segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Pierrô e Arlequim, os Pilares da Comédia

Chaplin em "Luzes..." O Arlequim e a Colombina

O grande Mestre João Bettencourt (1924-2006) dizia sobre os tipos de comediantes:

— Os comediantes modernos podem ser divididos em duas vertentes: os arlequins e os pierrôs. Ou melhor: os sanguíneos e os hepáticos.

Para dar um exemplo: Carequinha e Fred, os palhaços do Brasil. Carequinha (Arlequim) era tão mais engraçado enquanto Fred (Pierrô) fosse sóbrio e triste.

Mas a questão no teatro brasileiro é que, neste país tropical, muitos atores de valor, quando encontram pela frente um Arlequim em cena, abrem mão do valor do Pierrô, e querem ser arlequins também.

Tais atores que agem assim, amargos e inseguros, possuem uma inveja e um profundo ciúme pela gargalhada da plateia aparentemente dirigida ao Arlequim.

Então, desenvolvem uma baixa estima pelo seu Pierrô, que em verdade é a base, a alavanca, da gargalhada desfechada pelo Arlequim.

Esta baixa estima e desprezo por si próprio acabam prejudicando o próprio desenvolvimento da comédia, já que o Arlequim não avança muito sem o Pierrô. Pois o Pierrô é que toca as emoções da plateia.

O Pierrô causa simpatia, o Arlequim empatia. É do Pierrô que o público se lembrará mais tarde, passado o momento caótico da gargalhada — quando cada um da plateia estará no mundo lá fora do teatro, vivendo suas humanidades.

Para compreender melhor as funções do Pierrô e Arlequim, observem os trabalhos de Jerry Lewis e Dean Martin no cinema.

Woody Allen é um pierrô por excelência, ao passo que Jimmy Carey é totalmente arlequinesco.

Danny Kaye é outro ator arlequinesco, ao contrário de Walter Mathau na comédia, este por sua vez um pierrô.

O filme Luzes da Cidade, com Charlie Chaplin, é uma aula plena da relação entre um Arlequim e uma Colombina.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaborou: Bemvindo Sequeira e entretenimento.r7.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A Cia. De Teatro Atemporal agradeçe os seus comentários.