segunda-feira, 19 de março de 2012

A VOZ DO PERSONAGEM


Quem quer contar uma história, quer contar uma história de alguém, e esse alguém, entre todas as características, tem uma em especial que o torna único. A sua voz! Mas não o timbre e sim a sua fala.

- Óia, hoje vamô prosear um tiquinho sobre essa tar de fala de personagem.
- É isso aí, mano! A treta é massa e o bagulho é louco!
- Não obstante toda a complexidade que o tema nos sugere, vale salientar que um personagem fala de maneira única.
- Só, meu!
- Ôrra! Ô louco, meu!
- Bah! Eu falo como todo mundo!
- Uaí! Eu tumbém!

Esse pequeno diálogo acima, dá perfeitamente a noção de como cada personagem é único e de como cada um é singular e representa perfeitamente o seu interlocutor. Sendo a Dramaturgia pautada em diálogos, a forma pela qual o personagem se expressa é de fundamental importância para homogeneidade da história.

Quando o dramaturgo consegue acentuar seus personagens com a singularidade que cada um deles tem, a história se expressa com maior precisão e tudo o que se quer contar, se torna bem mais verossímil aos olhos de quem vê. Cada personagem é o retrato de uma pessoa, tem o seu próprio jeito de falar e é assim quem tem que ser quando se quer contar uma história.

Um diálogo bem construído passa pela fala singular de cada personagem, pois não há conversa linear e ninguém fala igual. Cada característica fica ainda mais acentuada quando o personagem se expressa através de suas falas de acordo com a sua personalidade. Essa voz pode ser marcada por vícios e manias, gírias, cacófatos, erros gramaticais, ou ser de grande eloqüência. Tudo vai depender de quem estiver contando a história.

Quando se escreve e fala com a voz de um personagem, não existem regras gramaticais, não se deve prender-se a isso, mesmo porque, dificilmente encontramos pessoas no nosso dia-a-dia que pratiquem com exatidão, a complexa língua portuguesa. Portanto, quando se quer contar a história de alguém, tem de se falar como este alguém, pois as palavras que você escreve, deve soar como a sua voz.

- Óia, não é que isso tudo é verdade, sô?
- Fiquei boladão!
- O personagem que fala, expressa o que sente pelo jeito que fala, assim...
- Assim? Sei lá! Pode até ser.

É assim, procurando conhecer a maneira de como o seu personagem fala, que você contará sua história de uma maneira bem mais interessante.

- Ôrra, meu! Cê tá cheio de razão!
- Bah! Tu me fizestes pensar, hein guri?
- Óxente! Fiquei cheio de caraminholas nas minhas idéia, vixe?
- Uaí! Mas tá tudo bem claro. Nóis fala como nóis é, ou não é?

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaboraram: Oficina de Teatro & Bacante; Foto: Espetáculo "Greta Garbo Quem Diria…"

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