segunda-feira, 27 de julho de 2015

“DA REPUTAÇÃO DA CLASSE TEATRAL”

Para relembrar e chamar a atenção de como as coisas mudam (?) publico este pequeno trecho da biografia do comediante Groucho Marx, escrito há mais de 70 anos:

"Da reputação da Classe Teatral"

NA ÉPOCA EM QUE COMECEI A TRABALHAR EM TEATRO, A POSIÇÃO DE UM ATOR NA SOCIEDADE ESTAVA ENTRE A DE UM CIGANO CARTOMANTE E DE UM BATEDOR DE CARTEIRAS...

QUANDO UM ESPETÁCULO DE CÔMICOS ITINERANTES CHEGAVA NUMA PEQUENA CIDADE AS FAMÍLIAS ENCARCERAVAM SUAS FILHAS, CORRIAM OS FERROLHOS E ESCONDIAM SEUS OBJETOS DE PRATA...

O PRETENSO BRILHO DOS PALCOS NÃO CHEGAVA AOS TEATROS E CIDADES ONDE REPRESENTÁVAMOS. PARA SE PODER ENTRAR NOS CAMARINS DA MAIORIA DOS TEATROS DE VARIEDADES, DEVÍAMOS, ANTES DE MAIS NADA, PROCURAR A PASSAGEM MAIS SUJA DA CIDADE.

EM ALGUM LUGAR DAQUELE BECO SE ABRIA A PORTA QUE DAVA PARA OS CENÁRIOS. NÃO RARO DESCÍAMOS VÁRIOS DEGRAUS IMUNDOS E CHEIOS DE RATOS PARA CHEGARMOS AOS CAMARINS.

DEVO ADMITIR QUE HAVIA UMA CERTA JUSTIFICATIVA PARA A DESGRAÇADA REPUTAÇÃO SOCIAL DOS ATORES.

A MAIOR PARTE DE NÓS ROUBAVA UM POUCO - COISINHAS SEM IMPORTÂNCIA COMO TOALHAS DE HOTEL E PEQUENOS TAPETES.

HAVIA ALGUNS ATORES QUE SE ATRACAVAM COM QUALQUER COISA QUE PUDESSEM CABER EM SEUS BAÚS... FELIZMENTE A MAIORIA DOS HOTÉIS TINHA PREÇOS MUITO CAROS PARA NÓS.

VIVÍAMOS EM HOSPEDARIAS, SEM QUARO INDIVIDUAL, ÀS VEZES ATÉ COM TRÊS ATORES NUM SÓ QUARTO.

EU MESMO CONHECI UNS ATORES QUE NÃO FREQUENTAVAM NEM OS HOTÉIS NEM AS HOSPEDARIAS, DORMIAM EM SEUS CAMARINS EM LEITOS DE CAMPANHA DO EXÉRCITO E PREPARAVAM SUAS COMIDAS EM FOGÃOZINHOS A QUEROSENE.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

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