segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ESCREVER É TÃO SIMPLES...


Ah... Escrever... Escrever é tão simples como fechar os olhos para dormir. É só se colocar em frente à tela branca do computador, que... puft!... a história aparece por completo. Tudo assim, como num passe de mágica! É o que acham certas pessoas. A visão que alguns têm sobre o texto e quem o escreve, principalmente que o faz para o teatro, é no mínimo turva, para não dizer cega mesmo.

É um desdém impressionante! Chega a dar raiva, raiva não, vontade de bater mesmo. Tratam o texto, como... Aliás, muitos nem consideram o texto. Para falar, sinceramente, muitos nem sabem o que estão fazendo no teatro, quanto mais o peso de um texto dentro de um espetáculo. Mas, escrever é tão simples, não é mesmo?

Sei que é uma minoria e que estão só de passagem pelo mundo do teatro, pois tem planos televisivos mais urgentes, mas confesso que muitas vezes dá vontade de falar um palavrão. Quando alguém trata o que você demorou dias para escrever, como se fosse nada, o reduzido a uma insignificância de fazer doer, dá vontade de perguntar o que essa pessoa está fazendo no teatro.

Tudo isso sem contar a dificuldade de receber os direitos autorais. Mas, se não sabem da importância do texto, como vão saber dos direitos autorais? Quem escreve, vive de brisa, se alimenta das palavras que coloca no papel, não precisa receber pelo seu trabalho. O dinheiro da bilheteria pode ser dividido pelo grupo, mas o dramaturgo não faz parte desse bolo. Dramaturgo não tem fome, não é?

Até quem escreve por amor, hobby, ou sei lá o que, precisa de um mínimo de reconhecimento, nem que seja um: “-Que bom o seu texto!”. Só que o que recebem é desdém, desrespeito e desvalorização. Tem gente que não tem noção, brincam de fazer teatro e pensam em fazer do texto o seu brinquedo mais original. Isso tudo, mediante a um: “-Empresta o texto aí pra mim!”

Há de se rever os conceitos de como valorizar um texto. É preciso acabar com essa mania de copilar textos para transformá-los em cenas curtas. Se querem apresentar cenas curtas, usem textos curtos. Um texto só tem sentido quando lido e apresentado por completo. Remendar um texto que foi pensado de uma forma é um desserviço para o teatro e não acrescenta nada.

Que ao texto, seja dado o seu devido valor, pois, do mesmo modo que não é nada fácil interpretar, deve-se ter a consciência de que escrever um texto é algo muito mais complexo e que demanda bem mais transpiração do que inspiração. Escrever, apenas parece simples, mas não é!

Por isso, repensar essa coisa de achar que um texto é uma coisa simplista e quem o escreve não precisa receber por ele, já é um bom começo. Afinal de contas, dramaturgo, também, come, bebe, dorme e precisa ter dinheiro para ir ao teatro.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Espetáculo "O Pupilo Quer Ser Tutor" Montagem da Cia. Teatro Sim… Por Que Não?!!! Fotografado no FIT Rio Preto, 2008.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

PROGRAMA ATEMPORAL


O espetáculo Não Existe Mulher Difícil traz em cena o ator Marcelo Serrado em seu primeiro monólogo. A peça é inspirada no livro homônimo de André Aguiar Marques e tem adaptação de texto de Lucio Mauro Filho. A peça conta com direção de Otávio Müller.

Não Existe Mulher Difícil é um divertido e dinâmico monólogo que retrata, de forma engraçada e às vezes até estereotipada, o que um homem faz depois da separação. Após ser deixado pela mulher, o personagem volta ao universo dos solteiros e se vê em uma nova realidade; as mulheres estão mais independentes.

A peça serve como um manual de paqueras, em que o protagonista tenta se transformar em um mestre na arte de identificar cada perfil de mulher.Além disso, leva ao palco algumas experiências pessoais do ator e do adaptador.

Ficha Técnica

Espetáculo: Não Existe Mulher Difícil
Elenco: Marcelo Serrado
Texto: André Aguiar Marques
Adaptação: Lucio Mauro Filho
Direção: Otávio Muller
Direção de arte: Maria Borba
Direção musical: Marcio Tinoco
Trilha sonora: Dany Rolland
Iluminação: Paulo Denizot
Foto: Guga Melgar

Serviço

Temporada: Até 25 de setembro de 2010.
Horário(s): Sexta e sábado, ás 23h30; Domingo, ás 22h.
Local: Teatro do Leblon - Sala Tônia Carrero
Endereço: Rua Conde de Bernadotte, 26, Leblon - Zona Sul - Rio de Janeiro/RJ
Telefone(s): (0**21) 2529-7700
Ingresso(s): R$ 50,00 (sexta e sábado); R$ 30,00 (domingo).


A comédia Escola de Molières conta a história de algumas das obras do francês Jean-Baptiste Poquelin, o próprio Molière. A ideia principal é mostrar ao público o teatro feito pelo dramaturgo francês em palcos improvisados nas cidades do interior da França, nas praças e nos palácios de Paris, durante o século 17.

Amir Haddad dirige e atua no espetáculo, que tem tradução e adaptação de Lorena da Silva, Luís Octávio Moraes e Solange Padilha. Integram o espetáculo textos como O Avarento, O Improviso de Versalhes, Don Juan e O Doente Imaginário, entre outros. No total são 28 atores no elenco da peça, que tem nomes como Leo Rosa, Tereza Seiblitz, Clara Soria e Eduardo Duwal.

Ficha Técnica

Espetáculo: Escola de Molières
Elenco: Adressa Koetz, Ana Bugarim, André Dale, Catarina Abdalla, Clara Soria, Eduardo Duwal, Léo Rosa, Marcio Louzada, Marcos Vasconcelos, Tereza Seiblitz, entre outros.
Texto e direção: Amir Haddad
Foto: Divulgação

Serviço

Temporada: Até 19 de setembro de 2010.
Horário(s): Sexta às 21h; sábado e domingo, às 20h30.
Local: Teatro Espaço Tom Jobim
Endereço: Rua Jardim Botânico, 1.008, Jardim Botânico - Zona Sul - Rio de Janeiro/RJ
Telefone(s): (0**21) 2274-7012
Ingresso(s): R$ 50,00.


O Teatro Maria Clara Machado recebe sábado (28/08/10) e domingo (29/08/10) a temporada de Na Catraca, um monólogo estrelado por André Silveira sobre a vida de um cobrador de ônibus, Cleosvaldo.

O protagonista é um homem simples que morava em Florianópolis, mas mudou-se para o Rio de Janeiro por causa da sua namorada Jennifer. Assim que volta para a Ilha para curtir suas férias, ele divide suas histórias hilariantes com o público. O espetáculo, cujo texto foi escrito pelo próprio André Silveira, é encenado dentro de um ônibus cenográfico, localizado no estacionamento do teatro.


Serviço

Temporada: Até domingo, dia 29 de agosto de 2010.
Horário(s): Sábado (28/08/10), ás 20h30 e Domingo (29/08/10), ás 19h30.
Local: Teatro Maria Clara Machado (Teatro do Planetário da Gávea)
Endereço: Rua Padre Leonel Franca, 240 (Planetário da Gávea), Gávea - Zona Sul - Rio de Janeiro/RJ
Telefone(s): (0**21) 2274-7722
Ingresso(s): R$ R$ 30,00.

EXPOSICÃO


Som-ma, de Juliana Cerqueira & Para Espectadores Remotos, de Celina Portella

Celina Portella e Juliana Cerqueira foram selecionadas pelo laboratório do Núcleo de Arte e Tecnologia da Escola de Artes Visuais - Rio de Janeiro - , no final de 2009, para desenvolver seus trabalhos ao longo de seis meses. As jovens artistas receberam uma bolsa mensal como ajuda de custo, além da orientação das professoras e de toda a equipe do Núcleo.

Esse projeto visa incentivar a produção e a reflexão crítica sobre a união da arte com a tecnologia; o resultado desse estudo será apresentado em duas exposições nas galerias da escola.


Celina Portella apresenta Para Espectadores Remotos, uma sequência de ações realizadas ao vivo para uma webcam durante chamadas via skype. A artista criou composições de imagens utilizando diferentes meios, como projeção, reprodução em LCD e colagem. Apresentada para uma pessoa de cada vez, a "performance digital" da jovem explora a reciprocidade da comunicação virtual questionando a ideia de realidade consensual através do conteúdo ou da forma de apresentação das imagens.


Som-ma, de Juliana Cerqueira, é uma instalação sonora onde a artista simula uma rede de neurônios utilizando celulares. Cada telefone representa um neurônio recebendo estímulos - quando seus toques ou alertas de mensagens são ativados, como acontece nas redes neurais. É um trabalho colaborativo, onde pessoas enviam sons que são editados pela artista e instalados nos aparelhos como notas musicais a serem tocadas na instalação, utilizando bluetooth e MP3.

Sobre as artistas

Celina Portella – nascida em 1977, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Estudou design na Puc-Rio e se formou em artes plásticas na Universidade Paris VIII. Desde 2000, desenvolve projetos com dança e artes plásticas. Nos últimos 4 anos participou de exposições e residências, realizando diferentes vídeos, instalações, performances e intervenções urbanas.

Juliana Cerqueira – nascida em Belo Horizonte, em 1980, reside atualmente na cidade de Niterói. É artista visual e performer. Concluiu graduação em Pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na Escola de Artes Visuais do Parque Lage fez o curso de Arte e Tecnologia e, na Universidade Federal Fluminense, fotografia pela Kodak.

Exposicão: Som-ma, de Juliana Cerqueira & Para Espectadores Remotos, de Celina Portella
Local: Escola de Artes Visuais (EAV) - Rio de Janeiro/RJ
Endereço: Rua Jardim Botânico, 414 - Jardim Botânico - Zona Sul - Rio de Janeiro/RJ
Datas: Até 3 de outubro de 2010.
Horário(s): De segunda á quinta, 9h às 21h; De sexta á domingo, 9h às 17h.
Telefone(s): (0**21) 3257-1800
Ingresso(s): GRATUITO

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

DISCIPLINA E HUMILDADE


O ser humano se acha o máximo e por se achar assim, tem a certeza que já sabe o suficiente, pelo menos para começar a criticar. Basta ter um pouco de noção de como se faz a coisa, para se achar a maior sumidade. E é no campo das artes onde encontramos mais sumidades. Os chamados: sabe-tudo!

Tem gente que escreve um livro de poesia e já se diz escritor, tem gente que encena uma peça e já se sente um ator consagrado, tem outros que escrevem peças e se acham grandes dramaturgos, tem outros que fazem curtas e já desfilam como diretores consagrados, e todos se vangloriam de seus feitos, não aceitam críticas e ainda se enchem de glamour.

Pode parecer que não, mas tem muita gente assim. E ai de quem discorda de seus pontos de vistas! São auto-suficientes e não precisam mais aprender, pois já mostraram que sabem, pois já fizeram uma vez. Pelo menos é o que eles acham. Mal sabem eles, que o campo das artes pede aperfeiçoamento continuo e muita disciplina.

Só através da disciplina se chega à perfeição, muito embora saibamos que em arte, a perfeição é muito relativa, por isso, disciplina é fundamental. Quem acha que só por que já sabe fazer alguma coisa, já tem capacidade de fazer outra, morre no meio do caminho. Quem escreveu um livro de poesia, só vai poder escrever um romance se tiver disciplina. Um ator precisa de horas e horas de disciplina para enfrentar tantos outros papéis. Aquele que teve a felicidade de escrever um texto para teatro, precisará de muita disciplina para refazer várias e várias vezes a mesma história. E um diretor precisará fazer muitos “curtas” até atingir o ponto ideal de filmar o seu longa-metragem.

É assim, a vida na arte não tem espaço para seres humanos que se acham o máximo. Nas artes o trabalho é duro e ninguém vai se transformar em escritor de novelas da noite pro dia. Há muita estrada para se caminhar e muitas experiências para serem acumuladas. Nas artes não tem espaço para pressa. Não há espaço para pular etapas. Há muita dedicação e disciplina.

E a maior lição de todas: a humildade. Para reconhecer que ainda não está pronto. Para aceitar que não atingiu o que se queria passar. Que não se deu o suficiente para um certo papel. Que podia escrever bem melhor do que fez. E, acima de tudo, reconhecer como é necessário aprender, aprender e aprender.

É triste quando recebemos críticas sobre aquilo em que dedicamos toda a nossa verdade, corta o coração. Mas é preciso perceber que o ser humano só será o máximo, quando entender a sua pequenez diante da magnitude daquilo que ele tanto quer fazer. O artista jamais será maior que sua arte.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Bastidores do espetáculo "Réquiem" fotografado em Maio de 2009 em São Paulo.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

PROGRAMA ATEMPORAL


O objetivo da Festa do Teatro, inédita no Rio de Janeiro, é democratizar o acesso à rica diversidade da produção cênica contemporânea brasileira e levar cultura para pessoas com menos acesso às produções nacionais de qualidade. As peças incluem montagens realizadas por grupos teatrais autônomos e também grandes produções. A retirada dos ingressos é completamente gratuita, cada pessoa pode retirar um par de ingressos para uma peça a escolher de acordo com a disponibilidade do posto de distribuição.

Data das apresentações dos espetáculos: de 23 a 29 de agosto de 2010

Data, locais e horários de distribuição dos ingressos:
- dia 20/08 na Cinelândia - Centro do Rio de Janeiro | das 13h às 17h
- dia 21/08 na Cinelândia - Centro do Rio de Janeiro | das 12h às 16h
- dia 21/08 na Praça do Rink - Centro de Niterói | das 12h às 16h

Veja a lista completa das peças participantes, horários e demais informações no www.festadoteatro.com.br

Realização: Grupo Parlapatões, Chaim Produções, CoARTE e J.Leiva Cultura & Esporte
Patrocínio: Grupo CCR
Apoio: Cielo
Apoio institucional: Prefeitura do Rio de Janeiro, Prefeitura de Niterói, Fundação Arte de Niterói, Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro


Há 12 anos exercendo nos palcos a arte do teatro sem palavras, a companhia Cia Dos à Deux faz a estreia nacional do sexto espetáculo de seu repertório: Fragmentos do Desejo.

Radicados na França desde o início dos anos 90, o brasileiro André Curti e o angolano naturalizado brasileiro Artur Ribeiro, fundadores do grupo, fizeram do espetáculo o início de uma nova etapa da trupe. Além da dupla, a peça apresenta em cena os atores Maya Borker e Matias Chebel.

No palco, eles dão vida a quatro personagens: o pai Angelo, seu filho Angel, a governanta Olga e o cego Orlando. As histórias deles são contadas de forma não linear, focando nas relações humanas, de desejo, de culpa e de segredos, em busca de uma identidade.

Serviço

Temporada: Até 24 de outubro de 2010.
Horário(s): Quarta a domingo, ás 19hs.
Local: Centro Cultural Banco do Brasil
Endereço: Rua Primeiro de Março, 66, Centro - Rio de Janeiro/RJ
Telefone(s): (0**21) 3808-2007
Ingresso(s): R$ 10,00.


O espetáculo Uma Linda Kuaze Mulher é uma comédia caricata que aborda temas atuais com muito bom humor. A relação da empregada doméstica com seus patrões, o preconceito racial, a questão das doenças sexualmente transmissíveis e a atual política brasileira, são apenas alguns dos assuntos da peça.

O texto de Denilton Neves, adaptado por Mario Cardona, é uma paródia ao filme quase homônimo e conta a história de Julia Roberta, uma empregada doméstica que quer vencer na vida e tem o sonho de ser uma grande estrela dos palcos. Personagens como Cintia, a vilã da história, da amiga Lia Lábios de Mel e do seu pretendente Ricardo Gerardo são apenas alguns dos personagens da peça.

Mario Cardona assina a direção do espetáculo, numa concepção que usa o teatro de besteirol, inspirado nas revistas em quadrinhos e nos desenhos animados, onde o gestual seguido da expressão facial está sempre presente. Uma Linda Kuaze Mulher é o verdadeiro teatro do besteirol, um teatro que satiriza temas polêmicos da atualidade.

Ficha Técnica

Espetáculo: Uma Linda Kuaze Mulher
Elenco: Adriano Balluz, Aziz Àlkimim, Diego Sant´ana, Eduardo Boone, Erlande D´Lutz, Raphael Monteiro, Thiago Gaudêncio e Wagner Freitas.
Participação Especial: Marcela Tabet
Direção e Adaptação: Mario Cardona
Texto: Denilton Neves
Coreografia: Mario Cardona
Iluminação e Sonoplastia: Iamonã Vilhena
Fotografia: Kadu Freitas
Cenários e Adereços: Amilcar Barros
Maquiagem e Perucas: Wagner Freitas
Trilha Sonora e Arte: Caio Vianna
Contra Regra e Camarim: Zezé Ferilles e Mirian Gonçalves

Serviço

Temporada: Até o dia 29 de agosto de 2010.
Horário(s): Sábado, as 20h; domingo ás 18h.
Local: Agildo Ribeiro
Endereço: Rua Arquias Cordeiro, 446, Méier - Zona Norte - Rio de Janeiro/RJ
Telefone(s): (0**21) 2241-9781
Ingresso(s): R$ 25,00.

EXPOSICÃO


Capoeira - Luta, Dança e Jogo da Liberdade

A exposição Capoeira - luta, dança e jogo da liberdade é uma mostra fotográfica itinerante, que poderá ser vista na Caixa Cultural do Rio de Janeiro até o dia 10 de outubro. O evento apresenta fotografias de André Cypriano e é fruto de pesquisa para o livro homônimo lançado em 2009.

O trabalho do fotógrafo resgata a história da capoeira, desde seu surgimento no Brasil Colonial até os dias de hoje, ressaltando aspectos de promoção e valorização da cultura nacional, além de sua função de agregação social. A exposição, com curadoria de Denise Carvalho, é composta de 11 fotografias em preto e branco, 29 fotos coloridas e 10 ilustrações, de Debret e Auguste Earle.

As fotos reunidas revelam uma rica manifestação cultural brasileira, reconhecida e praticada em várias camadas sociais, aqui e em diversos outros países. A expografia recria um ambiente de sala de capoeira e utiliza elementos como um assentamento para Exu - entidade que deve ser cumprimentada antes do início de qualquer roda - , uma fotografia em louvor ao grande Mestre Pastinha, instrumentos musicais utilizados na prática, tecidos e pinturas em cores fortes, sempre presentes na capoeira de Angola, além de ambientação sonora típica das rodas.

Foto: Divulgação

Exposicão: Luta, Dança e Jogo da Liberdade
Local: Caixa Cultural - Grande Galeria - Rio de Janeiro/RJ
Endereço: Avenida República do Chile, 230 - Centro - Rio de Janeiro/RJ
Datas: Até 10 de outubro de 2010.
Horário(s): De Terça á sexta, das 10hs às 18hs; sábado, domingo e feriado, das 14hs às 18hs.
Telefone(s): (0**21) 2262-5483 / 2262-8152
Ingresso(s): GRATUITO

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

LUGAR DE PIPOCA É NO CINEMA


Está certo que o público não foi educado para freqüentar as salas de teatro, a gente até entende, mas alguém precisa avisá-lo que Teatro não é Cinema. Não dá para entrar na platéia levando latas de refrigerantes, salgadinhos, chocolates, pipocas e mais pipocas, fazendo aquela algazarra. Teatro não é lugar de fazer piquenique.

Quando você vai ao teatro, você vai para ver a apresentação e isto pressupõe que você tenha algum interesse e, portanto, precisa estar com a sua atenção voltada para o que se passa em cena. Como que alguém que está mais interessada em comer pipocas pode entender o que se passa em cena? Além do mais, com a sua mastigação, com certeza atrapalhará o ator em cena. Aí você diz: - Ah, mas comer pipoca no cinema pode!

Concordo com você. No cinema, a pipoca é até uma boa companhia, principalmente quando o filme que passa na tela é de nos dar sono, ou não nos traz nenhum interesse. E o principal: O filme já foi gravado e o ator pouco vai se importar se você come ou não pipocas.

O teatro é uma arte feita ao vivo e qualquer movimentação estranha, que possibilite desviar a atenção do ator, ou desconcentrá-lo, pode colocar todo o espetáculo a perder. Teatro é lugar de atenção, de silêncio, de contemplar todo o esforço que o ator fez e faz para apresentar o seu espetáculo. Teatro não é lugar para bate-papos, telefones celulares e comilanças de pipocas com refrigerantes.

Outro dia, estava na fila aguardando a abertura do teatro para assistir um espetáculo infantil, quando na minha frente, chega uma mãe e dois filhos, trazendo garrafinhas de guaraná, sacos de salgadinhos, e algumas tantas guloseimas. Então, viraram para ela e disseram: - Não pode entrar com comida no teatro. De pronto ela perguntou: - Mas as crianças vão ficar com fome? E voltaram a afirmar que comida no teatro, não podia. Ela ficou indignada com negativa, mas permaneceu na fila. E o pior que espetáculo tinha duração de cinqüenta minutos. Será que em cinqüenta minutos as crianças dela morreriam de fome?

Por isso, acho que dentro da campanha de popularização do teatro, devia-se incluir a campanha de como se comportar dentro de uma sala de teatro. Se é mais importante comer pipoca do que assistir ao espetáculo de teatro, então que se vá ao cinema e se fartem.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Cinemark Barigui

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

PROGRAMA ATEMPORAL


Um espetáculo é interrompido pela atriz principal repentinamente, que decide assumir sua crise existencial diante do público. Ela participa de um triângulo amoroso com dois atores de sua companhia teatral, o ex-marido e sua atual amante. Em A Loba De Ray-Ban, Christiane Torloni, Leonardo Franco e Maria Maya são os três atores que discutem sobre moral e sobre os relacionamentos amorosos.

Nessa nova versão, dirigida por José Possi Neto, passados 22 anos, os papéis se invertem. Christiane Torloni passa a fazer o papel que era de Raul Cortez. Leonardo Franco o que era de Christiane e o papel do jovem ator, antes representado por Leonardo, agora será feito pela jovem atriz Maria Maya. O triângulo garante voyerismo, bissexualidade e expõe o cotidiano nos camarins e coxias de um teatro.

Ficha Técnica

Espetáculo: A Loba De Ray-Ban
Elenco: Christiane Torloni, Leonardo Franco e Maria Maya
Texto: Renato Borghi
Direção: José Possi Neto
Cenário: Jean-Pierre Tortil
Figurino e Visagismo: Fabio Namatame
Iluminação: José Possi Neto
Trilha Sonora: Túnica e Aline Meyer
Preparação Corporal: Suzana Mafra
Programação Visual: Denise Mattar
Direção de Produção: José Luiz Coutinho e Elza Costa
Produção Executiva: Wagner Pacheco
Foto: Divulgação / Luiz Tripolli

Serviço

Temporada: De 24 de julho a 12 de setembro de 2010.
Horário(s): Sexta e sábado, as 20h; Domingo, às 18h.
Local: Teatro Carlos Gomes
Endereço: Praça Tiradentes, s/nº, Centro - Rio de Janeiro/RJ
Telefone(s): (0**21) 2232-8701 / 2224-3602
Ingresso(s): R$ 30,00.


Após longa e bem sucedida temporada em São Paulo, o espetáculo O Crápula Redimido, escrito e dirigido por Leonardo Cortez, está em cartaz no Sesc Tijuca. O texto é parte do livro Trilogia Canalha, lançado em 2008 pelo dramaturgo.

No palco, a peça mostra a história de um empresário inescrupuloso, que tem nos sete pecados capitais a sua filosofia de prosperidade. Ao longo da trama, o empresário descobre sofrer de uma doença incurável e diante da perspectiva da morte inicia uma epopéia rumo à redenção, descobrindo que todas as pessoas que ele julgava prejudicar, na realidade são tão calhordas quanto ele.

O espetáculo tem no elenco Gil Hernandez, Cláudia Paiva, Claudio Amado, Patrícia Batitucci, Julia Sabugosa e Charles Myara. A sonoplastia fica por conta de Ricardo Corte Real e é executada ao vivo pela cantora Lia Sabugosa. Em O Crápula Redimido, o caráter do brasileiro é colocado em xeque, numa tragicomédia que aponta as incoerências sociais, a selvageria do mundo corporativo e os sacrifícios éticos do homem moderno na busca pela estabilidade.

O texto de Leonardo Cortez tem como características a agilidade dos diálogos e a construção de cenas a partir de grande intensidade dramática.

Ficha Técnica

Espetáculo: O Crápula Redimido
Elenco: Cláudia Paiva, Gil Hernandez, Claudio Amado, Patrícia Batitucci, Julia Sabugosa e Charles Myara
Texto e Direção: Leonardo Cortez
Iluminação: César Germano
Figurinos: Pedro Lacerda e Fernanda Garcia
Música Original: Leonardo Cortez e Conrado
Trilha Sonora: Ricardo Corte Real
Música ao vivo: Lia Sabusoga
Foto: Divulgação

Serviço

Temporada: De 6 á 29 de agosto de 2010..
Horário(s): Sexta, sábado e domingo, às 20h.
Local: Teatro Sesc Tijuca
Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539, Tijuca - Zona Norte - Rio de Janeiro/RJ
Telefone(s): (0**21) 3238-2100
Ingresso(s): R$ 16,00.


O espetáculo Lisístrata, A Greve do Sexo relata a história de mulheres que resolvem protestar, enquanto os homens não votarem leis favoráveis à paz. Lideradas por Lisístrata e cansadas da guerra, as mulheres do país conspiraram uma revolta e instauraram uma greve geral. O resultado do protesto fez com que, após 3 meses, todos no país se sintam absolutamente necessitados do prazer carnal.

Nesta inteligente comédia recheada de humor ácido e apimentado, o escritor grego Aristófanes usa a libido sexual como tema, para trazer à tona uma reflexão profunda a respeito da guerra e da paz, da reconciliação, da disputa entre os gêneros e sobre o amor. O escritor é considerado um dos mais importantes autores universais e um dos pais da comédia ocidental.

Apesar de ser escrito aproximadamente 411 a.C., o texto acaba narrando um assunto muito atual nos dias de hoje: a busca pela sensibilização e uma visão sobre o futuro desastroso que o homem está construindo, na barbárie e no caos em que vivemos.

Ficha Técnica

Espetáculo: Lisístrata, A Greve do Sexo
Texto: Aristófanes
Direção e adaptação: Daniel Terra
Elenco: Clara Porto, Daniela Porfirio, Fabiana Oliveira, Flávia Porto, Gisa Gomes, Gustavo Muricy, Jaqueline Braga, Jean Éder, Romulo Bolivar, Ronald Sohma, Thaís Chen, Vitor Andrade, Victor Sousa, Vinícios Soares e Wellington Cássio
Trilha Sonora: Cristian Porto
Produção: Daniel Terra e Jorge Wilson Braga
Figurinos e cenografia: Grupo Barcarola Teatro
Foto: Divulgação

Serviço

Temporada: De 7 á 29 de agosto de 2010.
Horário(s): Sábado e domingo, às 21h.
Local: Teatro Henriqueta Brieba (Tijuca Tênis Clube)
Endereço: Rua Conde de Bonfim, 451, Tijuca - Zona Norte - Rio de Janeiro/RJ
Telefone(s): (0**21) 3294-9326
Ingresso(s): R$ 20,00.

EXPOSICÃO


As Palavras Que Nos Faltaram

O Ateliê da Imagem Espaço Cultural, em parceria com o Escritório de Fotografias, de Luiz Porchat, fazem a exposição coletiva As Palavras Que Nos Faltaram, com obras de 12 artistas visuais brasileiros. A galeria é virtual e tem o objetivo de representar fotógrafos já consagrados e novos talentos, e promover a arte da captação da imagem, estimulando discussões e o colecionismo.

O Ateliê é localizado na Urca e recebe fotos dos seguintes artistas brasileiros: Ana Lucia Mariz, Christiana Carvalho, Fausto Chermont, Ilana Bessler, Jaques Faing, Jordi Burch, Luciano Bonomo, Luigi Stavale, Patricia Gouvêa, Paula Brandão, Penna Prearo, Renan Cepeda.

Outro intuito da mostra é o de acompanhar e apresentar novas tendências, além de apoiar a criação e a relação das novas tecnologias com as mais tradicionais, para a promoção, a produção e a divulgação da fotografia no mundo.

Foto: Patrícia Gouvêa

Exposicão: As Palavras Que Nos Faltaram
Local: Ateliê da Imagem - Rio de Janeiro/RJ
Endereço: Avenida Pasteur, 453 - Urca - Zona Sul - Rio de Janeiro/RJ
Datas: De hoje, 13 de agosto de 2010 á amanhã, 14 de agosto de 2010.
Horário(s): Sexta, das 10h às 21h; Sábado, das 10h às 17h.
Telefone(s): (0**21) 2541-6930 / 2541-3314
Ingresso(s): GRATUITO

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O CARINHO DA DAGUI


A Cia. De Teatro Atemporal recebeu com muita honra de Dagmar, do Blog Mania Colorida o selo "BLOGTIGRÃO". Isso deixa a companhia muito feliz, pois receber selos como este não tem preço.

Agradecemos de coração a Dagui, pelo selo e pelo lindo carinho que tem por nós; e a você, que sempre prestigia o melhor conteúdo do teatro em nosso Blog, pois todos vocês fazem deste humilde Blog ATEMPORAL!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ENTRE DRAMAS E COMÉDIAS


Todo dia a mesma rotina, maquiagem, figurino, primeiro sinal, segundo sinal, nervosismo, frio na barriga, terceiro sinal, as cortinas se abrindo... Parece uma vida comum de um cidadão comum, não é? Mas, não é! O que essa rotina tem de diferente? Uma mesma história, contada todos os dias, de um jeito diferente, por um cidadão que jamais será o mesmo.

É assim, entre dramas e comédias que o ator faz da rotina de uma apresentação algo sempre inovador, mesmo que às vezes ela lhe pareça cansativa, ao abrir as cortinas e o foco o encontrar em cena, aquilo que lhe poderia ser a mesmíssima rotina de todos os dias, se dissipa entre lágrimas e gargalhadas, desaguando num rio de aplausos.

Esta é verdadeiramente a missão de um ator: pegar os fatos comuns, de uma vida comum, passados com cidadãos comuns, descritos em formas de ação por um dramaturgo, levá-los ao palco e revirá-los, demonstrá-los, interpretando-os sempre de uma maneira singular, ao ponto de que se alguém for assistir todos os dias, sempre achará que está assistindo um espetáculo diferente.

Ator é poder representar a vida sob a ótica de todos os olhos, é poder experimentar todas as possibilidades de sentimentos e emoções, é poder deslumbrar sobre todos os pontos de vistas possíveis e inimagináveis, é poder esgotar todas as sensações entre o riso e a comoção, transformando todos os dias, as mesmas situações que a mesma história rotineira não é capaz de mostrar.

É sobre o palco, através da arte de interpretar, que a vida deixa de ser comum e rotineira. É através da rotina das apresentações encenadas dia e noite que o ator nos permite experimentar a possibilidade de poder ver a mesma história de mil e uma possibilidades, enxergando algo que os olhos nus, de cidadão comum não são capazes de ver.

Vivendo no palco os dramas e as comédias, externando os nossos medos, os nossos anseios, desvendando nossas mentiras, desfazendo nossas verdades absolutas, violando nossos segredos, desmascarando nossas vidinhas comuns, nossa pequenez humana, nosso egocentrismo, nossa vaidade, nossa felicidade, assim é a vida do ator, sobre o palco, retratando a rotina dos mortais.

Pena que muitos, entorpecidos pelo poder de fazer da vida algo diferente a cada interpretação, acham-se semideuses e colocam tudo a perder, colocando as próprias vidas no mesmo patamar da vida comum, de um cidadão comum, que vive sempre a mesma história.

Escrito por Paulo Sacaldassy 

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Espetáculo "CARDENIO" (2009)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

PROGRAMA ATEMPORAL


O espetáculo Os Insatisfeitos mostra com bom humor seis pequenas histórias sobre a vida de casais que passam por problemas contemporâneos do cotidiano. Entre os temas tratados na peça, estão um homem em crise de identidade, uma mulher que precisa resolver o estilo da festa que vai marcar a sua reentrada na sociedade, um casal dependente de cigarros e calmantes, entre outras situações.

A peça, que destaca as dificuldades do homem contemporâneo em definir um sentido para sua existência, tem texto e direção de Lula Braga e o elenco é formado por Vinícius Messias e Fernanda Neder Martinez, que intercalam os figurinos e interpretam diversos personagens diferentes.

Serviço

Temporada: De 15 de julho a 26 de setembro de 2010.
Horário(s): Quinta, sexta e sábado, às 21h; Domingo, às 20h.
Local: Teatro Candido Mendes
Endereço: Rua Joana Angélica, 63, Ipanema - Zona Sul - Rio de Janeiro/RJ
Telefone(s): (0**21) 2267-7295
Ingresso(s): R$ 40,00 (quinta, sexta e domingo) e R$ 50,00 (sábado).



Com texto de Joseph March, a peça mostra os acontecimentos em uma festa onde tudo é permitido. O espetáculo se passa nos anos 20, em Manhattan, e é inspirado no poema The Wild Party, do mesmo Joseph. Festa Selvagem na Era do Jazz tem adaptação e direção de Paulo Afonso de Lima.

O espetáculo trata da decadência da moral e dos bons costumes preestabelecidos na sociedade norte-americana em meio ao sucesso dos clubes de jazz, do uso de drogas e da suposta libertinagem vigente durante a crise de 1929. O elenco tem Ronaldo Dal´Bianco, Simone Rosa e Daniela Schmitz, entre outros. Festa Selvagem na Era do Jazz tem dança, música, fantasia e luxo, em uma história contada com bom humor e realismo.

Na trama, a dançarina de cabaré Queenie é casada com Burrs, um cômico frustado. Para camuflar a monotonia de suas vidas, decidem fazer uma festa onde tudo seria permitido. A partir dali, desenrola-se uma noite ardente, intensa e cheia de surpresas.

Serviço

Temporada: De 16 de julho a 29 de agosto de 2010.
Horário(s): Sexta e sábado às 21h30; Domingo às 20h30.
Local: Teatro Ipanema
Endereço: Rua Prudente de Moraes, 824, Ipanema - Zona Sul - Rio de Janeiro/RJ
Telefone(s): (0**21) 2523-9794
Ingresso(s): Sexta, R$ 50,00; Sábado e domingo, R$ 60,00.



A peça Corações Partidos, Rádio, Tele, Teatro Novela é uma comédia que conta a história de artistas que viveram nas décadas de 60, 70 e 80. No espetáculo, o tempo se mistura de forma divertida e traz algumas lembranças da era do rádio e de fatos ocorridos nestas décadas.

Escrita e dirigida por Andréa Dhetty, a comédia é dinamica e tem muita música. A passagem através dos tempos acontece de forma bastante rápida e conta com uma grande dose de humor e de irreverência. O espetáculo também homenageia os artistas de hoje em dia, que se desdobram em múltiplas funções para realizar suas próprias produções. A peça é produzida pela Almanaki Cia.

Ficha Técnica

Espetáculo: Corações Partidos, Rádio, Tele, Teatro Novela
Elenco: Andréa Dhetty, Dan Venturi, David Villegas, Emerson Silva, Maurício Sanchez, Raffael Araújo e William de Moraes.
Texto e direção: Andréa Dhetty
Produção: Almanaki Cia

Serviço

Temporada: Todas as sextas, de 23 de julho a 27 de agosto ( exceto dia 13 de agosto).
Horário(s): 20:00hs
Local: Teatro Dercy Gonçalves
Endereço: Rua Professor Valadares, 262 Grajaú Country Clube, Grajaú - Zona Norte - Rio de Janeiro/RJ
Telefone(s): (0**21) 2293-2797
Ingresso(s): R$ 10,00

EXPOSICÃO


Zeróis: Ziraldo na Tela Grande

A exposição Zeróis: Ziraldo na Tela Grande revela uma nova faceta de Ziraldo - criador de personagem O Menino Maluquinho e um dos grandes nomes da arte brasileira. Nessa nova empreitada, o artista pinta cartuns em enormes telas de acrílico.



A exposição contará com as já clássicas charges de super-heróis em situações cômicas, mostrando a faceta crítica e bem-humorada do cartunista. Os quadros estarão expostos nas salas B, C e D, que ficam no segundo andar do CCBB na capital fluminense.



Exposicão: Zeróis: Ziraldo na Tela Grande
Local: Teatro CCBB II - RIO DE JANEIRO
Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 - Centro - Rio de Janeiro/RJ
Datas: De 20 de julho a 19 de setembro de 2010.
Horário(s): Terça a domingo, das 10h às 21h.
Telefone(s): (0**21) 3808-2020
Ingresso(s): GRATUITO

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A ARTE DE EXPOR O CORPO NU


Ah, a beleza! A beleza é coisa dos deuses e de deuses, pobres mortais não tem esse poder. E mais e mais beldades desfilam suas ignorantes belezas diante de nossa visão embasbacada pelo encantamento que elas causam. E não tem nada mais artístico do que expor o próprio corpo nu. Ah, como é bom quando se é um escolhido dos deuses!

As portas estão sempre abertas e tudo se ofusca diante da beleza! Um corpo que exala a arte da beleza vira celebridade, ganha papel em novela no horário nobre, desfila suntuosamente a sua importância, diante do público, enfeitiçado. Ah, a beleza! Como dá trabalho!

Azar dos artistas que são feios e carrancudos, que precisam debruçar os seus saberes entre livros e poesias, entre “Shakespeare” e “Eurípides”. Passarem noites e dias em suados exercícios de interpretação e mais dias e noites buscando um humilde lugar no Olimpo, pensado apenas em mostrar a singela arte de interpretar. Ah, se eles fossem belos!

Não perderiam tempo com tanta banalidade, livros e clássicos são apenas para os feios. Se fossem belos, precisariam apenas debruçar seus corpos torneados em pranchas de abdominais e suarem em exercícios de supinos. Passariam noites e dias em salões de estética e estampariam seus rostos em revistas de celebridades. Ah, como faz falta a beleza!

Sem ela tudo fica mais difícil, não se tem quase chance num já concorrido mundo dos mortais. Por mais que o encantamento do saber comova, o encantamento da beleza ofusca e faz tornar entediante, o ato de ouvir declamações poéticas e discursos filosóficos. Para quê, se temos a arte da beleza de um corpo nu exposto em páginas de revistas? Ah, a beleza é fundamental, como já disse um dia o poeta.

E o que seria do poeta sem a beleza? Apenas versos secos e cinzentos, seria apenas natureza morta em telas esbranquiçadas, apenas melodias monocórdias de um zoar irritante. Pena que a beleza que outrora era apenas musa da criação, ganhou ares de artista e passou a achar que seu corpo tornou-se a própria arte, a ponto de expô-lo nu em troca de se tornar celebridade. Ah, a beleza! Como ela cega!

Sorte ter nascido poeta, pois assim consigo enxergar a beleza do jeito que ela realmente é. Apenas algo que encanta os olhos, que inspira a alma e faz os dias ficarem bem mais bonitos.

Escrito Por Paulo Sacaldassy 

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Espetáculo "Teatro Para Pájaros" (2007)