segunda-feira, 11 de maio de 2015

Caem os Mitos e Nós Vamos Juntos

Mitos são como super heróis: só existem no nosso imaginário

Segunda-feira passada postei sobre a quebra do mito Vinícius para mim, quando participe de uma leitura dramática com ele na Bahia.

O post rendeu muitos comentários , sobretudo por causa da reflexão de que "mitos são para continuar sendo vistos de longe pra continuar sendo mitos, porque no dia a dia os encantamentos são quebrados."

E realmente nestes meus quase setenta anos de vida fui quebrando mitos e criando outros. Criar mitos ainda é e sempre será fruto da nossa mente quando infantilizada. Quando a gente já adulto ainda fala como criança, pensa como criança e raciocina como criança.

Mitos pertencem sempre ao "mundo do conto de fadas". São seres oníricos criados por nós mesmos em nossos desejos modelares...que nunca resistem à realidade.

Eu mesmo estou aqui relembrando alguns dos meus mitos quebrados:

Luís Carlos Prestes quando voltou do exílio e nos reunimos com ele e ele não conseguia nos responder sobre sexualidade, drogas, cultura...

Madre Tereza de Calcutá, num voo entre Salvador e Ilhéus e que eu a via agarrar-se ao terço cada vez que o avião balançava. rsrsrsrs.

Caetano Velloso quando fomos pedir apoio à ele na luta pela Anistia...

Clementina de Jesus quando fui acordá-la uma manhã num quarto do hotel e ela estava sem a peruca e a dentadura...sorry...

Embaixador Paschoal Carlos Magno, grande incentivador da cultura, quando perguntei a ele tentando ser fino: _ "Embaixador o senhor quer um chá?"

E ele me respondeu - "Eu quero é morrer, meu filho!"

O Cacique Juruna quando voltou da Holanda, presenteei-o com artesanato africano ele colocou de lado sem dar importância e me perguntou: - "Escuta, Bemvindo: num tem perfume francês pro índio aqui, não?"

Gabeira, logo após a volta do exílio, horas e horas experimentando qual a melhor roupa antes de ir a um baile que promovíamos em Salvador contra a Ditadura pela Democracia.

E poderia citar uma dezena ou mais de mitos, que idealizei, e foram desmilinguindo quando confrontados no mundo real.

O mito que a gente cria é feito da mais fina porcelana: um tropeço e lá se foi a louça francesa. Trinca, racha, e não se refaz. kkkkk.

Aprendi com o tempo que o mito é irmão da idolatria, e quanto maior o mito, mais alto o totem, logo: maior a queda nos sonhos sonhados.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com;

3 comentários:

  1. Todos temos os nossos mitos. "A queda nos sonhos sonhados" é que perturbante...
    Um beijo.

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  2. Seres que nunca vencerían a la realidad.

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  3. Meu Deus, exitem uns mitos meus nesta longa lista de dismistificação...que fazer ? que fazer ? acho que vou ali dar um pouco de risada. Ótimo post.
    ps. Carinho respeito e abraço.

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