segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

ADAPTAR PARA EXERCITAR


Ás vezes, quando a inspiração não dá o ar da graça e a página em branco na tela do computador se faz assustadora e, por mais que se tente, as histórias originais que dão tanto gosto de criar, insistem em não serem contadas, eu lanço mão de uma das lições que aprendi quando freqüentava um curso de dramaturgia: fazer a adaptação de um conto.

Sim, uma boa adaptação de um bom conto é um exercício ideal para praticar a escrita enquanto nossas histórias originais insistem em nos abandonar e também é uma ótima ferramenta para quem ainda tateia e escreve suas primeiras linhas em busca de contar as suas histórias. A adaptação sempre nos auxilia, principalmente, na prática de outros formatos, seja teatro ou cinema.

A prática da dramaturgia, como muitos já devem ter ouvido, é um exercício contínuo e a adaptação de um conto vem de encontro ao exercício desta prática, pois, em cada conto, é possível encontrar todos os elementos que uma boa história necessita e que todos que escrevem, precisam conhecer e ter o domínio sobre eles. Analisar, esmiuçar e dessecar um conto e transpô-lo para um outro formato vai, com certeza, estimular ainda mais a criatividade.

Adaptar a obra de um outro autor não pode ser encarado como uma coisa menor e sem valor, acho até que muito pelo contrário, pois, transformar as linhas de um conto, narrado seja na primeira ou na terceira pessoa, em um texto para teatro ou um roteiro cinematográfico é dar movimento e ação àquela história que estava estática e só ganhava movimento na imaginação de seu leitor.

É claro que quando se faz a adaptação de um conto, não se tem a pretensão de fazê-lo melhor, apenas usar a história já contada e adaptá-la para uma outra linguagem como o teatro, cinema ou televisão. A adaptação, como já disse mais acima, nada mais é do que um grande exercício que nos ajuda a superar certos momentos de falta de inspiração e nos ensina a entender melhor os caminhos da escrita.

Nem sempre uma história original nos dá o ar da graça, não é mesmo? Nem sempre a imaginação se faz presente, mas para quem pratica o exercício da escrita diariamente, a qualquer tempo pode sacar das folhas de um velho livro, um belo conto, explorar a sua criatividade e transformá-lo, dando à ele um novo olhar, uma nova emoção, quem sabe até, um novo final.

Portanto, quem ainda não experimentou e está querendo praticar a escrita da dramaturgia, aconselho ler, esmiuçar, dessecar e adaptar um conto. Explore a história, encontre os conflitos, analise as personagens e dê um outro ponto de vista para o enredo, você não vai fazer uma história original, mas com toda certeza vai ter praticado um belo exercício.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Marco Pigossi e Glaucia Rodrigues em "Guga Melgar"

2 comentários:

  1. Acho que quando a inspiração sai pela janela, a criatividade e a reflexão devem entrar pela porta.

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