segunda-feira, 29 de abril de 2013

A SUPERFICIALIDADE DO ATOR


Quando vamos ao teatro, esperamos sempre assistir a um bom espetáculo e ser brindados por uma boa interpretação, mas nem sempre isso é possível. Ás vezes, grandes trabalhos se perdem por um único motivo: a superficialidade do ator. A falta de verdade que vimos diante dos nossos olhos, invariavelmente põe tudo a perder.

Dias e dias de ensaios parecem não serem suficientes para aqueles não levam aquilo que faz a sério, pois em cima do palco, vimos que o ator se esqueceu de levar a alma da personagem para cena. E é um festival de caras e bocas, de gestos e trejeitos, um faz de conta sem tamanho, que faz o espetáculo parecer uma brincadeira sem graça.

Talvez nem seja pela falta de conhecimento do que se esteja fazendo, mas sim por pura insegurança, o medo de se colocar desnudado diante de uma platéia é apavorante. Mas, por outro lado, pode ser que seja o mais puro exibicionismo, então se usa o palco para aparecer para amigos e parentes e a personagem nem sai do camarim.

É claro que no circuito profissional é mais difícil encontrar essa superficialidade, mas não pensem que ela não existe, atores que já se acham acima do bem e do mal, nomes conhecidos da mídia, esquecem a emoção e enchem a cena de uma superficialidade patética, que chega a agredir a arte com a brincadeira de faz de conta de que se é ator.

O ator precisa dominar a sua personagem, esse é o seu ofício. Quando não se está preparado para enfrentar as entranhas da personagem, ou não se é pscicológicamente forte para entender a psique da personagem, é melhor recuar e se aprimorar ainda mais, pois pior do que não ter talento para atuar, é tratar a cena com superficialidade.

O teatro é mágico e encantador porque faz com que as pessoas riam, sofram e se emocionem com aquilo que o ator tem para lhe contar, tratar o texto com superficialidade é destratar o público que vem lhe prestigiar. O ator não pode achar que fazendo de conta que faz, vai convencer o público que o vê.

Portanto, quem quer ser ator de verdade, ainda que seja forma amadora, precisa entender que teatro é arte da dar vida à outra vida, e ninguém vive a vida superficialmente, então, por que se haveria de vivê-la desta forma em cima de um palco? Ator; aprofunde-se no seu ofício, pois o que o público quer é poder sair do teatro satisfeito por assistir a uma grande atuação.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Ed Moraes em "Um Verão Familiar"

segunda-feira, 15 de abril de 2013

DESENHOS DA TV NO TEATRO, VÊ SE PODE?


Antes de mais nada, quero deixar bem claro que sou e sempre fui fã de desenhos animados, aliás, eles também contribuíram na minha decisão por escrever. Quando criança, não perdia um, e hoje, mesmo sendo mais difícil, por conta dos compromissos, sempre que posso, dou um jeito de dar uma espiada em alguns dos meus desenhos favoritos, mas sempre gostei de assisti-los ali, na tela da TV, acontece que hoje em dia, resolveram levar alguns deles para os palcos do Teatro.

Desenhos da TV, é da TV, não tem nada a ver com teatro, teatro é outra coisa. Mas a cobiça, travestida de desculpa mercadológica e que no fundo não passa de ação oportunista, faz com que muitos produtores estejam produzindo espetáculos de teatro com personagens de desenhos que fazem sucesso na TV. Puros espetáculos caça-níqueis e que não acrescentam nada para a difusão e popularização do Teatro. São entretenimentos, e só!

Levar desenhos que as crianças assistem incansavelmente por horas e horas, confortavelmente em seus sofás para o palco do teatro, só tem um fim: o financeiro. É a busca do lucro fácil e a certeza de casa cheia, nada mais, esse é o intuito dessas produções. Já os espetáculos de teatro infantil de muitos grupos, mal conseguem espaços para suas apresentações e quando conseguem, quase não tem público.

Ver espetáculos apoiados em desenhos da TV ocupando espaço de grupos de Teatro que lutam para levar a arte do Teatro até a primeira infância, definitivamente não me agrada. Não é uma disputa justo, e muito menos limpa. Perde-se um tempo precioso oferecendo o quê? Nada! E cultura que é bom fica relegada a alguns poucos bem aventurados, enquanto as raposas embolsam os lucros fáceis.

É claro que é legítimo o direito de se produzir espetáculos calcados em personagens de desenhos animados da TV e cada um é livre para buscar a melhor maneira de como faturar o seu quinhão no mundo do entretenimento, mas uma coisa é líquida e certa, a dramaturgia infantil, definitivamente, não precisa dos desenhos da TV. Como diz o povo: cada um no seu quadrado. Desenhos, na TV e teatro infantil, no Teatro.

Eu sei que não há nada o que se possa fazer, apenas protestar e demonstrar o meu enorme desapontamento com aqueles que buscam lucrar com espetáculos baseados em desenhos animados da TV, que nada tem a ver com a história do teatro infantil no Brasil e no Mundo. O Teatro Infantil é um celeiro de ótimos dramaturgos, com histórias maravilhosas e encantadoras, capazes de seduzir qualquer criança sem a ajuda de nenhum dos desenhos da TV.

Agora, preciso terminar este artigo, pois senão perco o episódio do meu desenho favorito que já está quase para começar. E como não é todo dia que tenho tempo pra isso, vou ficando por aqui, pois desenho de verdade eu gosto de assistir na TV. Ah, antes que eu me esqueça, quero afirmar que no Teatro eu gosto mesmo é de ver uma peça de verdade.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Peça "Os Smurfs"

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A ARTE DE SER UM CAMALEÃO


A arte de interpretar uma personagem, por vezes encanta quem assiste e isso acontece quando o ator consegue fazer com que aquela personagem nos convença de que tudo ali é real e mesmo sabendo que tudo é teatro, acabamos envolvidos. Nos emocionamos, rimos, nos identificamos, nos distanciamos da situação, graças a capacidade que um ator tem, de ser um camaleão.

No palco, aquela história carregada de drama ou de comédia, ganha vida impulsionada pela interpretação do ator, que nos conta a tal história, como se fosse a sua própria, moldando seus gestos, sua fala, seu andar, sua voz, suas manias à necessidades daquela personagem. Tudo para que o teatro mostre as faces da humanidade.

Ao ator foi dada essa missão e aqueles que realmente percebem a verdadeira essência de ser qual ao camaleão, conseguem o reconhecimento e os aplausos calorosos por suas interpretações. Pois não é nada fácil sentir a dor alheia como se fosse sua, achar graça da piada que não é sua, fazer chorar por um drama que não é seu. Isso é ser ator.

Fazer de conta que sofre, que ri, que se emociona é brincar de fazer arte e não se engana aquele que vai disposto a assistir a arte camaleônica de um ator. Ator de caras e bocas, que pensa que imitando uma personagem conseguirá agradar o público, será sempre identificado como um “canastrão”. A essência de um ator é fazer de cada personagem um ser real e verdadeiro, só assim haverá convencimento.

É admirável quando encontramos pelos palcos, atores que sejam verdadeiros camaleões, que nos fazem esquecer de quem são de verdade, que nos fazem acreditar em cada palavra falada, em cada gesto feito, em cada dor, em cada lágrima derramada, em cada boa gargalhada. Não há nada melhor do que poder se deixar convencer por um desses atores.

Quem dera pudéssemos encontrar pelos caminhos, mais e mais atores que entendessem que a arte de ser um camaleão é o que faz o teatro ser encantador. O teatro não seria essa grande arte, se o ator, não se despisse das suas características humanas para dar vazão às tantas personagens distintas. Eu só tenho a reverenciar à todos camaleões que se escondem e se mostram pelos palcos do mundo.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Raúl Gonzáles em cena do ótimo "Amarillo"