segunda-feira, 24 de junho de 2013

A IDENTIDADE DE UM PAÍS


É a duras penas que um povo constrói a identidade de seu país, usos e costumes, aos poucos, vão dando forma ao que chamamos de patrimônio cultural e é ele que diferencia um país dos demais e que nos faz reconhecer a identidade de cada povo. O patrimônio cultural representa a alma de um povo e precisa ser preservado, sob pena de ver a sua identidade transformada de tal forma que não mais reconheceremos nem seu povo e muito menos seu país.

Cada país vai formando a sua cultura passo a passo, pois são vários os fatores que contribuem para essa formação. Até que se chegue a um consenso de um grupo de hábitos advindo do uso e do costume que representa a identidade cultural de um país, muita coisa acontece. Nós somos um país miscigenado e fomos construindo a nossa identidade cultural com usos e costumes de todos os povos que aqui vieram morar.

Temos como base de formação do nosso patrimônio cultural, os usos e costumes oriundos dos portugueses, dos italianos, dos japoneses, dos holandeses, dos árabes, dos índios, dos negros, cada qual, contribuiu com um pedaço de sua cultura para a formação daquilo que o mundo reconhece como a identidade brasileira. Mas, às vezes, deixamos que sobreponham á cultura de outro povo à nossa.

Na nossa cultura há uma quantidade imensa de mitos e lendas, nosso regionalismo, oriundo da imensidão continental do nosso país é repleto de danças, histórias e peculiaridades, temos caboclinhos, bumba-meu-boi, maracatu, a cultura caiçara, os ribeirinhos, os caipiras, o samba, o carnaval, as festas juninas e eu não entendo porque nos rendemos a cultura americana do dia das bruxas. Em que lugar da história consta na formação de nossa cultura, os usos e costumes do “halloween”?

O dia das bruxas no Brasil é uma invenção mercantilista e com fins financeiros da exploração da atividade econômica de uma festa que não é nossa, não nos representa e não faz parte de nossa cultura. O pior é que as escolas de norte a sul do país, fazem desta data um grande evento. E o nosso folclore, será que não merece a mesma festa? Contaminamos nossos pequenos com uma cultura alheia, ao invés de transmitirmos o que faz parte de nossa vida.

Com tantas influências que formaram a nossa identidade cultural, pouco do que realmente nos representa de fato é valorizado com a mesma intensidade e empenho que se dá a esta festa tipicamente americana. Abóboras assustadoras, doces ou travessuras e tudo mais que indicam a comemoração desta data, está longe de representar a cultura do nosso país que é muito maior do que um simples dia das bruxas.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Peça "Feizbuk"

segunda-feira, 10 de junho de 2013

DA TEORIA À PRÁTICA


Pode até parecer fácil, mas a distância entre a teoria e a prática é imensa, principalmente em se tratando do ofício de escritor. Seja uma peça de teatro, um roteiro de cinema ou até mesmo uma novela, tanto a teoria, quanto a prática, ás vezes nos parecem insuficientes e uma não vive sem a outra. Mas, não é difícil encontrar aqueles que, mesmo sem ter a prática e muito menos a teoria, se julgam capazes de realizar quaisquer dessas empreitadas.

Não bastasse a insolência de se arriscarem num campo desconhecido, sim, desconhecido, pois não é porque se vê muito algo, que se tem condições de encará-lo, esses jovens ansiosos ainda se julgam capazes de criticar quem levou anos para assimilar a teoria e anos a fio praticando o exercício da escrita. Querer nem sempre é poder.

Eu até entendo que ás vezes a vontade se sobrepõe á realidade, e acabamos colocando a carroça na frente dos bois, mas não adianta, não tem talento que resista a falta de teoria e de conhecimento, principalmente quando falamos da arte de escrever histórias. Uma hora ou outra, uma das duas vai fazer falta, ou as duas, especialmente se o sonho de escrever virar realidade. Na prática a teoria é outra.

O caminho da escrita, à primeira vista, sempre parece um mar de rosas, mas podem apostar, é tão duro quanto qualquer outra atividade, digo mais, é até mais duro, pois não é tarefa simples a de agradar pessoas com as nossas histórias. As nossas histórias são boas para nós; isso é o que sempre achamos, mas e a opinião dos outros? Não é fácil ouvir que o que fazemos não serve pra nada.

Vocês podem até dizer que pouco importa a opinião dos outros, mas uma hora vai importar, pois quem escreve, escreve para falar a alguém, porque senão, qual a razão de tanto esforço? A tarefa é árdua e não pensem que são capazes de fazer melhor de quem tem anos e anos de estrada, mesmo porque, há outros percalços no caminho de quem escreve e gostar de escrever nem sempre é poder fazer. Escrever não é brincadeira.

Espero que muitos que estejam se iniciando no ofício de escrever, possam se tornar grandes escritores, grandes dramaturgos, grandes novelistas, ou até mesmo, grandes críticos de arte, pois até para criticar quem escreve, tem de saber como é que se faz, mas falar sobre a crítica de arte vai ficar para outro dia.

Portanto, muito mais do que dar asas a imaginação e ter vontade voraz de se tornar um grande escritor é preciso frear a ânsia do fazer de qualquer jeito e de achar que se é capaz. É preciso ter a consciência do aprender, a fim de reunir teoria suficiente para poder colocá-las em prática. Só assim vocês conhecerão a verdadeira distância que há entre a teoria e prática.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Ester Laccava em cena, com Kiko Vianello na comédia "Pessoas Absurdas"