmo.

- Sim. Mas o cara está forçando minha porta.

-Mas como ele entrou no prédio?

-Não sei. - Como ele passou pelo porteiro?

- Não sei, meu senhor! Eu estou dentro de casa, e só sei que ele está forçando a porta.

- Mas o senhor não conhece ele?

- Já disse que não!

- Está bem. Vamos enviar uma viatura ao local.

- Obrigado.

(O sujeito parou de forçar a porta e é visto agora em pé no corredor do lado de fora falando coisas desconexas)

- 190

- Há vinte minutos pedi uma viatura porque há um sujeito tentando arrombar a minha porta.

-Ah, é o seu Álvaro?

- Sim. Demora muito pra vir uma viatura?

- Não é mais com a gente, vai depender da disponibilidade...

(Tempo de angústia e terror. Quinze minutos depois...)

- Aqui é da Central da PM. Qual é o problema seu Álvaro?

O cidadão explica tudo de novo e pergunta pela viatura.

- Aqui é do Batalhão do Centro, mas estamos enviando uma do seu bairro.

Mais dez minutos e silêncio total na escuridão do corredor externo. De repente toca o interfone:

- Seu Álvaro, é Ismael.

- Quem, é Ismael?

- O porteiro. - Mas o senhor não se chama Zinho?

- Apois então: Zinho, de Ismaelzinho.

- Sim, seu Ismael,zinho. Já chegou a viatura?

- Não precisa de viatura não. O homem já se resolveu. Foi engano. Era o morador do 704 que chegou muito chumbado e confundiu as portas.

Cidadão liga de novo para o 190.

- 190

-É o Álvaro!

- Oi seu Álvaro! Tudo bem?

- Tudo. Olha eu quero cancelar a viatura que não chegou até agora, mas foi apenas um engano e tudo se resolveu. (Constrangido). Desculpem o trabalho que eu dei.

- Não foi trabalho nenhum. Estamos aqui para servir.

E assim vamos vivendo com toda a segurança, graças a Deus. E pra dizer a verdade: só graças a Ele, mesmo.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

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