segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O Brasil e o Teatro Brasileiro Estão Mudando

Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, pensava o Brasil na sua dramaturgia.

O assunto é muito mais complexo e muito mais profundo para que possa esgotar-se num simples post de um blog.

Mas o Teatro Brasileiro de hoje não pensa mais o Brasil.

Limita-se à captação de dois grandes campos de público: os musicais e o standup.

O standup é o pensamento em torno do próprio umbigo. Esta reentrância abdominal é o centro do Universo nos textos de standup.

Os musicais nem precisam pensar: em sua maioria são cópias fiéis do que já foi pensado e feito na Broadway.

à exceção de uma lucrativa indústria de centenários e biografias musicais. Produtores catam a cada ano qual centenário de famosos comemora-se no outro ano, fazem seus projetos, aprovam na Rouanet e vendem estes fastfoods às grandes empresas, que só liberam a grana em função não da cultura, mas do retorno de marketing.

As poucas peças no circuito comercial que podem levar a pensar o Brasil ou a existência, minguam de espectadores, de horários e de casas onde se apresentar.

É um momento em que a platéia também não deseja as pensar. Ou melhor : pensa apenas no consumo imediato de um fastfood, e no próprio umbigo, o que gera o círculo inercial que mantém o atual momento do Teatro Brasileiro.

Na teledramaturgia as grandes questões nacionais resumem-se a se teremos o beijo gay ou o beijo lésbico. Em que pese a importância da discussão dos costumes e da liberdade individual no Brasil de hoje parece-me que tais assuntos apresentados no vídeo estão muito mais presos à busca pelo IBOPE do que ao aprofundamento da questão.

Prova disto é o colega que em "Amor à Vida" questionou porque a personagem dele não tinha família, não tinha outra vida que não fosse o triângulo amoroso gay.

Há coisas muito sérias para serem discutidas pela nacionalidade e por seus autores e artistas: a burocracia, a ética na política e na sociedade, a Reforma Política, a falta de moradias, a saúde pública, a violência nas escolas, o salário dos professores, as mortes por abortos clandestinos, a falta de leitura por parte da juventude, a questão indígena, op desmatamento, a cidadania, a Reforma Agrária, o peso dos impostos, a corrupção em todos os níveis..."Há mais coisas entre o céu e o nosso umbigo do que supõe a nossa vã fantasia".

O País parece anestesiado. Não falo das grandes manifestações de junho que foram apenas uma explosão do tédio, e que uma vez passadas ninguém se põs a discutir realmente saúde, segurança, educação...Feita a catarse voltaram todos aos seu lares e ao seu individualismo.

Os 30 partidos políticos em sua maioria, com raras exceções, pensam apenas em como negociar a verba partidária, o tempo de tv, e a eleição de uns tantos deputados que lhes garanta gabinetes em Brasília.

Os black blocs tão ativos parecem também não pensar em mais nada a não ser em quebrar, quebrar, quebrar. Qual a proposta deles? O que propõem depois de muito pensar? Ou sequer pararam pra pensar?

Enfim: há uma grande mudança ocorrendo no Brasil - com ela segue a dramaturgia nacional - e não me pareceu até agora que seja para melhor.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

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