segunda-feira, 23 de julho de 2012

DINHEIRO X QUALIDADE


Está aí uma combinação que quando bem usada se torna imbatível, mas não é sempre que esta combinação é usada para o bem do público. Hoje em dia, aliás, é muito rara. A baixa qualidade nos programas da televisão brasileira é assustadora. Você não consegue ver mais do que um ou dois programas que realmente valha a pena. Engraçado, a força do dinheiro tem gerado cada vez mais programas de má qualidade ao invés de ser justamente ao contrário.

É pegadinha pra cá, é bisbilhotice pra lá, é exposição do corpo feminino para acolá, e tudo bem financiado, pois anunciantes não faltam em programas que exibem estes conteúdos. Será que o dinheiro está tão fácil que tanto faz se o programa tem ou não qualidade? Ou o que vale é dinheiro em caixa e o público que se exploda?

Isso tudo chega a ser até um paradoxo, pois o anunciante patrocina o programa pensando no retorno financeiro que vai ter com a exposição de sua marca e com tanto programa de má qualidade atrelado a sua marca pode lhe causar efeito contrário. Ou será que a exigência é minha? Parece que dinheiro já não mais combina com qualidade.

Alguns programas, apesar de tamanha má qualidade, apresentam um número considerável de espectadores, fator este que faz com que os anunciantes continuem a atrelar suas marcas à estes programas, com ou sem qualidade. O que interessa é o lucro que o dinheiro vai proporcionar. Empurra-se qualquer coisa, pois o público está disposto a comprar. Acho que o conceito do que é bom e de qualidade mudou um pouco.

Chega ser uma pena ver tanto dinheiro desperdiçado em programas com tanta falta de qualidade. E saber que muitos projetos de boa qualidade se perdem no caminho por falta de verba. Mas, dizer que as TV’s estão erradas, não dá. Isso é “business”. E enquanto tiver público disposto a assistir qualquer porcaria e, anunciantes dispostos a patrocinar tais programas, faz-se qualquer coisa e se contabiliza os lucros, pois, quanto menor o custo de produção, maior o ganho da emissora.

Portanto, é de se concluir que o público consumidor de programas de TV é o retrato de um povo acomodado com a situação, seja ela em relação a sua vida, a política, ou aos programas de TV. Uns até contestam, outros até falam mal, mas acabam sempre se conformando. Já que não se tem outra coisa pra ver, qualquer coisa serve.

E o dinheiro que bem combinado com a qualidade pode produzir tanta coisa boa, ás vezes até mesmo mais econômicas que muitas coisas feitas em certos programas de conteúdo de qualidade sofrível, vai servindo apenas para gerar lucros para quem produz e para quem anuncia, pois para o comprador, serve-se qualquer coisa que ele compra mesmo. Isso sim é um grande desperdício.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaboraram: Oficina de Teatro & Bacante; Foto: Espetáculo "Tá namorando! Tá namorando!" (2008)

3 comentários:

  1. Clemente, que texto maravilhoso, eu concordo com tudo, infelismente os programas não tem nenhum conteúdo aproveitável, as crianças só aprendem o que não presta, mas para que haja silêncio na casa, ninguem se incomoda. O povo se acomoda.
    Infelismente...
    Ah, estou de volta!. beijinho.

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  2. Oiii!!
    Tudo bem com você Clemente, meu amigo querido?
    Estou retornando e fiquei feliz de reencontrá-lo.
    Li e assino embaixo, concordo com esse texto do Paulo que você postou. Muitas vezes me pergunto ao ver determinados programas: "_Cadê o conteúdo disso???" Mas se tem expectadores, tem patrocínio e a porcaria permanece...
    Bom, agora virei mais vezes aqui prestigiar você e a Cia. de Teatro Atemporal, lógico!
    Um grande beijo e... também amo vocês!!!
    Lú :)

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  3. kkkkkkkkk Rebequinhaaa!!! Estou com meu outro amigo Clemente na cabeça!!kkkkkkk Minha linda, perdão... Você também assina Clemente e só quando acionei o 'postar' que percebi a confusão, mas estou falando com você mesma! Please!!! I'm sorry... kkkkk

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