segunda-feira, 27 de abril de 2015

“Abaixo a Inteligência! Viva a Morte!”

Nem todo fascista tem a cara do Pinochet, alguns são até "bonitinhos", são os "coxinhas": muita massa e pouco conteúdo. rsrsrs.

Este foi o grito de guerra dos fascistas espanhóis na voz do General Millan Astray, um dos generais do Ditador Francisco Franco, dentro da Universidade de Salamanca, numa cerimônia pública: "Abaixo a Inteligência! Viva a Morte!"

Ao ver as manifestações violentas, estúpidas, brutais, predadoras e vândalas dos black blocs, manifestações onde não se celebra Eros e sim Thanatos, lembro-me desta frase.

Ainda não chegamos ao nível da Espanha de Franco, mas o fascismo está presente neste grupos que se armam para depredar, espancar , destruir.

Estão destruindo a própria participação das massas populares no processo nacional. Afugentam os verdadeiros manifestantes que usufruem de seus direito democráticos.

Ontem eram os bancos, quiosques, lixeiras, telefones públicos...hoje já são veículos particulares, pequeno comércio...amanhã será o que? O que não satisfizer as estas milícias fascistas que estão tomando as ruas?

E quando, a exemplo do que acontecia durante a Ditadura brasileira, eles resolverem que certa peça de teatro, uma exposição, uma conferência ou até mesmo um show do doce Caetano que os apoiou recentemente, merecem ser purgados e expurgados? Teremos o que? Espancamento de artistas como em "Roda Viva^? Empastelamento de jornais? Destruição de obras de arte? Seremos constrangidos por eles em plena democracia?

Na democracia que vivemos a violência dos órgãos de repressão deve ser respondida com os meios legais, judiciais, e punitivos próprios de uma democracia. Uma polícia despreparada e ainda com práticas de tortura e repressão como nos tempos do Regime Militar também colabora para a re/ação dos black blocs.

Um governo que não controla a sua polícia na repressão a manifestações democráticas merece ser varrido sim, destruído, espancado, mas pelas urnas.

É uma democracia.

Usamos da luta armada como último recurso diante de um sistema militar que não nos deixava em 1968/1970 nenhuma brecha de diálogo ou de exercício de manifestação.

Mas hoje, conquistada a Democracia e os valores humanos não faz sentido centenas de "generais franquistas", quer sejam policiais ou black blocs, a gritar pelas ruas do Brasil:

"Abaixo a Inteligência! Viva a Morte!"

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Especial 'Asdrúbal Trouxe o Trombone'


Este ano a histórica companhia de teatro 'O Asdrúbal Trouxe o Trombone' completaria 41 anos. E aqui no Blog da Cia. De Teatro atemporal você confere um belo especial por Bemvindo Sequeira.

O especial será postado aqui na próxima sexta-feira, dia 1 de Maio!

Você não pode perder!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O Barão Vermelho do Humor Brasileiro


Conheci Apparício Torelly, o Barão de Itararé quando ainda eu era um jovem de vinte anos.

Morava eu na Ilha do governador, no Rio e ele também.Conheci na casa de uma sobrinha dele, onde íamos sempre.

O Barão devia ter por volta de seus setenta anos, o que para um jovem de vinte anos é a mesma coisa que deparar-se com um sítio arqueológico. (risos).

Mas já naquela época eu sabia da importância do Barão nas charges e no jornalismo brasileiro, na política e nas críticas aos governos e Ditaduras.

Preso na década de 30 por pertencer ao Partido Comunista, foi um dos vereadores eleitos pelo PCB em 1946 no Rio de Janeiro.

Lembro ao leitor que no Brasil os títulos nobiliárquicos do Império eram comprados e só tinham valor por uma geração. A do comprador. Se o filho quisesse continuar barão tinha que comprar de novo.

Era um mercado próspero para as finanças do Imperador: vendia-se de marquês a barão, de conde a visconde.

Mas Torelly não pagou nada pelo seu título: intitulou-se Barão (como o barão da Barra, Salvador, Bahia, com seu famosos bloco de carnaval) e sob o pseudônimo de Barão de Itararé (Itararé foi a batalha que não houve na Revolução de 1930) revolucionou ao humor político no Brasil República.

Aos vinte anos você já sabe do mundo, mas não conhece toda a importância dele. E eu ficava olhando e ouvindo aquele senhor de barbas brancas, septuagenário, e orgulhava-me de estar vivenciando a figura de um dos mais importantes jornalistas e cronistas políticos do Brasil.

Aparício nasceu na data de ontem, em 1895. Se vivo fosse estaria com 120 anos. Morto está o homem, mas renascendo a cada dia na memória dos brasileiros.

Hoje há uma rede de blogs políticos e caricaturais com o nome de Barão de Itararé. O Barão continua presente.

Relembrem algumas frases do Barão:

“O pão do pobre quando cai no chão é sempre do lado da manteiga.”

“O emblema do médico tem duas cobras, isto significa que ele cobra duas vezes; se ele cura, cobra e se ele mata, cobra.”

"Tudo é relativo: O tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está."

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Pablo Neruda – Poeta das Américas


O chileno Pablo Neruda, morto em 1973 durante a ditadura de Pinochet foi um Poeta libertário como foi um dos maiores poetas brasileiros: o condoreiro Castro Alves.

Neruda, relembrado hoje, fez um belo poema em homenagem ao poeta baiano:

Castro Alves do Brasil

Castro Alves do Brasil, para quem cantaste?
Para à flor cantaste? Para a água
cuja formosura diz palavras às pedras?
Cantaste para os olhos para o perfil recortado
da que então amaste? Para a primavera?...
...- Cantei para os escravos, eles sobre os navios
como um cacho escuro da árvore da ira,
viajaram, e no porto se dessangrou o navio
deixando-nos o peso de um sangue roubado.

- Cantei naqueles dias contra o inferno,
contra as afiadas línguas da cobiça,
contra o ouro empapado do tormento,
contra a mão que empunhava o chicote,
contra os dirigentes de trevas....

..._ Eu quis que do homem nos salvássemos,
eu cria que a rota passasse pelo homem,
e que daí tinha de sair o destino.
Cantei para aqueles que não tinham voz.
Minha voz bateu em portas até então fechadas
para que, combatendo, a liberdade entrasse.

Castro Alves do Brasil, hoje que o teu livro puro
torna a nascer para a terra livre,
deixam-me a mim, poeta da nossa América,
coroar a tua cabeça com os louros do povo.
Tua voz uniu-se à eterna e alta voz dos homens.
Cantaste bem. Cantaste como se deve cantar.

Antonio de Castro Alves

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

O Mundo Está Mais Medíocre ou é Impressão?

Falta de Melina Mercouri

O Mundo está mesmo mais medíocre? Ou é apenas nossa impressão? Ou é fruto da mídia que pensemos assim?

Na minha juventude convivíamos com tres genios pablos: Pablo Picasso, Pablo Neruda e Pablo Casals. Convivíamos com os Beatles e Rolling Stones. Che Guevara era já uma lenda viva;Edith Piaf ainda cantava. Vinicius, Tom Jobim, Manoel Bandeira e Drummond eram figurinhas no transporte público carioca.

Saudades de Neruda

O homem pisava na Lua. MPB4, Elis Regina, Nara leão, O Pasquim, O Sol, Realidade, o Bondinho... eram jornais e revistas lidas.

A contra cultura com Bob Dylan, Living Theatre ...a antipsiquiatria...Carlos Castañeda e a descoberta do peyote...Martin Luther King, Mao Tse Tung, o Livro Vermelho...Dias Gomes, Saramandaia, Roque Santeiro, Ziembinsky... o Papa era João XXIII, joanita bonachão, protetor da Teologia da Libertação e do Concilio Vaticano II, e não era um ex-membro da juventude nazista com cara de vampiro.

Marcuse, Althusser, Mac luhan, Cinema Noir, Cinema Novo...

Glauber

Tudo isto será saudosismo meu? Talvez.

Hoje parece-me que o mundo é composto de michels telós, e luans santanas. O melhor que conseguimos em literatura é Paulo Coelho. As subcelebridades dos realitys, e as mulheres objetos...Amor Eterno num Carrossel de amor substituem Walter Negrão e Janete Claire...Em vez de Sobral Pinto defendendo a liberdade e os direitos sem cobrar um centavo, temos Marcio Thomas Bastos e seus honorários de 15 milhões.

A mulher vulgar do Sarkozy é notícia, e as malandragens do principezinho manchetes no mundo...No lugar dos kibutz socializantes temos a Palestina ocupada...A glória grega, como Itabira, hoje é só um retrato na parede; e no lugar de Melina Mercury temos Kathy Perry... E por aí vai.

Fico me perguntando: o Mundo está realmente medíocre, ou é só impressão de um jovem sessentão que viveu o brilhantismo antes que o Mundo mergulhasse nestes brutais e medíocres tempos?

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Relembrando Mestre Walter Avancini


Em todas as atividades há mestres, e Mestres.
Walter Avancini foi um destes Mestres, com M maiúsculo.

A Televisão brasileira até hoje se ressente da sua falta.
O Grande Mago da telinha.

O Diretor de "Grande Sertão, Veredas";"O Rebu"; "Saramandaia" ; "Morte e Vida Severina" para citarmos algumas das suas magistrais direções na TV.

Eu fui dirigido por ele a primeira vez em "Tocaia Grande" na Rede Manchete, depois veio "Mandacarau" com a personagem Zebedeu, entre outras obras.

Zebedeu, o Imperador do sertão

Não era um homem generoso de imediato, mas possuía uma grande visão e ideal humanista. Foi membro do Partido Comunista, e participou ativamente do Sindicato dos Artistas de SP.

Era um homem extremamente ansioso com a sua criatividade, extremamente angustiado para que as coisas corressem bem. Queria que trabalhássemos até 24 horas seguidas, mas que o capítulo saísse bem, vencendo todas as adversidades climáticas; de luz; de câmeras,;da pobreza da produção ou da emissora; das limitações dos atores.

Não guardava rancor, mas possuía uma raiva especial da impotência porque passa um criador diante dos limites humanos. Não se pode criar fazendo concessões aos limites. E ele propunha romper o limite dos atores, dos técnicos e dele mesmo. Sempre.


Compreendia a alma humana. Tinha horror das frescurinhas burguesas. "- A vedete quer um camarim só pra ela com salmão no almoço, e carro limusine? Dá o que ela pede. Preciso desta gente na novela."

Muito mais poderia continuar descrevendo o Avancini, mas manda a estética do blog que a lauda seja curta e obbjetiva.

Qualquer dia me estendo mais, já que desde 26 de setembro de 2001 - nos ressentimos da sua ausência no cenário televisivo brasileiro.

Foi meu grande Mestre na arte de representar em TV.

Presto a ele hoje esta homenagem.

À memória e à obra do Mestre Walter Avancini os aplausos de todos que viveram suas obras, quer trabalhando nelas, quer como espectadores.

José Dumont em "Morte e Vida Severina"

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;