segunda-feira, 29 de junho de 2015

Agradecemos a Gentileza


Minha mulher Doia, como eu, já é considerada idosa.

E como eu, costuma usar o transporte público: ônibus, metrô, etc..

Pessoalmente tenho prazer do transporte público: janelas amplas, posso ver a rua , as pessoas, a paisagem, as novas lojas e construções, e sobretudo os usos e costumes, o que muito me auxilia no trabalho criativo.

Claro que não somos obrigados pelo nosso dia-a-dia a tomar do transporte público em horários de pico, superlotado.

Mas o foco deste post é outro:o tratamento aos idosos.

As queixas de maus-tratos a idosos sucedem-se. No nosso caso sempre nos valemos da Lei e dos nossos direitos quando nenecssários.

Pois minha mulher hoje veio contar-me que tomou um ônibus deveras peculiar.

O motorista não era "o motorista", era "a motorista" e o trocador um homem corpulento, capaz de, por seu porte, assustar pessoas.

Pois a motorista parou o ônibus esperou minha mulher entrar, passar pela roleta, enquanto o trocador dizia:

- Olha , a senhora senta aqui, nessa cadeira, é melhor para a senhora e além disso é bom sentar-se porque se o ônibus arrancar a senhora pode cair e se machucar

Indicou-lhe o lugar depois de ajudá-la a rodar a roleta, e o ônibus só saiu depois que ela estava sentada.

Doia, minha mulher, me disse emocionada com a gentileza que recebeu:

- Tamanha delicadeza até faz a gente voltar a acreditar que existe gente boa no mundo e que a Humanidade tem salvação.

Ao descer do ônibus Doia agradeceu ao trocador, que , na sua humildade não entendeu o agradecimento. E ela disse:

- Agradeço sua educação e gentileza comigo.

Desta vez quem surpreendeu-se foi o trocador ao ver na prática o dito: "Gentileza gera gentileza"

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;
Foto: Divulgação - Teatro Itinerante

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A Saia-Calça e o Preconceito dos Cariocas

Pois é. logo os cariocas, este povo tão alegre., que nos parece livre de preconceitos, avançado ...pois logo os cariocas nesta data, em 1911, vaiaram e agrediram uma mulher por que ousou sair às ruas trajando uma jupe-culotte.

Mas o que seria uma jupe-culotte? Nada mais nada menos que apenas uma saia-calça como a da figura abaixo.


O preconceito (pré-conceito) é coisa arraigada em cada segmento social, senão em toda a sociedade.

Quando Twiggy, a modelo inglesa, lançou a mini-saia também foi um Deus-Nos-Acuda.

Leva tempo, mas os conceitos mudam.

Agora mesmo estamos aí vendo o Vaticano às voltas com a escolha de um novo Papa que enfrente as mudanças pelas quais passou a sociedade nas últimas décadas...

Lembro-me da estupefação que causou a troca do hábito secular pelo terno de clérigo, na década de 60 no Brasil.

Hoje os padres andam até de bermudas nas suas paróquias,e isto não lhes mudou os votos feitos.

Quando eu era menino morava na Ilha do Governador, no Rio.

Nossa vizinha, Aglaé , que tinha um casal de filhos da minha idade, era o escândalo da Ilha.

Tudo porque pegava e saltava do bonde andando.

Quando ouvíamos aquela algazarra vindo da rua sabíamos que ela acabara de pegar ou saltar do bonde.

O bonde da Ilha

Claro que minha mãe não me deixava brincar com seus filhos...por causa do bonde?

Não, pior ainda: porque a vizinha era desquitada. E mulher desquitada não prestava como companhia, quanto mais seus filhos.

Os colégios católicos não aceitavam matricular filhos de pais desquitados.

Pra vocês verem como os conceitos que hoje defendemos de forma tão arraigada são temporais.

A sociedade muda, e com ela os costumes. Ainda bem.

Como diria Dorivaldo, minha personagem em "Dona Xepa": "O Tempora! O Mores!"

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

segunda-feira, 15 de junho de 2015

As Graças da Profissão de Fazer Graça

O Mestre Brandão Filho

Uma das coisas que me surpreendem até hoje na profissão de artista é trabalhar com aqueles que foram meus ídolos de infância.

Claro que a cada dia a infância fica mais longe e os ídolos daquele período mais escassos.

Mas que deslumbramento foi para mim fazer o meu primeiro programa de humor na TV.

Foi na Rede Manchete. Em 1986. A Manchete mantinha dois proramas de humor semanais.

Do tipo "Balança Mas Não cai" etc..

E de repente lá estava eu trabalhando com Costinha, José de Vaconcellos, Zé Bonitinho...

E mais deslumbrante ainda foi a "Escolinha do Raimundo" na Globo. Aí foi além do que poderia supor:

Sentava-me ao lado de Grande Othelo, Brandão Filho, Walter D'Ávila,Roberto Roney, Zezé Macedo,Antonio Carlos e muitos e muitos outros que eu assistira na tv em preto e branco na década de 50.

Atingi o auge da alegria quando tornei-me professor da "Escolinha do Barulho", na Rede Record.

Imaginem, eu , aquele menino criado no subúrbio do Rio, era o "professor" de muitos dos meus ídolos.

Aqueles que eu só via dentro da "caixinha mágica" agora era eu quem estava dentro da "caixinha" e contracenando com eles.

Jamais na minha infância poderia imaginar que um dia viria a ser ator, comediante, e contracenar com aqueles mitos do humor brasileiro.

Sou muito grato por isto.

Relembro com carinho estes mestres que fizeram o riso do País.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Haja Saco! Dia dos Namorados.


Será que eu vou conseguir fugir do lugar comum e evitar falar do Dia dos Namorados?

Minha mulher me perguntou que presente eu queria no Dia dos Namorados. Eu disse: nada!

Juro pra vocês que quase aos 70 anos não tenho mais nenhum saco pra esse monte de "dias". Não cessam nunca: Dia do Carteiro; Dia do Avô, dia dos Pais, dia das Mães, Dia da tartaruga; Dia da Aviação Civil: Dia da Aviação Militar; Dia da Moda; Dia do Dactiloscopista; Dia do Médico Legista; Dia dos Mortos; Dia do Amigo...isso sem contar a montanha de feriados e dias "santos".

É um nunca acabar de dias que vão as Câmaras Municipais e os Legislativos votando à falta do que melhor fazer.

Pra mim um dos piores dias é o Dia do Teatro. Porque a gente mesmo que é da profissão nem lembra, pra nós todo dia é Dia do Teatro, e aí fica um monte de gente que não faz teatro querendo ser gentil e nos parabenizando pelo Dia do Teatro.

Penso por exemplo que amigo que é amigo está sempre em contato, está sempre ligado, não precisa mandar "feliz dia do Amigo".

A mesma coisa para os enamorados. Beijos e beijos, presentes e presentes, agrados e agrados em todos os dias. Não consigo reduzir o namoro a um único dia para ser festejado.

Pronto! Acabei falando do Dia dos Namorados. rsrsrsrs. Beijos e beijos a todos os enamorados deste País...

Falo, falo, falo, mas não consigo escapar: Feliz Dia Dos Namorados!

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com; Foto: Marcelo (Marcelezza)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Cuidado, A Inveja Matou Abel: Defenda-se


A inveja matou Abel. Conta a Bíblia que por Deus ter aceitado a oferta generosa de Abel em detrimento da oferta avara de Caim, este movido pela inveja matou o próprio irmão.

Abel teria dado o melhor em sacrifício a Deus. Caim deixou por menos. Um sacrifício medíocre.

Esta é a base do invejoso: a mediocridade.

Não consigo imaginar alguém vitorioso em seus projetos e em sua vida ter inveja de quem seja medíocre ou perdedor.

Será sempre o perdedor, o medíocre, aquele que quer ganhar tudo com o mínimo de esforço e sacrifício quem terá inveja do vitorioso.

E a inveja manifesta-se em tudo. Não duvidem e não se esqueçam.

Não diz respeito apenas bens materiais, mas aos dons e pendores de cada um.

Não é impossível que uma vizinha inveje o bolo saboroso que a outra sabe fazer.

Ou que o poeta medíocre inveje a verve do poeta maior.

Ou até que o homem de pouca fé inveje a fé ardorosa do outro.

Mas não tenham dúvida a inveja, o olho gordo, ronda-nos todos os dias.

É preciso estar atento e forte. A inveja causa intrigas, desavenças,moléstias e até morte.

Temos que defender-nos de nós mesmos e dos outros.

De nós porque quando invejamos o outro confessamos nossa mediocridade e nossa baixa estima.

Dos outros porque a inveja é um mal que não se vê mas que está sempre ao derredor.

Cada um que procure seu jeito, mas defenda-se da inveja.

Caim guia o irmão para a morte. Obra de James Tissot

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;
Foto: Espetáculo “NÁJOMNÍCI PÁNA SWANA” By marketa

sexta-feira, 5 de junho de 2015

7 Anos Atemporais


Como o tempo voa... Hoje a Cia. De Teatro Atemporal completa 7 Anos de existência! Parece que foi ontem que a companhia foi fundada.

Agradecemos a DEUS e a você que aprecia os nossos trabalhos!

Receber a sua visita e o seu carinho aqui no Blog é algo que não tem preço! 

Não podemos deixar de agradecer o nosso querido Clemente! Único artista e representante desta companhia, que com muita garra e força, tem dado o melhor de si!

Sabemos que quem faz teatro no Brasil vive uma saga muito difícil (desvalorização, preconceito, falta de espaço e oportunidades, etc). E sabemos que nos próximos anos na Cia. De Teatro Atemporal não será diferente, enfrentaremos muitas lutas e dificuldades, mas com DEUS na nossa frente, nossas vitórias são garantidas.

E contamos SEMPRE com você do nosso lado! Não só para participar da festa e comer o bolo... mas para de fato ser ATEMPORAL como a arte do teatro realmente é!

*****FELIZ ANIVERSÁRIO, CIA. DE TEATRO ATEMPORAL!*****

segunda-feira, 1 de junho de 2015

De Atores e Joanetes

Pela capa do livro Sexta-Feira não tinha joanete no pé esquerdo. rsrsrs

Tenho um joanete. No pé esquerdo. Nome científico "Hálux Valgo".

Hereditário, mas também de anos de pratica de judô, usando muito o pé esquerdo para comandar o deslizamento no tatame.

Não dói, nunca doeu. Minha mãe tinha um joanete destes, embora ela não fosse judoca como eu.

Muita gente tem joanetes.

Eu ficava muito constrangido com o meu joanete.

Até o dia em que trocando de roupas no camarim, com um galã global de primeira grandeza, tesão das mulheres...comentei constrangido ao tirar meu sapato:

- Tenho um joanete...

E ele me respondeu:

- O seu não é nada. Veja o meu.

...olhei para baixo e vi o joanete dele: imenso, protuberante, aquilo sim era UM SENHOR JOANETE! Não era um Hálux Valgo, era um Hálux Valgão!

Ficamos ali, dois veteranos medindo joantes, como adolescente medem outras partes...

E confesso, o dele me barrou!

Deste dia em diante acabou meu constrangimento, até porque depois disto encontrei uma outra atriz, muito mais veterana, a quem posso atribuir ser a campeã dos joanetes femininos, e quiçá de ambos os sexos.

Se os mitos podem ter joanetes, quem não pode te-los?

(Fecha o pano com risos protuberantes)

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;