segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A DIFÍCIL ARTE DE VIVER DE ARTE


A sensibilidade apurada, a visão crítica sobre a vida humana e a capacidade de emprestar a alma e o corpo para uma personagem sempre foram características que fizeram um artista ser conhecido e respeitado, mas hoje em dia ser artista anda tão difícil! Sabe o que é? A concorrência está brava, eu diria até, um pouco desleal, pois o que tem de gente se achando e se dizendo artista, é uma coisa de louco!

Está cheio de gente na mídia que se diz artista, artista de quê? Do silicone da hora? Qual a arte que eles fazem? Posar nua à beira mar agora também é arte? E desfilar bíceps e abdomens torneados, é arte do quê? O que eu não entendo é porque a mídia despende tanto tempo e importância à esse tipo de celebridade, os tratam como se fossem artistas consagrados. Coitado é do artista de verdade que estuda e se aprimora para viver de sua arte.

Antes o artista tinha o seu valor, sua arte era a sustentação da sua carreira, era a sua arte que fazia a diferença, agora, o artista de verdade, aquele que construiu a história do cinema, do teatro, da televisão brasileira e que hoje está no esquecimento, quiçá até em dificuldades financeiras, nem sequer é lembrado por essa mídia, interessada apenas na vulgaridade, na futilidade, na banalidade de gente que usa o nome de artista, eles não são ninguém!

Batalhar de sol a sol a sua carreira, seja de músico, de ator, de diretor, de cantor, de bailarino, de palhaço é tarefa dura como a de qualquer outro trabalhador, pois viver de arte, nunca foi fácil e hoje, ainda mais difícil. A grandeza de um artista que encantava aos olhos das pessoas comuns, anda espezinhada e jogada no mesmo balaio de gatos dessa gente que vive na mídia, se diz artista, mas não faz arte nenhuma.

Não sei onde isso vai parar, nem sei se um dia isso vai parar, mas a verdade é que para ser artista está cada vez mais complicado, o espaço quase sempre escasso, hoje em dia é quase nenhum e a valorização de quem tem uma arte para mostrar é cada vez menor, pois parece que a arte nem é tão importante assim, basta um par de seios, um escândalo, ou um babado qualquer, ai sim tudo fica mais fácil.

Que cada um tem o direito de ganhar a vida como bem quer, isso não se discute, o que deve ficar bem claro é que essa gente que circula nas revistas, nos portais de internet, que plantam notícias, vivem de fofocas, da exposição de seus corpos e desfilam suas futilidades aos quatro cantos, podem ser o que elas quiserem ser, mas por favor, parem de dizer que são artista, ok? A vida de artista é muito dura para vocês, vai tomar demais o tempo precioso de suas vidas e vai lhes dar muito, mas muito trabalho.

Feliz Natal e Feliz 2014.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Rodrigo Matheus em "Gravidade Zero"

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A CULTURA PRECISA SER DESCENTRALIZADA


Nos rincões do Brasil há muito que fazer, falta educação, falta condição para uma vida digna, falta tratar o brasileiro como filho da terra e acima de tudo, falta levar esperança a quem quer uma razão pra viver. E como fazer isso? Levando arte e cultura para cada canto deste país. Arte e cultura não podem ser privilégios dos grandes centros.

Mais e mais o povo está sedento por arte e cultura, mas elas quase não chegam aos pequenos lugares, ou quando chegam são apenas momentos de entretenimento. É preciso mais. A cultura precisa ser descentralizada e incentivada, pois muitos “dons quixotes” lutam diariamente contra moinhos de ventos tentando em vão, levar um pouco de cultura.

Como seria mais fácil se os incentivos chegassem até esses “dons quixotes”, mas a cultura é centralizada, os recursos são centralizados e o povo que mais precisa, fica lá, esquecido, vivendo numa ignorância cultural, sem esperanças e sem conhecer possibilidades que permitam alçar grandes vôos. Um país só será inteiro se todos tiverem as mesmas opções.

Parece até um contrassenso, mas onde haveria de ter mais incentivo para divulgar e transmitir cultura e arte é aonde se chega menos verbas. Não se pode tratar como iguais, regiões com tantas diferenças, é uma deslealdade. Incentivar manifestações culturais em regiões menos favorecidas, devia fazer parte de um projeto específico.

É claro que algumas iniciativas, até já foram tomadas e ainda são tomadas aqui e ali, mas descentralizar a cultura do jeito que surta algum resultado á médio prazo, ainda está longe de acontecer. Essas poucas iniciativas são pequenos sopros que balançam os pequenos moinhos de ventos com os quais lutam todo dia, esses tantos “dons quixotes’

A arte e a cultura não vão resolver a vida dos habitantes dos rincões de país, nem melhorar as condições de suas vidas, pois a dignidade de uma pessoa custa bem mais do que isso, mas levar arte e cultura vai fazer com que o povo perceba que existem outros caminhos para se trilhar. A cultura e arte engrandecem o cidadão, mesmo que ele nem se dê conta disso.

Portanto, a luta para descentralizar a cultura e a arte, deve ser uma bandeira, não de guerra, mas de unificação, isso mesmo, unificação por um povo culto, que forme de fato, uma grande nação. Talvez isso seja utopia e eu nem tenha percebido que apenas sou um “dom quixote” lutando contra moinhos de vento.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Peça paulista "Licht + Licht" (à esq.) e a baiana "Namíbia, Não!" (à dir.)