segunda-feira, 1 de abril de 2013

A ARTE DE SER UM CAMALEÃO


A arte de interpretar uma personagem, por vezes encanta quem assiste e isso acontece quando o ator consegue fazer com que aquela personagem nos convença de que tudo ali é real e mesmo sabendo que tudo é teatro, acabamos envolvidos. Nos emocionamos, rimos, nos identificamos, nos distanciamos da situação, graças a capacidade que um ator tem, de ser um camaleão.

No palco, aquela história carregada de drama ou de comédia, ganha vida impulsionada pela interpretação do ator, que nos conta a tal história, como se fosse a sua própria, moldando seus gestos, sua fala, seu andar, sua voz, suas manias à necessidades daquela personagem. Tudo para que o teatro mostre as faces da humanidade.

Ao ator foi dada essa missão e aqueles que realmente percebem a verdadeira essência de ser qual ao camaleão, conseguem o reconhecimento e os aplausos calorosos por suas interpretações. Pois não é nada fácil sentir a dor alheia como se fosse sua, achar graça da piada que não é sua, fazer chorar por um drama que não é seu. Isso é ser ator.

Fazer de conta que sofre, que ri, que se emociona é brincar de fazer arte e não se engana aquele que vai disposto a assistir a arte camaleônica de um ator. Ator de caras e bocas, que pensa que imitando uma personagem conseguirá agradar o público, será sempre identificado como um “canastrão”. A essência de um ator é fazer de cada personagem um ser real e verdadeiro, só assim haverá convencimento.

É admirável quando encontramos pelos palcos, atores que sejam verdadeiros camaleões, que nos fazem esquecer de quem são de verdade, que nos fazem acreditar em cada palavra falada, em cada gesto feito, em cada dor, em cada lágrima derramada, em cada boa gargalhada. Não há nada melhor do que poder se deixar convencer por um desses atores.

Quem dera pudéssemos encontrar pelos caminhos, mais e mais atores que entendessem que a arte de ser um camaleão é o que faz o teatro ser encantador. O teatro não seria essa grande arte, se o ator, não se despisse das suas características humanas para dar vazão às tantas personagens distintas. Eu só tenho a reverenciar à todos camaleões que se escondem e se mostram pelos palcos do mundo.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Raúl Gonzáles em cena do ótimo "Amarillo"

3 comentários:

  1. Olá,

    Adorei o post. A alma de um ator é um mistério, cheio de enormes histórias e personagens :)

    Beijos e obrigada por sempre passar no meu blog.

    http://raquelconsorte.blogspot.com.br/

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  2. bom dia!
    vim agradecer a visita lá no Perfumes e ver tudo por aqui.
    Amei teu cantinho ..
    estarei sempre por aqui.
    Fique à vontade lá.
    Beijo.

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  3. Bom dia! Eu achava que não choraria nunca em uma peça de teatro- afinal, a presença do palco, da platéia e das luzes nos lembram o tempo todo de que aquilo é ficção, apenas... apenas?! Até que assisti "Ensina-me a Viver", com Glória Menezes.

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