segunda-feira, 25 de maio de 2015

A Doçura dos Doces de Cora Coralina

Cora Coralina

Tive o prazer e a honra de ter conhecido pessoalmente a poetisa Cora Coralina.

Uma das maiores poetisas brasileiras.

Eu a conheci em sua casa em Goiás Velho, ex-capital de Goiás.

Entre uma poesia e outra ela era confeiteira de primeira.

Fazia docinhos deliciosos para vender a quem fosse visitá-la.

E era uma dama. Eu, inávil, como a maioria dos jovens.

Foi em 1978.

Encantado com a seu carisma resolvi perguntar:

- Qual a sua idade.

Sabem o que ela me respondeu, para nunca mais eu esquecer?

- Não se pergunta idade a uma dama! Mas eu vou lhe responder: eu tenho todas as idades!

Aninha e Suas Pedras 
(Poema de Cora Coralina)

Não te deixes destruir… 

Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre. 

Remove pedras e planta roseiras e faz doces. 

Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha um poema. 

E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos. 

 Toma a tua parte. 

Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Como é Difícil – e Chato - Fazer Dieta

Não dá pra viver de alface rsrsrsrs

Se há uma coisa que me irrita é a luta diária contra o sobrepeso.

A dieta e os malabarismos alimentares para tentar alcançar o que chamamos de peso sadio.

Neste momento estou pesando 92 kg. Jamais tive este peso. Credito-o à nova insulina e às dosagens dela que venho tomando.

Insulina é anabolizante. A gente gannha massa corporal tomando insulina.

Aí começa mais uma contradição do diabético: se engordo aumenta a glicose no fígado e no sangue, preciso então de mais insulina e assim engordo mais, logo, mais insulina...um círculo vicioso.

O cardiologista me diz que devo baixar para 78 kg. Ou seja , perder 14kg nos próximos meses.

A endocrinologista me diz a mesma coisa. Mas parece que tudo luta contra isto.

Cada vez tenho mais fome, cada vez mais me convidam para banquetes, jantares e coquetéis...

Fica muito difícil controlar isso e ainda emagrecer...

Não parece que eu esteja vencendo esta desagradável batalha contra o sobrepeso.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Caem os Mitos e Nós Vamos Juntos

Mitos são como super heróis: só existem no nosso imaginário

Segunda-feira passada postei sobre a quebra do mito Vinícius para mim, quando participe de uma leitura dramática com ele na Bahia.

O post rendeu muitos comentários , sobretudo por causa da reflexão de que "mitos são para continuar sendo vistos de longe pra continuar sendo mitos, porque no dia a dia os encantamentos são quebrados."

E realmente nestes meus quase setenta anos de vida fui quebrando mitos e criando outros. Criar mitos ainda é e sempre será fruto da nossa mente quando infantilizada. Quando a gente já adulto ainda fala como criança, pensa como criança e raciocina como criança.

Mitos pertencem sempre ao "mundo do conto de fadas". São seres oníricos criados por nós mesmos em nossos desejos modelares...que nunca resistem à realidade.

Eu mesmo estou aqui relembrando alguns dos meus mitos quebrados:

Luís Carlos Prestes quando voltou do exílio e nos reunimos com ele e ele não conseguia nos responder sobre sexualidade, drogas, cultura...

Madre Tereza de Calcutá, num voo entre Salvador e Ilhéus e que eu a via agarrar-se ao terço cada vez que o avião balançava. rsrsrsrs.

Caetano Velloso quando fomos pedir apoio à ele na luta pela Anistia...

Clementina de Jesus quando fui acordá-la uma manhã num quarto do hotel e ela estava sem a peruca e a dentadura...sorry...

Embaixador Paschoal Carlos Magno, grande incentivador da cultura, quando perguntei a ele tentando ser fino: _ "Embaixador o senhor quer um chá?"

E ele me respondeu - "Eu quero é morrer, meu filho!"

O Cacique Juruna quando voltou da Holanda, presenteei-o com artesanato africano ele colocou de lado sem dar importância e me perguntou: - "Escuta, Bemvindo: num tem perfume francês pro índio aqui, não?"

Gabeira, logo após a volta do exílio, horas e horas experimentando qual a melhor roupa antes de ir a um baile que promovíamos em Salvador contra a Ditadura pela Democracia.

E poderia citar uma dezena ou mais de mitos, que idealizei, e foram desmilinguindo quando confrontados no mundo real.

O mito que a gente cria é feito da mais fina porcelana: um tropeço e lá se foi a louça francesa. Trinca, racha, e não se refaz. kkkkk.

Aprendi com o tempo que o mito é irmão da idolatria, e quanto maior o mito, mais alto o totem, logo: maior a queda nos sonhos sonhados.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Eu no UnP ENCENA

Eu de regata preta e bermuda verde

Neste semestre ingressei no UnP ENCENA, um curso de extensão da Universidade Potiguar do Rio Grande do Norte.

A oficina é ministrada pela veterana atriz potiguar Ana Francisca Oliveira e tem acontecido uma vez por semana, aos sábados das 14:00hs ás 18:00hs.

Formado no início dos anos 2000 o UnP ENCENA tem um vasto e rico portfólio, onde também passaram e se formaram grandes profissionais, alguns fazem parte do grupo até os dias de hoje.


Este ano com a inserção de alunos novatos, o UnP ENCENA promete!

Graças a DEUS fui bem recebido por todos!

Tem sido uma experiência maravilhosa poder aprender e trabalhar com esses artistas e alunos fantásticos.


A primeira fase do curso termina em julho e a segunda fase em novembro, com a montagem e apresentação de um espetáculo ainda a ser definido.

Eu vou concluir somente a primeira fase, pois no segundo semestre não esteria mais em Natal.

Estou aproveitando o máximo, para me reciclar a aprender mais.

Agradeço a DEUS por esta ouportunidade e compartilho com você essas fotos e essa experiência!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Dia em Que Vinícius me Torrou a Paciência


Grande pessoa, grande poeta...quanta saudade da sua presença no Rio de Janeiro...no Brasil...

Agora é rua de Ipanema. Cada vez que caminho pela Vinícius não sei se estou andando na companhia deste amado, ou pisando no poeta.

Conheci Vinicius na Bahia. Já o havia encontrado no Rio.

Mas foi quando moramos na Bahia que convivemos mais.

Hoje no seu centenário de nascimento todas as homenagens serão poucas para este homem que só nos deixou coisas boas e lembranças maravilhosas.

Mas houve um dia em que ele me encheu o saco.. rsrsrsrs


O fato foi na década de 70. Em Itapuan onde morava o poeta.

Tinha eu menos de trinta anos. Um jovem ansioso e descuidado como geralmente são os jovens sadios, sem verminoses ou anemias...rsrsrs.

O poeta havia escrito uma peça, com dois personagens apenas : Maria e João. E convidou amigos, entre eles eu, para uma leitura do texto na sua casa.

Fui de boa, achando que ia ser uma coisa dinâmica, muito interessante que junto com outros colegas leríamos o texto e nos distrairíamos muito.

Que surpresa!!! A peça tinha umas sessenta laudas. Dois personagens...que o Vinicius fez questão ele mesmo de ler, com aquela voz calma num tom monocórdio.

Em cada fala ele nomeava qual personagem a dizia: tipo "Maria fala... - " "João fala... -"

Regada a uísque a leitura ia ficando cada vez mais pastosa na voz do poeta, e cada vez mais chata e insuportável. Nenhuma dinâmica. Nada.


E a peça - que não lembro o nome - ia se tornando um pesadelo pra mim. Ficava olhando o texto retido em suas mãos e imaginando pelo maço de folhas quantas laudas ainda faltava para terminar, e a cada folha virada parecia crescer o volume de páginas . Não conseguia deixar de pensar no mito de Sísifo eternamente carregando e descarregando uma pedra morro acima. rsrsrsrs.

Ali eu aprendi que mitos são para continuar sendo vistos de longe pra continuar sendo mitos, porque no dia a dia os encantamentos são quebrados.

Então ponho Vinicius pra tocar...leio e declamo Vinicius...vejo filmes sobre Vinícius...e cada dia mais o admiro...mais o reverencio...mas nunca me esqueço desse dia em que o Poetinha me encheu o saco com aquele delírio dramatúrgico.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com; viniciusdemoraes.com.br

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Asdrúbal Trouxe o Trombone Há 41 Anos Atrás


A TURMA DO GRUPO DE TEATRO ASDRÚBAL TROUXE O TROMBONE, QUE DEU A CARA DA GERAÇÃO 80: PERFEITO FORTUNA, REGINA CASÉ, EVANDRO MESQUITA, PATRICYA TRAVASSOS E LUIZ FERNANDO GUIMARÃES

Hoje é 1º de Maio, Dia Internacional da Classe Trabalhadora.

Mas não poderia como profissional de artes cênicas deixar passar batido um outro evento relacionado á data de hoje: porque hoje é também a data de criação do grupo teatral "Asdúbral Trouxe o Trombone", fundado em 1974.

Até meados dos anos 70, Asdrúbal trouxe o trombone era apenas um código entre a atriz Regina Casé e seu pai, Geraldo, um dos pioneiros da TV brasileira. Quando aparecia um chato numa reunião ou ele percebia que a festa estava caída, dizia para a filha: "Olha, o Asdrúbal trouxe o trombone." E os dois tratavam de sumir dali rapidinho.


Sob influência do grupo britânico Monty Python, e capitaneados por Regina Casé e Hamilton Vaz Pereira, no Rio de Janeiro, em 1974, foi formado um grupo de teatro que revelou uma geração de jovens talentos, que marcou profundamente a dramaturgia brasileira, sobretudo no jeito de fazer comédia.

O trabalho do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone define-se pela desconstrução da dramaturgia, a interpretação despojada e a criação coletiva.

Vários grupos no Rio de Janeiro, até início dos anos 80, foram seus seguidores, Entre eles, a Companhia Tragicômica Jaz-o-Coração, Banduendes Por Acaso Estrelados, Beijo na Boca, Diz-Ritmia.

Foto de divulgação/05-07-1977

Na estréia, em 1974, o Asdrúbal chamou a atenção no espetáculo O Inspetor Geral, de Nikolai Gogol, pela vitalidade e destacou o diretor Hamilton Vaz Pereira e os atores Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães, fundadores do grupo.

Segundo o crítico Yan Michalski. "Quem assistiu ao lançamento sentiu que a irreverência demolidora do grupo continha a semente de teatro novo, criado pelo prisma da visão do mundo pela geração que então estava ingressando na idade adulta. A energia prodigiosa vital do conjunto revelaria mais tarde o denominador de nova proposta teatral, que ocuparia um dos primeiros planos na atividade cênica do país".

A gratuidade intencional do nome apresenta a proposta dos integrantes: O Asdrúbal Trouxe o Trombone surge em contraponto à ideologia que marca os conjuntos teatrais desde a década de 60.


Por esta época eu estava morando em Salvador, lembro-me que vindo ao Rio fiquei impressionado com o trabalho do grupo.

Eles não eram conhecidos, mas faziam pequenos cartazes com canetas pilot, colavam nos bares do Flamengo a Copacabana e apresentavam-se em teatros do subúrbio para uma platéia que se deslocava da Zona Sul até lá só para ver o novo fenômeno teatral.

Até que conseguiram uma pauta no antigo Teatro de Arena de Copacabana...aí o sucesso foi completo.

Entre os seus integrantes destacam-se Patrícia Pillar, Patrícia Travassos, Evandro Mesquita, Perfeito Fortuna, Nina de Pádua e Gilda Guilhon.

Espetáculos:
1974 - O Inspetor Geral
1975 - Ubu Rei
1977 - Trate-me Leão
1980 - Aquela Coisa Toda
1983 - A Fada da Terra

Criação Coletiva



“O Asdrúbal foi e será sempre uma referência: jeito de trabalhar, criar coletivamente, dividir. Atuações de uma forma sempre divertidas e sem complicações. Aprendi a ser ator com o grupo e, além disso, considerar tudo que envolve o trabalho – figurino, cenário, direção e tudo mais. Se faço teatro, TV, cinema ou artes plásticas, sempre tenho um comportamento Asdrúbal. Ou seja, reunir, conversar, agrupar... Acredito que o trabalho fica mais bacana.”
. Luiz Fernando Guimarães, ator e fundador do grupo.

Igualdade Sempre


“O grupo abriu a minha cabeça para a criação artística. O modo encantado de trabalho, um jeito coletivo e de divisão de poder. Ou seja, cada indivíduo tem sua diferença, mas vota igual, ganha igual. E, na sequência, o Adrúbal me ensinou a acabar bem e se transformar. Com o fim do grupo, cada um se desenvolveu e potencializou o que aprendeu no convívio diário.”
. Perfeito Fortuna, ator e fundador, presidente da Fundição Progresso.

Minha Turma


“O Asdrúbal foi a semente. Eu estava saindo do Teatro Ipanema, que foi a minha grande escola, com Rubens Corrêa e Klauss Vianna, e fui direto para o curso que o Hamilton Vaz Pereira e a Regina Casé estavam fazendo com o Sérgio Britto. Ali já pintou sintonia entre a gente. Logo percebi que havia chegado em minha turma, minha geração, com formação parecida de vida e de arte, que acabou resultando em criação coletiva. Foi uma vivência muito intensa nos oito anos de grupo.”
. Evandro Mesquita, ator e cantor, integrante da banda Blitz.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com; Click Cultural; Divirta-Se;