segunda-feira, 2 de abril de 2012

O PERIGO ANDA A ESPREITA


Volta e meia circulam notícias da tentativa de cercear a liberdade de expres-são. Mesmo com vinte e cinco anos de democracia, o fantasma da censura está sempre à espreita. O fantasma agora se apresenta através do decreto assinado pelo atual governo federal, que prevê a criação de uma comissão governamental para acompanhar o editorial dos veículos de comunicação.

Acho estranho, até mesmo sem propósito que tal atitude advenha das cabeças de homens que sofreram com a ditadura militar, ao menos que eles pensem que naquela época, aquelas atitudes foram legítimas, caso contrário, me parece coisa de doido. Pois não me parece racional que aqueles que ontem sofreram, se tornem hoje, os algozes do país.

Não vivenciem a ditadura militar, nasci no meio dela. Sou um legítimo filho da revolução e, sempre tive a liberdade de expressar o meu pensamento, expor meus pontos de vistas, criticar e ser criticado por algo falado e escrito por mim, o que é mais do que justo. Como disse o filósofo francês René Descartes: Penso, logo existo. Então, eu completo: “Se existo e penso, tenho o direito de expressar a minha opinião”.

A tentativa de controlar a informação é sim (mesmo que muitos digam que não), uma forma velada de cercear pensamentos, logo, há sim, um cheiro de censura no ar. Pois disfarçar a ameaça de censura usando o subterfúgio de proteção aos direitos humanos é a mais pura vilania e estampa o desejo de que a liberdade, no mínimo, seja vigiada.

Acho que sempre que se tenta ressuscitar o fantasma da censura, todos aqueles que vivem da palavra, tem o dever de se manifestar e levantar a bandeira de: “Não à censura!”. A liberdade de expressão é um direito sagrado na Constituição Brasileira e, qualquer Ato que atente contra esse direito legitimamente garantido é uma afronta à Democracia do país.

Não a nada mais saudável para o crescimento de um povo, do que ver este povo expressando os seus pensamentos e emitindo as suas opiniões. Regimes Ditatoriais e Totalitários, que cerceiam a liberdade de expressão, só fazem mal. E a história está cheia de exemplos.

A palavra é a minha voz e, mesmo que sejam apenas poucas palavras, o direito de expressar o meu pensamento e emitir a minha opinião foi duramente conquistado e deve, com todos os esforços, ser plenamente preservado.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaboraram: Oficina de Teatro & Bacante; Foto: Espetáculo "Senhora dos Afogados" (2008)

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