segunda-feira, 28 de novembro de 2011

ESCREVER É A MINHA VIAGEM


Quando paro diante da tela em branco do meu computador, pronto para começar mais uma história, tenho a certeza, mesmo que ainda não saiba e nem tenha a mínima idéia sobre o quê eu vou escrever, que vou entrar numa grande viagem, pois toda vez que inicio uma nova história, viajo como nunca. Escrever é definitivamente o meu barato.

Escrevo porque quero, porque gosto e porque me faz muito bem. Sempre foi assim. Escrever histórias me faz ver coisas que no dia-a-dia passam meio que batido pela minha vida. Adoro poder inventar situações, criar conflitos, atar e desatar nós, experimentar minhas experiências em cada um dos personagens que me visitam a cada história.

O que me basta é poder escrever a minha história e neste momento, pouco me importa, aliás, na verdade, nem me interessa, se vou receber críticas, se vão gostar, até se um dia alguém vai se dispor a ler minha história. A viagem de escrever a história é maior. Poder viajar nas dores e nas delícias de cada ser e brincar com a sorte de cada um é uma sensação inexplicável, só quem viaja pelas palavras pode compreender.

Ás vezes, tenho a sensação que a viagem é tão intensa e que a história flui de uma tal maneira que parece ser soprada. Tudo vai saindo, sem sinopse, sem argumento, sem escaleta e sem qualquer outra ferramenta teórica que ensina a melhor maneira de escrever uma narrativa. A idéia vem e a viagem é tanta, que só paro no ponto final. Aí sim, vou lê-la.

Não saber aonde a história vai me levar é a grande adrenalina que alimenta a minha viagem. Ter a folha em branco e uma idéia na cabeça me estimula a colocar no papel tudo que de uma forma ou de outra chegou a mim. Tudo dá uma história e viajar por cada uma delas é a melhor recompensa que alguém que se dedica a escrever, pode receber. Elogios são bons, mas na maioria das vezes todos tem uma segunda intenção. 

Viajar na história que escrevo, me regenera, pois, como todo mundo, não é fácil agüentar os problemas da vida moderna e quando fico cansado de nadar contra a correnteza das dificuldades da vida é chegada a hora de criar asas e voar na minha imaginação, sentar em frente ao computador, olhar firme para aquela tela em branco e começar a minha viagem.

Bom, preciso parar por aqui, pois o dia não foi nada fácil, os braços já estão cansados de tanto nadar contra a corrente e é chegada a hora de criar asas e alçar novo vôo para mais uma viagem inesquecível. Se um dia alguém vai ler o que o vou escrever, não sei. Quem sabe? Mas qualquer hora dessas, eu conto como foi mais essa viagem.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Bastidores do espetáculo "Réquiem" fotografado em Maio de 2009 em São Paulo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ENSAIAR É PRECISO


Não é de hoje que ouço comentários de diretores e de alguns atores mais experientes, sobre a dificuldade que há de se reunir pessoas para montagem de um espetáculo teatral. Mas se tem tanto jovem querendo fazer teatro, por que tanta dificuldade? Estranho, não é mesmo? Só que esta, eu mesmo respondo: É que essa galerinha que chega ao teatro, quer logo de cara entrar em cena.

Ora! É preciso que eles saibam que a montagem de um espetáculo teatral não é tão simples assim. É certo que muitos, vindos de experiências em montagens escolares e, portanto, achando-se plenamente capacitados a assumir qualquer papel que lhes for designado, não aceitam qualquer coisa. Pura bobagem. O que precisa ficar claro é que tornar-se um ator e manter-se como tal, demanda tempo e estudo.

Eu até entendo a ansiedade dessa galerinha que quer ver aquilo que está escrito e decorado, ganhando corpo e se tornando um espetáculo, mas se ela não se dispor a ensaiar, o espetáculo não saí. E alguns, por pura preguiça, largam produções pela metade, por acharam um saco ficar ensaiando, ensaiando e ensaiando.

Só que ter o texto decorado na ponta da língua, ou fazer gracejos sobre um palco, ou ainda brincar de faz-de-conta, não é nada em termos de teatro. Antes de reunir condições para assumir a responsabilidade de interpretar qualquer papel, o aspirante precisa entender que é fundamental e necessário, ensaiar, ensaiar e ensaiar, quantas vezes forem necessárias. Às vezes, se leva mais tempo ensaiando, do que o tempo que as apresentações ficam em cartaz.

Aliás, a vida de um ator é ensaiar, se exercitar, ensaiar, estudar, ensaiar, interpretar e ensaiar. Uma roda vida sem fim que faz com que a cada dia, o ator apure mais e mais o seu talento, lapidando cotidianamente a sua arte de interpretar. Teatro não é uma arte que se faz de supetão. Não é apenas lendo e decorando o texto que se é capaz de interpretar.

Se vocês repararem bem nas “interpretações” de grandes figurões das artes cênicas que estão em cartaz nas várias novelas na atualidade, vão perceber o quanto a falta de ensaio faz falta. Nem mesmo a experiência de anos é capaz de sustentar uma boa interpretação. Como na TV é tudo rápido, sem tempo de ensaiar, é possível ver “interpretações”, se dá para chamar assim, que dão nos nervos.

Por isso, se você quer mesmo fazer teatro, mesmo que ainda não queira seguir carreira profissional, precisa ter a consciência de que se faz necessário muito ensaio antes de se colocar um espetáculo em cartaz. Não tenha tanta pressa em aprender, pois se você seguir a profissão, vai precisar fazer isso diuturnamente. E não interessa qual papel você for interpretar, seja o papel principal, ou apenas uma florzinha estática que compõe o cenário, vai precisar de ensaio, ensaio e ensaio.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Bastidores do espetáculo "Réquiem" fotografado em Maio de 2009 em São Paulo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A INTENSIDADE É QUE FAZ A DIFERENÇA


Muitos atores clamam por oportunidades para demonstrarem os seus talentos, mas quase sempre se sentem frustrados ao saírem dos testes ou de ensaios. O que lhes acontece? A soberba por se achar auto-suficiente e perfeitamente capaz de encarar qualquer papel, desde que este seja de certo destaque, pode ter o atrapalhado? Pode sim! Mas, e se ele tem a humilde suficiente para reconhecer que está sempre aprendendo, o que lhe faltou?

Anos de estudos e preparo, talento nato, desprendimento e desenvoltura, talvez realmente não sejam suficientes para ganhar um papel, talvez o que lhes falte é uma coisa bem mais simples que possa parecer. Falta-lhes a intensidade. Aprendi que nas artes cênicas, tudo que está em cena tem importância e contribui para o desenvolvimento da história, mesmo que isso seja uma árvore e esta árvore seja eu.

Encarar com intensidade a cena, como se ela fosse a última cena da sua vida, mesmo que seja apenas a primeira, pode fazer a diferença na hora de se escolhido. A superficialidade que muitas vezes é dada ao personagem que se faz, deixa claro, que por mais talento, desenvoltura e desprendimento que a pessoa tenha, se ela não for intensa, será apenas mais uma querendo mostrar que pode ser artista.

Embora as artes cênicas seja a arte do faz-de-conta, um ator jamais pode brincar de faz-de-conta quando está em cena. Não importa qual o tamanho de seu papel, se tem ou não alguma fala, o que importa é que se ele está ali, dentro daquela história é porque ele tem importância para história. Nunca desdenhe das oportunidades, pois nas artes cênicas não existe papel pequeno.

Aquele que se sente inferiorizado, ou ainda se “acha” muito maior que o papel que lhes querem dar e não o aceita, precisa rever os seus conceitos sobre a arte que pratica. Precisa aprender que fazer o seu papel com intensidade o fará ser notado, e quem sabe assim, não tenha o seu talento reconhecido e, então, seja chamado para um outro papel de maior destaque numa outra história?

São através de chances pequenas, papéis de menores destaques nas histórias, que os grandes atores abocanham suas oportunidades, pois vivem cada chance com toda a intensidade, como se lhes fossem dada, a última oportunidade para mostrar que podem sim, serem artistas de verdade. Por isso, se você quer mesmo se ator ou atriz, prestem atenção nas chances que lhe são dadas e encare cada oportunidade com toda a sua intensidade.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Espetáculo "Espía a Una Mujer Que Se Mata" (2007)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O TEATRO É POP, OU NÃO É?


Nos cadernos de cultura de todo jornal, nos noticiários da televisão, ou pelas ondas do rádio, falar de teatro não deve dar IBOPE nenhum. Pelo menos é o que parece, pois sempre quando se fala de teatro, a notícia é quase sempre dada assim: de "an passam". Mas como explicar tamanho interesse pelo fazer teatral? E não venham me dizer que não!

Diariamente em meu blog posso constatar as inúmeras buscas por textos teatrais, teatro adulto, comédias, monólogos, etc, etc e etc. Isso é um claro sinal que a arte do teatro é vivíssima na vida das pessoas, não é preciso estar na mídia para seduzir, o teatro por si só, já seduz. Então, não me venham dizer que o Teatro não é pop. É pop, sim senhor!

Cada vez fica mais claro que o teatro não precisa de exposição na mídia, de notícias de meia página, ou espaços em rádios. O caminho que o teatro optou, ou melhor, o caminho por onde ele foi levado, tem germinado bem mais frutos. Bendita seja a hora em que alguém resolveu levar o teatro aos bancos escolares, às periferias, ao povo.

Mesmo com a complexidade dos clássicos, com a invariável insanidade dramatúrgicas de algumas histórias absurdas, com as metáforas e as ironias, e até com espetáculos de díficil compreensão pelo grande público, que por vezes, fazem às salas de teatro ficarem vazias, o teatro vai entrelaçando as suas mãos sedutoras e conquistando mais e mais pessoas.

Hoje, o Teatro que sempre foi uma arte marginal e marginalizada, corre solto pelas cidades do interior, pelas periferias, pelas escolas e, cada vez mais popular. Em qualquer cidade, por menor que seja, lá está o teatro, popularizando o seu "fazer". Está certo, que por vezes, com risos fáceis, com histórias rasas e repertórios muito aquém dos adoráveis clássicos gregos. Mas, a arte de representar está ali, da forma mais pop.

Pouco importa as campanhas de popularização de teatro, com ou sem elas, o teatro vais se fazer presente sempre. A arte de representar está na alma deste povo, já vem de berço. Não interessa se a mídia vai dar espaço ou não, o teatro vai lá e conquista seu espaço na marra. Mesmo porque, qual novela não quer ter um bom ator representando um papela em sua tela? Isso é ou não é ser pop?

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Espetáculo "Lipstick Station" (2010)