segunda-feira, 18 de março de 2013

A PARCERIA ENTRE AUTOR E ATOR


A arte de interpretar é acima de tudo uma arte de parceria, e quanto mais refinada for essa parceria, melhor para o espetáculo, para o filme, ou para a novela. O ator depende de um bom texto para demonstrar a sua arte de interpretação, enquanto o autor necessita de um bom ator para tirar do papel a sua história, mas não é sempre que isso acontece.

Algumas vezes vemos um texto primoroso, escrito com toda técnica, cheio de poesia, retratando uma história comovente, envolvente, mostrando de forma objetiva e de fácil identificação, as historias da vida, sendo vilipendiado por uma interpretação equivocada, tornando palavras em simples declamações decoradas sem o mínimo de emoção.

Por outro lado, também vemos muitos atores terem que se desdobrar em cena para dar vida a personagens mal escritos de textos ruins, sem conflitos, sem histórias. E por vezes, é o talento do ator, a única coisa que realmente vale a pena em cena, pois só ele é capaz de transformar com a sua interpretação o que por si só já é um fiasco, fazendo assim com que o publico esqueça a fragilidade do texto.

Um ator com um bom texto na mão é capaz de fazer coisas que deixarão marcas para sempre na memória de quem o assiste, e um bom texto dará ao ator as condições necessárias para que ele realize o seu belo trabalho. Ator e autor quando estão em sintonia e comungam do mesmo objetivo, (o de levar ao público uma boa história), presenteiam à todos, peças inesquecíveis, filmes inesquecíveis, novelas inesquecíveis.

É triste quando vemos boas histórias sendo destorcidas por conta de interpretações de fracos atores, isso é muito comum em novelas, que pede uma atuação firme e precisa dos atores, Mas, atores, muitas vezes, sem experiências, ou até mesmo sem talento, tornam palavras, frases e intenções pensadas pelo autor em algo sem sentido, sem vida e sem emoção. A palavra deve ser dita de forma correta e não simplesmente cuspida para fora.

Portanto, é certo que para que o público assista a uma boa peça de teatro, ou um bom filme, ou ainda uma boa novela, a parceria entre o autor e ator deve ser precisa. A arte da interpretação não tem espaço para maus autores e muito menos para maus atores. O que, com certeza, agradará o público, é podê-lo fazer ver em cena o reflexo límpido e claro de uma parceira perfeita entre o autor e o ator.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Peça "Limpe Todo o Sangue Antes que Manche o Carpete"

segunda-feira, 4 de março de 2013

O PREÇO DA ARTE


Quando colocamos o ponto final em uma obra artística, lançamos ao mundo o que pensamos, o que sentimos e o que vemos do mundo em que vivemos e nossa arte capturará aqueles que por ela se identificarem. Nosso valor artístico estará ali, em nosso texto, em nossa música, em nossa tela, mas como mensurar o valor do direito patrimonial em uma obra artística? Quanto vale a emoção que proporcionamos a alguém?

O pouco ou muito em uma obra artística é de fato subjetivo, pois para mim ela pode ter um valor inestimável, mas para outrem, ser apenas uma arte pífia, digna de desprezo. É realmente complicado, pois arte é uma expressão do ser humano que se propõe comover, encantar, fascinar, mas o objeto desta arte ganha forma e este material produzido tem o seu preço, caro ou barato, como saber o preço da arte?

Vender um livro, um CD, autorizar a cessão de um texto, isso até que não é difícil de se calcular, pois simples operações matemáticas nos mostrarão os custos desta produção artística e nos ajudarão a mensurar o valor dos direitos autorais que remunerarão a nossa arte, mas e o valor do patrimônio da obra que produzimos, como fica? Sim, pois a obra artística se constitui em nosso direito irrefutável e em um bem patrimonial.

Eu tenho uma dificuldade muito grande em calcular números que estipulem o valor real da minha arte. Quanto você pagaria por ela se eu as colocasse a venda? E a sua arte, por quanto você me venderia? É estranho tratar o resultado final de uma arte, como fossem paredes de tijolos que sustentam uma casa, ou peças de metais transformadas em automóvel, não é mesmo? Só que nossas obras artísticas são nossos bens e poderemos quer vendê-las, e por quanto?

Talvez o preço justo e certo da nossa arte seja estipulado pela lei da oferta e da procura, por certo não será levado em conta o valor artístico do que produzimos, mas sim o quanto nossa arte valerá comercialmente, mas acho que quanto maior o nosso valor artístico, maior a remuneração do nosso direito patrimonial. Um bem de um artista reconhecido valerá muito mais do que o de alguém que está apenas começando.

Portanto, podemos concluir que o preço da arte, passa pela soma do valor artístico do autor, mais o reconhecimento do público pela sua arte, somado ainda, a grandiosidade de sua obra, quanto maior for á soma desta operação, maior será o valor do direito patrimonial produzido pelo artista. Cada artista sabe o quanto a sua obra vale, só é preciso tratar de torná-la cada vez mais valorizada. O que hoje vale nada, amanhã poderá valer milhão, ou não!

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Espetáculo "Um Verão Familiar"