segunda-feira, 27 de maio de 2013

TEATRO TAMBÉM É ENTRETENIMENTO


Desde os tempos longínquos, lá da Grécia antiga, que os grandes pensadores se valiam da arte do Teatro para transpor em cenas as histórias dos seus mitos. Tempos mais tarde, dramaturgos como William Shakespeare, Tennessee Williams, Nelson Rodrigues e Plínio Marcos dramatizaram com brilhantismo o turbilhão de emoções da alma humana, mas hoje em dia, a arte do Teatro também passou a ser um excelente entretenimento.

O caráter provocativo, questionador e investigativo da alma humana, que sempre norteou os textos de teatro e consagraram os autores gregos e os contemporâneos, vem perdendo cada vez mais espaço para os textos de comédias e textos mais leves, o que vem dando ao Teatro, o status de ser mais uma opção de entretenimento. E isso parece um movimento sem volta, pois é uma escolha popular.

Sei que muitos torcem o nariz para essa tendência de espetáculos que exploram o gênero comédia e continuam a produzir segunda a receita dos consagrados dramaturgos, que buscavam através de suas histórias, desvendar as entranhas do Ser humano, provocá-lo e fazê-lo pensar, mas o público anda cada vez reticente à esses gêneros de espetáculos dramáticos, preferindo cada vez mais as comédias. Talvez isso seja pelo estresse da vida moderna.

Não há com negar que o Teatro vem se tornando cada vez mais entretenimento, e tanto as comédias, como os grandes musicais, (que a cada dia ganham espaço no gosto popular) tem contribuído muito por essa forma de contar as histórias, voltadas mais para agradar, encantar, entreter, do que questionar, provocar e estimular o pensamento. Os dramas do dia-a-dia não mais seduzem o público, aliás, na verdade, acho que o grande público nunca foi seduzido por eles.

O desvendar da alma humana que permeavam os grandes textos de teatro e que o fazia ser uma das grandes artes do pensamento, veio pouco a pouco perdendo o seu espaço e hoje só alguns poucos artistas famosos, ousam produzir os grandes clássicos. Não que os outros artistas discordem da importância, ou da excelência literária e dramatúrgica destes textos, é apenas por pura sobrevivência. Ou você faz o povo rir, ou você passa fome.

E assim, de comédia em comédia, de musical em musical, a arte do Teatro que tinha suas bases em conflitos da alma humana, carregados de dramas, questionamentos e provocações, vai se tornando entretenimento e se aproximando cada vez mais do povo. Uma pena? Eu particularmente acho que não, pois até prefiro escrever comedias aos dramas humanos e não é porque eu escreva comédias que não esteja escrevendo para o Teatro.

Teatro é a arte de interpretar a vida humana, portanto, por que não se pode contar uma história sobre a ótica da comédia ou através de musicais? Não é porque a intenção é entreter que não se pode questionar, provocar e instigar o pensamento humano. E para terminar vale lembrar que é rindo que falamos as mais duras verdades, não é verdade?

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Musical "Godspell"

segunda-feira, 13 de maio de 2013

QUANDO SE CAI NO GOSTO POPULAR


Sem querer discutir a essência do que seja arte ou até mesmo questionar a qualidade artística de qualquer artista, o que fica claro nos dias de hoje é que quando o artista cai nas graças do público, não há quem o segure. Tudo o que ele faz passa ser maravilhoso, e não adianta argumentar, parece que quando mais se fala mal, mas as pessoas gostam.

É claro que a mídia tem papel fundamental no surgimento, crescimento e consagração de cada artística, pois é ela, e não há como se negar, que é a grande responsável por fenômenos de venda como esses que acompanhamos nos dias de hoje, principalmente na chamada nova música sertaneja universitária. Para mídia, pouco importar a arte ou a qualidade artística que é oferecida ao público.

E não é só na música que encontramos isso, também no teatro, no cinema, e mais visivelmente na televisão, fenômenos de audiência são declarados por muitos como programas de mau gosto, de baixa qualidade artística, disso, daquilo, mas a mídia ofereceu, o público elegeu, está eleito e não se discute. São coisas que confesso, não consigo entender.

Dizer que o povo é “Maria vai com as outras”, que não tem opinião própria, que é influenciado, que não tem gosto próprio, que aceita qualquer coisa que o oferece, etc, etc, etc, pode até justificar que tal artista caia no gosto popular, mas será que a culpa é só da mídia que empurra tudo e do público que aceita qualquer coisa?

Na verdade o que alguns querem, inclusive eu, é que a qualidade artística, a expressão verdadeira da arte seja oferecida ao público, para que ele tenha como comparar o que lhe é agradável ou não. A massificação de programas, músicas e outras “cositas” mais, de comprovada baixa qualidade artística, faz com que o povo eleja sem ter com o que comparar.

Entregar como cultura, uma arte de tão baixa qualidade artística é contribuir pa-ra uma desinformação popular, que embora produza fenômenos artísticos não acrescenta nada ao cidadão. Quem sabe se oferecêssemos algo com um verdadeiro valor artístico, não produziríamos artistas que também caíssem nas graças do povo, porque quando algo ou alguém cai no gosto popular, não há o que e quem o segure.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: O argentino Daniel Veronese com o Espanca!, grupo de BH