segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

DOIS BRASIS, DUAS REALIDADES!


Em um país continental como o nosso, manter a unidade não é uma tarefa assim tão fácil, pois, até mesmo a nossa língua, a portuguesa, tem lá as suas peculiaridades e características de acordo com a cultura local. Mas o que não pode acontecer é vivermos em dois Brasis e termos duas realidades. Há de se pensar como unidade para gerar oportunidades para todos e, acima de tudo, valorizar a cultura de cada lugar.

Enquanto a corrupção impera e o nosso dinheiro escoa pelos ralos, crianças do interior deste imenso país crescem sem acesso á uma educação de qualidade e sem ter direito algum a cultura. E, aqueles que, voluntariamente, doam parte de seus dias para oferecer algo para as crianças, sofrem pela falta de apoio e de dinheiro. Há muita vontade, mas quem vive longe das capitais, conhece bem esses dois Brasis e suas duas realidades.

Já dizia Monteiro Lobato: “um país se faz com homens e livros”, mas, pena que os homens que alcançam o poder não conseguem compreender a profundidade do que disse Monteiro Lobato no século passado, e a situação é ainda pior quando estes homens, vestidos de poder, estão à frente de pequenas cidades desse imenso país, o que esperar?

Teatro, música, dança, literatura… como fazer tudo isso chegar aos rincões do Brasil, se até quem mora em comunidades carentes nas grandes cidades também enfrenta a mesma dificuldade? O acesso á cultura e educação é algo tão precioso e fundamental para a unidade de um país que não podem estar restritos aos mais abastados e favorecidos e ser tão desprezados pelos homens do poder. Até quando viveremos dois Brasis?

O crescimento econômico, os ganhos financeiros e as mudanças de classe social formam um cenário bem favorável para transformar os dois Brasis em um só e unificar as realidades, então, ao invés de pactuar com desvios de verbas, abusos de poder, censuras descabidas, é chegada a hora desses homens do poder darem ao povo, muito mais do que bolsas e auxílios, pois conhecimento e cultura são ferramentas para um vida inteira.

Não pensem que o povo quer só pão e circo, o povo quer conhecer a história do pão, a história do circo, quer ouvir uma boa música, assistir ao Balé Quebra-Nozes, ou quem sabe assistir a um Shakespeare, hein? O povo quer conhecer Monet, Van Gogh, Renoir, quer saber de Charles Chaplin, de Godat, de Fellini, saber mais de Monalisa, da Capela Cistina e muito mais, portanto, é preciso dar isso à todos e não à poucos.

Só assim, com cultura e educação que será possível transformar este país continental em um só. Portanto, que os homens do poder olhem de fato para os interiores, do país e de si mesmos, fazendo o que a muito já deveria ter sido feito, transformar esses dois Brasis e suas duas realidades em um verdadeiro país de oportunidades iguais, pelo menos em termos de educação e cultura.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Cena de "O Amargo Santo da Purificação"

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

TODO MUNDO QUER SER CELEBRIDADE


Nunca isso foi deste jeito, não faz muito tempo á arte era uma coisa totalmente diferente e o artista tinha o seu valor, mas de uns tempos pra cá a coisa degringolou de tal forma que as pessoas perderam a noção do que é ser um artista. A enxurrada de notícias sobre as futilidades da vida de celebridades instantâneas fabricadas pela mídia é tão grande, que a população acaba dando notoriedade a quem não tem nada para mostrar além de um par de seios siliconados, deixando de lado aquele que faz arte de verdade.

E a coisa já ganhou proporções estratosféricas e beira às raias do incontrolável, tamanha é a sede por notoriedade que se vê nos dias de hoje. Agora todo mundo quer ser a celebridade da hora, e mais e mais as mídias nos enche com banalidades, deixando de dar espaço aos artistas de verdade, que continuam nos submundos das cidades mendigando um pouco de reconhecimento. Ser artista parece que está fora de moda.

São raros os jovens que ainda buscam investir em algum de seus talentos, pois é muito mais fácil ficar famoso postando vídeos bizarros na internet, ou coisas do tipo. Vale qualquer coisa para aparecer e quando digo qualquer coisa, é qualquer coisa mesmo. E o pior é que a mídia, com a sua caixa de ressonância faz dessas pessoas, celebridades da hora e elas jamais quererão saber deoutra coisa, senão procurar estar na crista da onda.

E o povo, reverberando o que a mídia estimula, dá à essas celebridades da hora, ares de artista, quer tirar foto, quer saber notícias da vida, as fofocas, as encrencas que elas se envolvem, assuntos de fuxico da vida alheia, pois é só isso que essas pessoas podem dar e mais nada. Pergunta pro povo quem ganhou o reality show tal, ele responde na lata. Mas são poucos os que sabem nomes de artistas, principalmente quando estes estão longe da mídia.

É muito triste ver que o interesse pelo nada é maior do que o interesse por qualquer arte, parece mesmo que estamos no fim dos tempos. Tirando as guerras e a corrupção que escancara a desfaçatez dos políticos deste país, as notícias sobre as celebridades da hora entopem os portais da internet, estimulando mais e mais o povo a querer se igualar à elas e ser a próxima celebridade da hora. A mídia está criando um exército de monstros.

O estimulo ao interesse pelo fútil e o banal, vai criando uma geração descompromissada e despreocupada em aprender, em querer desenvolver algum talento, em querer estudar para ser um artista de verdade, em obter cultura que o engrandeça como um Ser humano pensante e o torne capaz de participar da evolução de seu país. A importância demasiada à essas celebridades só vem a contribuir para emburrar mais e mais a população.

Espero imensamente que esse seja um movimento passageiro, (embora já esteja demorando muito para acabar) onde a mídia explore ao máximo a exposição da futilidade do Ser humano vazio, esgotando assim, de uma vez por todas, o interesse pelo nada, e o artista de verdade, recupere o seu espaço e tenha de novo o reconhecimento por todo o seu estudo, por todo o seu empenho, por toda a sua arte.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Geisy Arruda com o professor de interpretação e corpo André Grecco, no curso de teatro na Oficina de Atores Nilton Travessos, em São Paulo.