sexta-feira, 25 de março de 2016

Sem Música Todo Ator Tropeça e Cai

Joan Collins e Candy Barr nos bastidores de "Seven Thieves", Califórnia, 20 de Agosto de 1959. (AP Photo)

O canastrão é antes de tudo um péssimo intérprete musical.

Para interpretar é necessário ter melodias na cabeça. A melodia da cena, e a da obra toda.

É uma melodia imaginária que ajuda o ator a manter o compasso e o tom de cada ação. A manter-se afinado na sua interpretação: allegro, allegro vivace, stacato, moderato...como numa ópera ou numa sinfônica.

Relendo Meyerhold, o grande diretor russo (1874-1940) encontrei este pensamento que trago a vocês:

"O pessoal de circo necessita da música como um guia rítmico que os ajuda a organizar seu "timing". Eles trabalham em termos de fração de segundo, e a menor mudança de compasso provocaria uma queda e um desastre. Com uma melodia bem conhecida servindo de acompanhamento a coisa fica diferente, tornando o cálculo do tempo quase isento de erro. Sem música seria possível, mas muito difícil. E se a banda se puser a tocar uma melodia diferente da esperada pelo acrobata, este se vê em perigo. Em certa medida o mesmo acontece no teatro (e também na tv digo eu). Construída sobre uma base musical , a atuação torna-se mais precisa. No teatro orient5al , nos momentos de clímax, o contra-regra provoca sons ritmados: é um guia para ajudar o ator a atuar precisamente. Ator necessita de um background musical para medir a passagem de tempo."

Para pensar. Sobretudo para aqueles que vão chegando e acham que interpretar é só abrir a boca e falar o texto decorado.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

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