segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A Plateia Canastrona

Encarar uma plateia dessas numa comédia é de matar o comediante!

O colega, veterano Agildo Ribeiro tem uma tese muito engraçada. Ele acha que em certas sessões de teatro os chatos combinam:

- "Vamos lá ver o Agildo hoje. Já sabem: ninguém ri, hein?!"

Ele acha que há um inconsciente coletivo em que certas noites de espetáculo a platéia resolve não participar. Não rir. Não interagir.

Claro que não há nada científico que comprove esta tese. Mas eu mesmo já vi plateias assim e concordo com ele.

É um exemplo de plateia canastrona.

É aquela plateia que não reage no tempo certo. Se ri, ri com delay, atrasada e complica o ritmo da peça.

Se suspira num drama o faz também fora de tempo. É aquela platéia que vai assistir um drama que exige silêncio absoluto e leva balas embrulhadas em celofane pra chupar e repassar de mãos em mãos durante a peça.

Há também os celulares - que nem sempre tocam - mas acendem no escuro da plateia e distraem público e atores.

Há os que chegam atrasados e vão sentar bem no meio da fileira: "- Com licença...licença..licença..." E toda a fila levantando e sentando.

É a plateia que quando o teatro não está lotado sentam do meio pra trás. Afastam-se dos atores. Fogem da trama.

Lá de cima do palco a gente observa tudo isso.Quando não vê por estar muito concentrado no foco da ação, ouve.

A relação dos atores com a plateia é como uma orquestra. A plateia também é instrumental. Todos tem qua estar afinados. Aí acontece o fenômeno da arte cênica: a inspiração que seja pela comédia, ou seja pelo drama enche de graça todos que dele participam.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

Um comentário:

  1. E interacção entre o público e os actores é muito importante. Quando isso não acontece deve ser frustrante para quem está em cima do palco.
    Um beijo.

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