sexta-feira, 1 de maio de 2015

Asdrúbal Trouxe o Trombone Há 41 Anos Atrás


A TURMA DO GRUPO DE TEATRO ASDRÚBAL TROUXE O TROMBONE, QUE DEU A CARA DA GERAÇÃO 80: PERFEITO FORTUNA, REGINA CASÉ, EVANDRO MESQUITA, PATRICYA TRAVASSOS E LUIZ FERNANDO GUIMARÃES

Hoje é 1º de Maio, Dia Internacional da Classe Trabalhadora.

Mas não poderia como profissional de artes cênicas deixar passar batido um outro evento relacionado á data de hoje: porque hoje é também a data de criação do grupo teatral "Asdúbral Trouxe o Trombone", fundado em 1974.

Até meados dos anos 70, Asdrúbal trouxe o trombone era apenas um código entre a atriz Regina Casé e seu pai, Geraldo, um dos pioneiros da TV brasileira. Quando aparecia um chato numa reunião ou ele percebia que a festa estava caída, dizia para a filha: "Olha, o Asdrúbal trouxe o trombone." E os dois tratavam de sumir dali rapidinho.


Sob influência do grupo britânico Monty Python, e capitaneados por Regina Casé e Hamilton Vaz Pereira, no Rio de Janeiro, em 1974, foi formado um grupo de teatro que revelou uma geração de jovens talentos, que marcou profundamente a dramaturgia brasileira, sobretudo no jeito de fazer comédia.

O trabalho do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone define-se pela desconstrução da dramaturgia, a interpretação despojada e a criação coletiva.

Vários grupos no Rio de Janeiro, até início dos anos 80, foram seus seguidores, Entre eles, a Companhia Tragicômica Jaz-o-Coração, Banduendes Por Acaso Estrelados, Beijo na Boca, Diz-Ritmia.

Foto de divulgação/05-07-1977

Na estréia, em 1974, o Asdrúbal chamou a atenção no espetáculo O Inspetor Geral, de Nikolai Gogol, pela vitalidade e destacou o diretor Hamilton Vaz Pereira e os atores Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães, fundadores do grupo.

Segundo o crítico Yan Michalski. "Quem assistiu ao lançamento sentiu que a irreverência demolidora do grupo continha a semente de teatro novo, criado pelo prisma da visão do mundo pela geração que então estava ingressando na idade adulta. A energia prodigiosa vital do conjunto revelaria mais tarde o denominador de nova proposta teatral, que ocuparia um dos primeiros planos na atividade cênica do país".

A gratuidade intencional do nome apresenta a proposta dos integrantes: O Asdrúbal Trouxe o Trombone surge em contraponto à ideologia que marca os conjuntos teatrais desde a década de 60.


Por esta época eu estava morando em Salvador, lembro-me que vindo ao Rio fiquei impressionado com o trabalho do grupo.

Eles não eram conhecidos, mas faziam pequenos cartazes com canetas pilot, colavam nos bares do Flamengo a Copacabana e apresentavam-se em teatros do subúrbio para uma platéia que se deslocava da Zona Sul até lá só para ver o novo fenômeno teatral.

Até que conseguiram uma pauta no antigo Teatro de Arena de Copacabana...aí o sucesso foi completo.

Entre os seus integrantes destacam-se Patrícia Pillar, Patrícia Travassos, Evandro Mesquita, Perfeito Fortuna, Nina de Pádua e Gilda Guilhon.

Espetáculos:
1974 - O Inspetor Geral
1975 - Ubu Rei
1977 - Trate-me Leão
1980 - Aquela Coisa Toda
1983 - A Fada da Terra

Criação Coletiva



“O Asdrúbal foi e será sempre uma referência: jeito de trabalhar, criar coletivamente, dividir. Atuações de uma forma sempre divertidas e sem complicações. Aprendi a ser ator com o grupo e, além disso, considerar tudo que envolve o trabalho – figurino, cenário, direção e tudo mais. Se faço teatro, TV, cinema ou artes plásticas, sempre tenho um comportamento Asdrúbal. Ou seja, reunir, conversar, agrupar... Acredito que o trabalho fica mais bacana.”
. Luiz Fernando Guimarães, ator e fundador do grupo.

Igualdade Sempre


“O grupo abriu a minha cabeça para a criação artística. O modo encantado de trabalho, um jeito coletivo e de divisão de poder. Ou seja, cada indivíduo tem sua diferença, mas vota igual, ganha igual. E, na sequência, o Adrúbal me ensinou a acabar bem e se transformar. Com o fim do grupo, cada um se desenvolveu e potencializou o que aprendeu no convívio diário.”
. Perfeito Fortuna, ator e fundador, presidente da Fundição Progresso.

Minha Turma


“O Asdrúbal foi a semente. Eu estava saindo do Teatro Ipanema, que foi a minha grande escola, com Rubens Corrêa e Klauss Vianna, e fui direto para o curso que o Hamilton Vaz Pereira e a Regina Casé estavam fazendo com o Sérgio Britto. Ali já pintou sintonia entre a gente. Logo percebi que havia chegado em minha turma, minha geração, com formação parecida de vida e de arte, que acabou resultando em criação coletiva. Foi uma vivência muito intensa nos oito anos de grupo.”
. Evandro Mesquita, ator e cantor, integrante da banda Blitz.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com; Click Cultural; Divirta-Se;

2 comentários:

  1. Que linda postagem, me lembro que fui pela primeira vez conhecer o Rio de Janeiro, final de 74, meu primeiro filho estava com dois anos e meio, nossa, lendo aqui me transportei, amei!
    Teatro, cultura que nunca deveria oscilar, deveríamos todos prestigiar esses trabalhos lindos que nos levam ao mundo mágico dos sonhos!
    Abraços bem apertados à todos por aqui!

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  2. Feliz Maio!

    Que postagem interessante, gosto muito de ver fotografias antigas, principalmente daquelas em que mostram nossa história, parabéns!
    O texto contando sobre o trabalho desenvolvido, está em suas entrelinhas nos dando uma aula de cidadania, parabéns mais uma vez.
    Fraterno abraço
    Nicinha

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