segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

SERÁ DESTA VEZ O FIM DO PALHAÇO?


Acabei de ler uma notícia publicada na revista americana “Forbes”, listando as dez profissões que perderão terreno e “encolherão” nos próximos anos e, por incrível que pareça, na lista consta á profissão de artista performático, onde se incluem o mágico, o malabarista, o dançarino e o palhaço. Todos, segundo a reportagem, estão perdendo terreno para os videogames e algumas tendem a desaparecer.

Quero dizer que discordo de parte desta lista, pois, na minha opinião, artista performático não deveria ser parte integrante da lista, visto que, bem mais que uma profissão, ser artista é uma condição de espírito. Se o artista é capaz de se manter financeiramente ou não, isso é assunto para um outro artigo. E não é uma reportagem americana que decretará o fim de um artista, pois sempre haverá um espaço para que este artista demonstre sua arte.

Dançarinos sempre conseguirão empregos em programas de auditórios de TV, existem tantos no ar, não é mesmo? Os malabaristas e os mágicos sempre terão espaço, até mesmo nos mesmos programas de auditórios. Quantos já não foram demonstrar suas habilidades em vários deles? E o Palhaço, bem, o Palhaço está em outra categoria. Palhaço é a alegria da vida, pois ontem, hoje e sempre, apesar de todas as dificuldades que um artista tem para viver de sua arte, o Palhaço sempre divertiu e divertirá a garotada. E não tem e nem terá, internet, nem vídeogame, que afastará o Palhaço do seu ofício.


Uma coisa é fato: entre todos os artistas performáticos citados na reportagem, o Palhaço é o que causa o maior encantamento e não pode haver explicação lógica para acreditar no seu fim. Isso só pode ser coisa de americano, ranzinza e mal-humorado. Pode-se até discutir sobre a sua popularidade, se está em baixa ou não. Eu acho que sempre estará em alta. Para mim, palhaço é palhaço e isso já basta.

O Palhaço pode estar longe da grande mídia, longe dos olhos dos pequenos de hoje em dia, mas a culpa não é dele. O fato de ser cada vez mais raro encontrarmos um Palhaço, não quer dizer que a profissão está encolhendo, ou está sumindo, ou que chegará ao fim. O Palhaço está sempre pronto para aprontar mil e uma travessuras e trocar o choro do rosto de uma criança, pelo mais largo sorriso. E ele pode estar ali, ou aí, bem do seu lado, duvida?

Só mesmo esses americanos, industrializados, robotizados, que não sabem e não conhecem o valor de uma emoção é que acreditam no encolhimento de uma arte. Arte é muito mais que profissão. E quando se trata de um Palhaço, isso chega a transcender a lógica do que é real ou imaginário, pois o rosto maquiado de um Palhaço espera apenas um pagamento: um sorriso.


Por mais que novas mídias tomem a vida das pessoas e as afaste da arte performática, sempre haverá um artista disposto a romper essa barreira e quebrar a parede com a qual o ser humano tem se isolado cada vez mais. Bem, e o Palhaço, esse jamais terá fim, pois, quem um dia conheceu um Palhaço, jamais conseguirá apagá-lo da memória e sempre estará a espera de um dia reencontrá-lo.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colabortaram: Oficina de Teatro & Bacante; Fotos: Espetáculos "Palhaços" (2008), "Decripolou Totepou" (2009) & “O mundo é uma bola, ora bolas” (2010)

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