segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O PODER PÚBLICO E A CULTURA


Independente de ser ano eleitoral ou não, se bem que ano eleitoral não deve ser levado em conta mesmo, o que não consigo entender é a relação entre o poder público e a cultura durante o mandado do gestor público, porque, promessas, só o papel aceita e, como aceita! Até entendo que existam outras prioridades, aliás, em algumas cidades, o que não faltam são prioridades, mas a cultura só é lembrada em épocas de festas e comemorações.

São poucas as cidades que pensam a Cultura como fomentadora e geradora de mão de obra artística, umas tem até Secretarias específicas, mas com realizações pífias, diante da magnitude do que realmente seja e enseja a cultura. Tratam a cultura com um simples instrumento de manifestações populares que oferecem ao povo em datas especiais. A Cultura é muito mais que festa de aniversário da cidade.

É claro que o calendário de manifestações culturais deve ser realizado e até mesmo incrementado, mas o Poder Público se esquece do artista, daquele que constrói e dá vida as manifestações culturais. Para ocupar os espaços para as festividades locais, precisam da arte do artista, mas eu vos pergunto, meus amigos artistas: – Existe algum apoio do Poder Público para a manutenção da suas artes em suas cidades?

Fomentar a arte local e prestigiar os artistas da terra, não faz parte de quase nenhum orçamento das Secretarias de Cultura, mas não há cidade que não se locuplete com os sacrifícios que os artistas fazem para fomentar a cultura local. O Poder Público só tem olhos e verbas para grandes acontecimentos, não para aquele grupo de teatro amador da esquina, ou aquele cantor de barzinho, ou para aqueles solitários escritórios. Parece que estes não fazem cultura.

De nada adianta discursos vazios e projetos inócuos, se na prática, são poucas as cidades que fomentam e movimentam a cultura local. E não pensem que eu estou falando única e exclusivamente de verbas, falo é da falta de espaço, da falta de divulgação e da falta de apoio para gerir anualmente e initerrupitamente, os projetos culturais. Se o artista não corre atrás, a cultura da cidade não acontece. E o Poder Público? Não faz nada.

Como querem que a sua cidade seja um celeiro de artista, se não apóiam os artistas? Depois é muito fácil bradar aos quatro cantos que a cidade é um reduto de artistas, e sair conclamando os nomes desses artistas, que, por conta própria, conquistaram seus espaços. Isso é hipocrisia. E é por tudo isso que jamais vou entender essa relação entre o Poder Público e a Cultura, pois para o Governo, Cultura sempre será só mais uma “Pasta” que recebe verbas que precisam ser aplicadas em manifestações culturais para agradar a população.

Fazer arte é com o artista, mas preservar, divulgar, incentivar e propagar a cultura, é, e sempre será, atributo do Poder Público, portanto, que nos próximos mandatos, mais cidades escolham Secretários de Cultura preocupados em fomentar e gerir a cultura de sua cidade com mais comprometimento, dando ao artista o devido valor pela sua arte.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Espetáculo "O Beijo no Asfalto"

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

RESPEITE O PÚBLICO, ELE MERECE


Todo mundo sabe que o artista gosta de transgredir, provocar, se arriscar, causar impacto, mas nunca foi de bom tom, mostrar certas situações em cena, pois deve se pensar no público e naquilo que pode constranger a platéia, não deixando que esta seja pega de surpresas, com cenas que possam lhe agredir, principalmente quando não é devidamente avisada.

Até entendo as experiências e as experimentações que são testadas em um festival de cenas, mas o ator, grupo e diretor, precisam ter a consciência que um festival desse tipo, leva um público diferente, não acostumado com o teatro e que vai assistir as cenas, muito mais para prestigiar filhos, amigos e parentes, do que qualquer outra coisa, por isso, ao apresentar o seu trabalho, o artista deve ter um cuidado redobrado.

Mesmo acostumado com a transgressão do ator em cena, fui pego de surpresa na noite de Domingo em um festival de cena, onde levei minha esposa, minhas filhas menores, minha mãe, meu sobrinho e minhas irmãs para prestigiar minha outra filha na apresentação de seu monólogo, com cenas de sexo quase explícito, de um mau gosto imperdoável. Como público, eu me senti agredido.

A preocupação de quem apresentou a cena, foi única e exclusivamente de aparecer, pois a tal cena não era baseada em nenhuma dramaturgia que justificasse tamanha apelação. Ainda que assim fosse, o bom senso manda um cuidado redobrado para que não venha a constranger o público com algo que ele não está esperando. E foi isso que acontece, o público foi duramente desrespeitado.

Além de demonstrarem um despreparo artístico com interpretações fracas e canastronas, o grupo, seus atores e direção, mostraram que precisam aprender muito, sobre como tratar um público. Expor as pessoas da platéia com cenas grosseiras e cafajestes quando esta não é devidamente avisada, só confirma o caráter amador e a condição irresponsável de quem faz teatro apenas para aparecer. Teatro deve ser feito com responsabilidade.

Respeitar o público deve vir antes de qualquer espetáculo, ou cena que seja, pois o artista quer mostrar o seu trabalho, a sua arte, às pessoas e essas, devem sempre ser colocadas como o objetivo maior, o público é a razão do artista e não o artista a razão do público. Agredir o público com cenas constrangedoras, serve apenas para dar a certeza que o seu trabalho é pequeno e sem valor.

Portanto, seus pseudo-artistas, quando quiserem transgredir, provocar, se arriscar, causar impacto, lembrem-se sempre, que o que faz a sua cena ou o seu espetáculo ser um sucesso é o respeito que vocês tem para com o público que lhes assiste. Respeite o público, ele merece!

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Espetáculo "O Idiota – Uma Novela Teatral"

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O SANGUE, O SUOR E A LÁGRIMA DA CRIAÇÃO


Diante de uma folha em branco e do desafio de criar mais uma história, o escritor, dramaturgo ou roteirista tem muitas vezes de chorar lágrimas de sangue para conseguir contar uma bela história. Por mais domínio que se tenha da arte de conduzir uma narrativa, nunca é fácil criar, ainda mais quando as histórias parecem ter sido todas contadas.

A impressão que dá é que não se vai conseguir escrever uma única linha sequer, pois, não é apenas escrever palavras, é preciso contar uma história e esta história tem que ter algo que seja interessante de ser contado, algo que alguém queira ler ou ver e é aí que se derrama sangue, suor e lágrima para se criar uma obra literária.

E essa dificuldade fica ainda maior quando nos lançam o desafio de desenvolver uma história em cima de um tema pré-determinado, aí parece que as idéias fogem, nada parece fazer sentido e não há uma única história que tenha um conflito razoável sobre o tema, uma única pontinha que desencadeie uma ação dramática que valha a pena ser contada. E então, o sangue escorre, o suor escorre, a lágrima escorre…

Engana-se quem pensa ser tarefa simples escrever uma história. Tirar a idéia da cabeça e colocá-la no papel, muitas vezes leva, dias e noites de, escreve e apaga na tela do computador. Ver a peça encenada, o filme em cartaz, ou ler o livro publicado, faz parecer fácil a arte de contar histórias, mas transpor emoções para o papel é trabalho duro.

Só que é esse trabalho duro que lapida a arte de um escritor, é ele que faz possível, criar ações dramáticas que se desencadeiam num elo de outras ações dramáticas, em busca das resoluções dos conflitos que justificam as histórias contadas. É esse trabalho duro que faz o escritor, dramaturgo ou roteirista fugir dos clichês e trabalhar sua criatividade para sempre surpreender.

É claro que nem sempre se consegue escrever uma obra literária de grande qualidade, pois, por mais que se tenha derramado sangue, suor e lágrima, para criar uma história, não se foi suficientemente capaz de desenvolver ações dramáticas que fugissem do convencional para que fizesse dela mais que uma história comum com conflitos comuns.

Mas, é assim: trabalhando duro, misturando inspiração, com sangue, suor e lágrima, que se vai ao encontro da criatividade, para aí sim, ir em busca de escrever uma grande história. Se ela vai surpreender? Sempre se espera que sim. Mas, como vai se saber? O importante de tudo é desenvolver sua arte com verdade, independente de sua história vir a ser um sucesso ou não.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Turma no Festival de Curitiba