segunda-feira, 31 de maio de 2010

A AUSÊNCIA DO PÚBLICO


Por mais que a produção seja caprichada, que o texto tenha o conteúdo apropriado, que os atores estejam afinados dentro de seus papéis, nada, nada adianta, pois a platéia quase sempre está vazia, ou salpicada de meia dúzia de gatos pingados espalhados pelo teatro e, olhe lá!

Meses de trabalho árduo, gastos com produção, quase sempre de próprio bol-so, mais, cenário, figurinos, sonoplastia, tudo cuidado com todo zelo, até a preocupação de fazer um bom investimento na divulgação da peça não consegue ser suficiente e, apesar de tudo, isso não parece o bastante para convencer o público de quão boa é o espetáculo.

É lamentável, por vezes, entristecedor ir assistir a um espetáculo e não ver mais do que cadeiras vazias ao seu lado e lá no palco, o artista dando o seu melhor se preocupando apenas com a sua arte, procurando não demonstrar a desilusão pela não presença do público. Muitos espetáculos não agüentam mais do que uma temporada de um mês.

Não se pode nomear os altos preços como o grande e único vilão pelo esvaziamento do público teatral, pois, hoje em dia, ir ao cinema está bem mais caro do que assistir um espetáculo teatral, exceção feita apenas aos espetáculos de grandes nomes da televisão, onde os tão falados preços populares não são tão populares assim, mas isso é assunto para uma outra hora.

Talvez a resposta mais correta e a mais verdadeira, seja a falta de formação de uma platéia acostumada a ir ao teatro. Durante muito tempo, ir ao teatro sem-pre foi muito caro e um sonho bem distante para a grande maioria da população, mesmo que hoje ainda seja. Mas apesar de toda a campanha de popularização do teatro, nada se mostra eficiente para trazer o público ao teatro. Até espetáculos gratuitos, muitas vezes, não conseguem encher suas platéias.

Acho que somente daqui alguns anos, com a insistência em levar as crianças para assistirem uma peça de teatro, principalmente solidificando a idéia de projeto-escola e implementando a campanha de popularização do teatro, além de incentivar cada vez mais os jovens para que estes conheçam o universo do teatro, pode-se ter uma mudança no quadro atual.

Por hora, cabe a todos nós que fazemos teatro, continuar a quebrar pedras, respeitar aqueles que se dispõe a prestigiar o nosso espetáculo e, por fim, desenvolver a arte de interpretar para cadeiras vazias e aceita-las como os nossos mais fiéis espectadores, pois, embora elas não batam palmas, sempre nos darão a certeza de uma casa cheia.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: SESI-SP

sexta-feira, 28 de maio de 2010

PROGRAMA ATEMPORAL


Um casal se conhece na infância e vive junto até a velhice. Compartilham nascimentos, mortes, sentimentos, encontros e despedidas. A maturidade de uma vida a dois é o enredo do espetáculo A Casa de Lá.

Inspirada na obra de Guimarães Rosa e fruto de um trabalho de pesquisa desenvolvido no Vale do Jequitinhonha, idealizado pelo ator Cristiano Peixoto, a peça será apresentada hoje (28/05), amanhã (29/05) e domingo (30/05), na Fundição Progresso.

Ficha Técnica

Espetáculo: A Casa de Lá
Ideia original: Cristiano Peixoto
Direção: Ricardo Gomes
Dramaturgia: Ricardo Gomes e Cristiano Peixoto (livremente inspirada na obra de João Guimarães Rosa e nas histórias orais dos moradores do Vale do Jequitinhonha).
Elenco: Amanda Prates, Cristiano Peixoto e Priscilla Duarte
Direção musical e trilha sonora original: Amanda Prates
Músicos: Grupo Girau - Gabriela da Costa e Daniel Guedes
Figurino: Priscilla Duarte
Cenário: Bruna Christófaro
Teatro de sombras: Grupo Cine Teatro Vagalume - Paulinho Polika e Thaís Moreira
Iluminação: Felipe Cosse
Foto: Naty Torres

Serviço

Temporada: 28, 29 e 30 de maio de 2010
Horário(s): Sexta, sábado e domingo, ás 20h
Local: Fundição Progresso - RJ (Informações)
Ingressos: R$ 14,00



Inspirado em obra do dramaturgo francês Molière e traduzido por Millôr Fernandes, o espetáculo As Eruditas está cartaz no Teatro Maison de France, até 6 de junho. A montagem traz a história de Henriqueta e Armanda, filhas de um fidalgo da alta sociedade parisiense.

A mãe, Filomena, decide casar uma de suas filhas com um oportunista metido a poeta, ainda que ela seja apaixonada pelo noivo, de simplicidade intelectual. O texto aborda as nuances humanas como a crueldade, a hipocrisia, o preconceito e outros defeitos da sociedade.

Ficha Técnica

Espetáculo: As Eruditas
Texto: Molière
Tradução: Millôr Fernandes
Direção: José Henrique
Elenco: Jacqueline Laurence, Henrique César, Emilia Rey, Gustavo Ottoni, Cristina Veloso, Vitória Furtado, Marcelo Sant'Anna, Helena Labri, Roberto Padula e Thereza Amayo
Foto: Chico Lima

Serviço

Temporada: Até 06 de junho de 2010
Horário(s): De Quinta á sábado ás 20hs e aos domingos, ás 19hs.
Local: Teatro Maison de France - RJ
Ingressos: R$ 50,00 (quinta e sexta); R$ 60,00 (sábado e domingo).


EXPOSIÇÃO


O Bangu Shopping presta uma homenagem ao bairro homônimo com a exposição permanente Bangu: Ontem, Hoje e Sempre, que apresenta 37 fotografias históricas espalhadas pelos corredores do centro de compras.

Dentre tais imagens, estão a inauguração da Fábrica de Tecidos Bangu em 1983, os desfiles Miss Elegante Bangu no Copacabana Palace entre os anos 30 e 50 e a estação de trem da região em 1936 (foto).

Informações

Exposição: Bangu: Ontem, Hoje e Sempre
Local: Bangu Shopping
Data(s): Por tempo indeterminado
Horário(s): De Segunda á sábado, das 10h às 22h e aos Domingos, das 12h às 21h
Ingressos: Grátis
Foto: Divulgação

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A ARTE PRECISA REAGIR!


Em um desses dias me peguei diante da TV assistindo ao jornal que me parece ser o mesmo a cada dia, parece que só mudam as datas, pois as notícias são sempre previsíveis: - Assalto, violência, Tragédia, morte... E por ai vai.

Nesse mesmo instante me veio uma reflexão a cerca da arte. Uma pergunta quase que instantânea se instalou na minha mente, e fico a perguntar a mim mesmo, que futuro pode ter um país cujo povo é bombardeado 24 horas por dia com o mesmo tipo de notícia torpe? Que tipo de adultos teremos daqui a dez, vinte ou trinta anos...?

Perguntas por enquanto sem respostas, porém, uma certeza me vem. Mais do que nunca o povo precisa de arte! De todo tipo de arte, para combater essa lavagem cerebral que tem como único objetivo a disseminação do horror e do caos, como forma de atrofiar a mente humana...

Outro dia vi uma reportagem (de quase 20 minutos) que mostrava a vida de “um famoso traficante” dentro da cadeia (pois famoso a mídia o fez), vejam o absurdo! Então pensei, quantos e quantos artistas não batem às portas da TV´s, rádios e jornais todos os dias em busca de apoio para simplesmente divulgarem seus trabalhos e são sumariamente ignorados.

Ou seja, temos uma imprensa que transforma bandidos em verdadeiras celebridades e se negam a divulgar coisas realmente interessantes, que possam de alguma forma contribuir para o crescimento e o desenvolvimento cultural da sociedade.

Diante deste sistema caótico que se mostra, penso que é preciso uma reação por parte da nossa arte! Para que a sociedade possa ver que o mundo não se restringe a este monstruoso quadro mostrado pela mídia oportunista e tendenciosa que temos. É preciso, no entanto que os artistas se unam para levarem sua arte ao maior número de pessoas possíveis. É preciso reagir! E reagir fazendo arte, que tem o poder de fazer as pessoas refletirem, pensarem, e assim, também reagirem.

O artista tem diante de si um grande desafio, e não pode se dar por vencido diante das dificuldades impostas pelo sistema... E isso se aplica a arte em todas as suas vertentes. Ao pequeno grupo de teatro que tem dificuldades em conseguir espaço para fazer seus ensaios, ao artista plástico que não consegue expor seu trabalho, ao escritor que não consegue publicar sua obra, ao músico que não consegue demonstrar seu trabalho, enfim...

É preciso reagir! E reagir é próprio do artista, daquele que traz dentro de si não o desejo doentio pela fama efêmera a qualquer custo, mas aquele que traz no peito o amor incomensurável pela arte que faz. O artista que se sente pago pelo simples fato de poder fazer e mostrar sua arte.

É preciso vencer as barreiras, pensar diferente, criar novas formas, novos meios de disseminar a arte neste país que adoece a cada jornal, a cada novela, a cada BBB... É preciso ir na contramão das tendências e fazer valer a luta dos mártires do passado que se entregaram por um novo dia.

Mais do que nunca o mundo precisa do artista, do verdadeiro artista. Da arte, da verdadeira arte. Mais do que nunca, a arte precisa reagir!

Escrito por Manoel Messias 

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Espetáculo de rua "Carmen Funebre" da companhia polonesa Teatr Biuro Podrózy (2008)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

PROGRAMA ATEMPORAL


Até o dia 30 de maio, o Teatro do Leblon apresenta A Marca do Zorro, com texto e direção de Pedro Vasconcelos. Ação, romance, intriga e aventura, ingredientes básicos para a conquista de toda a família, fazem parte do espetáculo que conta com Priscila Fantin, Thierry Figueira, Tadeu Mello e mais 17 atores em cena em lutas de esgrima, treinamento de parkours e dança flamenca.

Na história, um homem misterioso e mascarado enfrenta um exército de bandidos deixando em suas aparições sua famosa marca. Obrigados a roubar o ouro de suas próprias terras, o povo mexicano descobriu um herói misterioso, a única esperança de se livrarem da tirania espanhola. Entre lutas, espadas e romances, nosso herói mascarado nos leva a uma incrível e inesquecível aventura.

Ficha Técnica

Espetáculo: A Marca do Zorro
Texto: Pedro Vasconcelos
Direção: Pedro Vasconcelos
Direção musical: Bruno Marques
Elenco: Priscila Fantin, Thierry Figueira, Tadeu Mello, Gaspar Filho, Arthur Brandão, entre outros
Foto: João Miguel Junior

Serviço

Temporada: Até 30 de maio de 2010
Local: Teatro do Leblon - Sala Marília Pêra/RJ
Horário(s): Quinta a sábado, 21h; domingo, 20h.
Ingressos: R$ 50,00 (quinta e sexta); R$ 70,00 (sábado); R$ 60,00 (domingo).



Até o dia 4 de julho, o Centro Cultural Banco do Brasil apresenta o espetáculo Tempo de Solidão, com texto de Márcia Zanelatto e direção de Ivan Sugahara. O drama sobre separação venceu a edição de 2009 do projeto Seleção Brasil em Cena, cujo objetivo é montar textos de novos autores encenados por atores recém-saídos das principais escolas de teatro da cidade.

Ambientada numa estação de trem, a trama conta a história de um casal que se depara com chegadas e partidas e a possibilidade de uma vida diferente após o rompimento. Personagens lúdicos, como o mensageiro e o bilheteiro, interagem com o homem e a mulher, que esperam tomar novos rumos em seus destinos.

Ficha Técnica

Espetáculo: Tempo de Solidão
Texto: Márcia Zanelatto
Direção: Ivan Sugahara
Elenco: Bruno Dubeux, Carol Garcia, Fábio Cardoso, Marília Misailirdis, Samuel Paes Luna e Victor Mattos
Direção de Arte: Ruy Cortez
Iluminação: Renato Machado
Boneco e Direção de Manipulação: Márcio Newlands
Trilha Sonora: Ivan Sugahara
Diretora Assistente: Flávia Naves
Foto: Cristiane Assunção

Serviço

Temporada: Até 4 de julho de 2010
Local: Centro Cultural Banco do Brasil – Teatro III
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro/RJ
Horário: De Quarta a Domingo às 19h30
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia entrada)
Tempo de Duração: 50 minutos
Telefone: (0**21) 3808-2020
Capacidade de Público: 80 lugares
Acessível para cadeirantes

EXPOSIÇÃO


Até o dia 20 de julho, o Espaço Cultural Sérgio Porto traz a exposição Rio na Rua, de Aimberê César. O artista apresenta fotografias, desenhos e objetos. As obras abordam e criticam o projeto Choque de Ordem, promovido pela atual prefeitura.

Os temas explorados remetem a ícones da cultura popular das ruas cariocas, como o vassoureiro, o amolador, o coco, o vendedor de frutas, o verdureiro, além de ambulantes que comercializam mate e cerveja.


Informações

Exposição: Rio na Rua
Local: Espaço Cultural Sérgio Porto (INFORMAÇÕES)
Ingressos: Grátis.
Data(s): Até 20 de julho de 2010.
Horário(s): De quarta a sábado, das 14h às 21h e aos domingos, das 14h às 20h.
Foto: Divulgação

quinta-feira, 13 de maio de 2010

TEXTO INFANTIL NÃO É TEXTINHO


Acho que existe um grande equívoco quando se fala em texto para teatro infantil. Ás vezes pode ser que nem seja de forma pejorativa, mas as pessoas acabam sempre classificando os textos infantis como se fossem algo menor. Texto para teatro infantil não é textinho.

Talvez, escrever um texto infantil não seja muito mais trabalhoso do que escrever um texto para o público adulto devem pensar os leigos. Eles não tem é idéia! Escrever texto infantil é muito mais do que trabalhoso, pois não basta escrever e contar uma boa história, se faz necessário muito mais. Tem-se que acima de tudo, ter o cuidado de respeitar a criança como um espectador.

No afã de se montar um espetáculo de teatro, muitos recorrem aos textos de teatro infantil como se eles fossem mais simplistas, e essa forma de encarar os textos infantis é que me causa profundo descontentamento. Por que esse descaso com o teatro infantil?

Todo esse desrespeito, que começa com o texto, acaba desaguando nas montagens de espetáculos infantis, que são tratadas, na maioria das vezes, não como parte de uma arte, mas apenas como "teatrinho". Quantas vezes você já ouviu: "Vamos ao teatrinho?" Isso é o fim da picada, tanto para quem escreve, quanto para quem atua com o teatro infantil.

Se não bastasse tudo isso e todo o preconceito que ronda o trabalho do teatro infantil, muitas das pessoas que fazem teatro acabam por desmerecer o texto para o teatro infantil e todo o seu processo. Como dizia Tatiana Belinky: "Pecinha é a vovózinha!" É certo que as pessoas querem montar espetáculos infantis, mas respeitem os textos, por favor!

Espero que um dia, os textos para o teatro infantil tenham o mesmo reconhecimento que os textos para o público adulto, e que as pessoas, quando forem montar espetáculos infantis, comecem, no momento da escolha do texto, dando-lhe o devido respeito.

Então, você que acredita no teatro infantil, lembre-se que texto para o público infantil é algo muito sério. Ah, e também não esqueça: Texto Infantil não é textinho. E assim, sempre que for escolher um texto infantil, lhe dê o respeito que todo texto merece, combinado?

Colaborou: Oficina da Teatro; Foto: Espetáculo A Cinderela Segundo os Beatles (2008)