segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Biografias, Direitos Autorais e Apropriações Indébitas

Suely Franco e eu em "O Doente Imaginário" - Rio, 2005

Até 1988, ou seja até a Constituição Cidadã ser promulgada a questão dos Direitos Autorais estava diretamente ligada ao Código Penal. Caso de Polícia.

Se você tivesse uma obra, tivesse registrado na Biblioteca Nacional, ou tivesse registrado na Sociedade Brasileira de Autores Teatrais - SBAT, ou similar, ou mesmo se a tivesse tornada pública, bastava denunciar a apropriação indébita à Polícia federal ou Civil e a obra era interditada e seus direitos eram válidos.

Em 1988 a questão passou para a esfera Cível. Não basta ter o registro da obra, é preciso provar em processo cível, com peritagem das várias partes envolvidas de que a obra é sua. O caso passa de instância a instância e pode ir até o Supremo. Coisa pra mais de dez anos e muito dinheiro gasto.

Aconteceu comigo. Em 2005 baixei da Biblioteca de Paris a obra de domínio público "Le Malade Imaginaire" de Moliére. Em francês. Traduzi e adaptei. Registrei na SBAT e na Biblioteca Nacional com todos os meus direitos de tradutor e adaptador. Montamos a peça. Ficamos em cartaz.

Tempos depois a mesma obra, foi levada à cena como se não fosse da minha lavra. Como sendo de outros tradutores e adaptadores. Levada no Rio e em SP. A apropriação se deu às claras, e por gente graduada, e aparentemente respeitável no teatro brasileiro.

Não pude fazer nada, consultei advogados e me disseram o que eu já expliquei acima: ao final de dez anos podia até ganhar a causa, mas iria receber o quê? Uma peça fica em cartaz no máximo um ano. Dez anos depois receber o quê? De quem? E se o deletério não tem bens para pagar? Você ganha mas não leva.

Desisti do processo e fiquei pacientemente vendo o fruto da minha criação sendo usado por outrem que se beneficiava.

Trago este fato á luz para que fique registrado na História e não se varra para debaixo dos tapetes a prática muito comum e pouco denunciada da apropriação de textos alheios.

Conselho que dou aos ingênuos e desavisados que vivem enviando sinopses e textos os mais diversos para apreciações de "doutos": registrem tudo antes, pois mesmo tendo-os registrado ainda correm o risco de serem lesados.

Acho que as biografias não necessitam de autorização prévia, mas concordo com os colegas quanto ao tempo e recursos da Justiça para se reclamar os direitos: direitos de pedir correção; de bloquear a obra...e demais direitos legais. Mas se a Justiça é lenta os delinquentes rirão da nossa cara como riram de mim.

Essa discussão de Direitos, biografias, etc. etc. precisa ser discutida sim, racionalmente, sem estrelismos, sem vedetismos e acompanha a discussão da morosidade e burocracia da Justiça brasileira.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A Perversão da Cultura

Eu, no teatro de rua. Salvador, 1977. Ditadura Militar, mas ao fundo o ônibus já anunciava a Liberdade.

O assunto requer atenção e delicadeza no trato. É perverso e por demais controverso. Já foi cantado em prosa e verso. Tem verso e reverso. E sobre ele converso:não é de hoje que venho demonstrando a perversão da Lei Rouanet para a Cultura.

Avaliza projetos culturais que serão desenvolvidos com a renúncia de dinheiro do Imposto de Renda devido pelas empresas. Dinheiro que deve reverter em usufruto do povo brasileiro.

Mas nem por isso as produções advindas deste dinheiro barateiam os preços finais dos produtos culturais. A mais das vezes é o contrário: oferecem alguns espetáculos, ou vagas para jovens carentes ou do ensino público e o MINC dá-se por satisfeito.

A distorção, para se ter um exemplo passa pelo seguinte entre outros quejandos:a Feira de LIvros de Paraty, a FLIP, evento da maior importância nacional e internacional recebeu o direito de captar R$ 5.900.000,00 para a sua realização. Uma cantora de axé recebeu o mesmo aval de R$ 5.800.000,00 para sua tournée pelo Brasil. E há um musical cópia da Broadway que recebeu o aval para captar R$ 8.500.000,00 para estrear num teatro comercial do Rio.

Podem estar certos que este dinheiro a ser captado não trará benefícios para as camadas de menor poder aquisitivo da população. Destinar-se-á às elites do país.

Ótimo que um espetáculo receba oito milhões e meio para sua produção, mas com este dinheiro pelo menos 200 grupos de teatro do País montariam suas produções à razão de 40.000,00 cada. E com certeza em sua maioria absoluta vivificariam a cultura nacional. Que sejam captados os 8 e meio, mas que haja projetos dotando mais 8 e meio para os grupos amadores, alternativos, produtores culturais autônomos, e pequenas empresas.

Mas, como dizia meu baiano amigo, Geraldo Machado: - "Bemvindo, a burguesia também paga impostos, tem direitos."

Concordo com ele, mas a Lei tem mais furos que um chuveiro. A começar pela discrepância dos recursos autorizados e depois passando pelo fato de que as empresas que podem financiar projetos só desejam faze-lo com medalhões e nomes estelares que siginifiquem retorno à marca. Até aí, tudo bem também, assim funciona o sistema: capitalismo. O perverso é que se transfere para o mercado a questão cultural num claro gesto de fracassada economia neoliberal.

A perversão da Lei, criada para incentivar cultura, denuncia a falha de planejamento cultural. Não há nenhum amplo e ousado, moderno e competitivo programa que ampare ou financie a iniciativa cultural popular e espontânea. E quando o há não são milhões, são migalhas distribuídas de forma tão burocrática que dificulta o acesso aos poucos "iniciados" que conseguem entrar nestes editais. O próprio programa de tv do PT levado ao ar anteontem fala de Educação, Saude, Moradia, Emprego, Crescimento...e não fala de Cultura.

Os chamados "Pontos de Cultura", por exemplo, deveriam já alcançar a casa dos milhares...as manifestações culturais da periferia, de caráter popular e inclusivo deveriam ser muito mais que um outro "nós do morro", ou um ou outro projeto financiado por empresa estatal. O que existe na área é muito pouco, quase nada.

Esta inconsistência de projetos, esta incoerência na superestrutura cultural do País é um vácuo que não acompanha a inclusão social que vem se processando em nosso projeto de Nação.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Os Sertões da Casa Grande e da Senzala


Curiosamente a data de hoje nos remete ao lançamento de duas obras literárias que retrataram o Brasil e nosso povo de forma irretocável.

Duas obras que serviram de base para teses e mais teses de mestrado, doutorado, quer em Sociologia, que em História, Antropologia, Literatura etc. etc..

São elas : "Os Sertões" de Euclides da Cunbha e "Casa Grande e Senzala" de Gilberto Freyre.

"Os Sertões" dá início ao que se chama de Pré-Modernismo na literatura brasileira, revelando, às vezes com crueldade e certo pessimismo, o contraste cultural nos dois "Brasis": o do sertão e o do litoral. O escritor-jornalista Euclides da Cunha critica o nacionalismo exacerbado da população litorânea que, não enxergando a realidade daquela sociedade mestiça, produzida pelo deserto, agiu às cegas e ferozmente, cometendo um crime contra si própria; o que é o grande tema de Os Sertões. Em tom crítico, também mostra o que séculos de atraso e miséria, em uma região separada geográfica e temporalmente do resto do país, são capazes de produzir: um líder fanático e o delírio coletivo de uma população conformada.

Através de "Casa Grande e Senzala" , Freyre destaca a importância da casa grande na formação sociocultural brasileira, bem como a da senzala que complementaria a primeira. Além disso, casa grande e senzala dá muita ênfase a questão da formação da sociedade brasileira, tendo em vista a miscigenação que ocorreu principalmente entre brancos, negros e indígenas.

Neste livro o autor também tenta desmistificar a noção de determinação racial na formação de um povo no que dá maior importância àqueles culturais e ambientais. Com isso refuta a ideia de que no Brasil se teria uma raça inferior, dada a miscigenação que aqui se estabeleceu. Antes, aponta para os elementos positivos que perpassam a formação cultural brasileira composta por tal miscigenação (notadamente entre portugueses, índios e negros).

Publicado em 1933, 31 anos após "Os Sertões" (1902) de certa forma rebate o que poderia em Euclides vir a ser considerado como exaltação ao embranquecimento do brasileiro.

As duas obras merecem e devem ser lidas por todos os jovens que pensam o Brasil. Por todos os brasileiros que realmente queiram saber em que País vivem.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;
Foto: Edson Cardoso em "A Negra Felicidade" by Guga Melgar

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Participe da Promoção "Somos Tão Jovens"


A Promoção "Somos Tão Jovens" está bombando em toda rede! Todos querem ganhar um DVD Original e Lacrado do Filme "Somos Tão Jovens" (2013).

E você, ainda não se inscreveu?

Não perca tempo e participe agora desta GRANDE PROMOÇÃO!

Para participar, você deve conferir o Regulamento no link abaixo:


Criar uma frase de até 5 (cinco) linhas com as seguintes palavras:

CIA. DE TEATRO ATEMPORAL --- SOMOS TÃO JOVENS

Enviar a frase e os dados de sua inscrição para:

cia.deteatroatemporal@gmail.com

O autor da frase mais criativa receberá como prêmio um DVD do filme "Somos Tão Jovens"!

Participe agora! O resultado sai no dia 28/02/15.

Foto: Divulgação - Fox Film, Imagem Filmes

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Existe Humor Inteligente?


Na década de 80 quando um novo humorista lançou-se no mercado veio com o slogan "O Humor Inteligente de ..." .

Aquilo sempre me incomodou e incomoda até hoje, quando o termo volta a mídia por declarações recentes.

Incomoda-me em primeiro porque é uma falsa premissa: todo humor é inteligente. Jumentos e girafas não riem.

Segundo porque denota uma discriminação baseada em ótica social classista que por elipse classifica o humor popular como burro, estúpido, enquanto o humor de uma camada social mais alta seria, este sim, inteligente.

Olvidando o ato falho da discriminação classista, prefiro crer que se trata de ignorância na escolha do termo.

O termo certo para um tipo de humor que na Renascença entre a ociosa nobreza, passou a chamar-se "humour d'esprit" seria "humor refinado", ou "humor sofisticado" se comparado com o nosso vulgar, popular, escatológico, mas nem por isso menos inteligente humor latino,o humor da Commedia Dell'art.

Mal comparando: Um peixe à Belle Meuniére requer mais inteligência que o preparo de uma Feijoada?

Não se trata portanto de inteligência mas de estilos e gostos.

E lembro que o popular também paga impostos e constrói este País. Somente para alguns continua a ser visto como um burro, de carga.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;
Foto: Divulgação - Elenco da peça 'O Ponto Alto da Festa', do Barracão Teatro

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Promoção "Somos Tão Jovens"


2015 já começou e com ele começou a Promoção "Somos Tão Jovens" onde você pode ganhar um DVD Original e Lacrado do Filme "Somos Tão Jovens" (2013).

Para participar desta GRANDE Promoção,

Você deve conferir o Regulamento no link abaixo:


Criar uma frase de até 5 (cinco) linhas com as seguintes palavras:

CIA. DE TEATRO ATEMPORAL --- SOMOS TÃO JOVENS

Enviar a frase e os dados de sua inscrição para:

cia.deteatroatemporal@gmail.com

O autor da frase mais criativa receberá como prêmio um DVD do filme "Somos Tão Jovens"!

Participe agora! O resultado sai no dia 28/02/15.

Foto: Divulgação - Fox Film, Imagem Filmes