segunda-feira, 1 de novembro de 2010

VALE TUDO POR UM PÚBLICO?


Cada vez mais, as comédias escrachadas, os espetáculos chamados "besteirol", os "stand-up comedy" e coisas do tipo vão ganhando força e angariando cada vez mais público. É fato que o público de hoje em dia anda ávido por comédia, quer o riso fácil. Diz que de tristeza, basta a vida! Mas, será que vale tudo por um público?

Essa é uma dúvida que sempre pairará na hora de se produzir um espetáculo teatral. Optar por um clássico ou algo extremamente dramático ou partir para algo do tipo comédia da qual o público sempre estará disposto a assistir? Afinal de contas, é preciso garantir o leitinho das crianças, não é mesmo? Isso acaba pesado na hora da decisão de quem vive de arte. Que atire a primeira pedra, aquele que nunca teve de realizar um trabalho apenas pelo dinheiro, ignorando a qualidade artística do projeto.

Talvez, o ideal seria conseguir encontrar o equilíbrio e apresentar uma comédia que causasse o riso fácil e tivesse um texto com um pouco mais de profundidade, mas, nem sempre se encontra algo assim. Acontece que tem hora que é bem mais fácil ir na certa e garantir a bilheteria, porque tem vezes que desanima fazer apresentações com diálogos profundos e fazê-las para meia dúzia de gatos pingados.

O fato é que não cabe ficar aqui julgando que quem está certo é quem opta por apresentar comédias escrachadas ou quem prefere clássicos, teorias filosóficas e melodramas. A questão é saber se o artista está disposto a se "vender" para atender a vontade do público. Cada um deve saber o seu preço e o que quer do Teatro.

Por mais que muitos roguem pragas, desconjurem e queiram exorcizar aqueles que preferem " vender" a alma para o capitalismo selvagem, precisa-se medir sem preconceitos, o contexto do trabalho. Não é porque se trata de uma comédia, que não pode ser legal. Radicalismo não faz bem para nenhum dos lados.

É certo que essa questão causa e causará discussões infindáveis e que cada lado tentará mostrar a qualidade de sua arte, muito embora, todos sabemos que tem coisas por aí que chamam de arte, que pelo amor de Deus!... Mas isso é assunto pra depois.

O que não pode ser esquecido é que a opção também é do público. É ele quem está atrás das comédias escrachadas, dos "besteiróis", dos "stand-up comedy". O problema não é único e exclusivo do artista, talvez o público prefira mesmo "emburrecer" ou simplesmente se entreter sem maiores questionamentos e reflexôes.

A verdade sobre esse assunto é que os "don quixotes" do teatro continuarão correndo atrás dos seus moinhos de vento, alguns não tão radicais sobre essa questão, tentarão encontrar um meio termo e outros tantos, que pensam a arte como um simples produto de entretenimento, estarão sempre dispostos a venderem suas almas ao diabo, para poderem contar com o teatro entupido de gente.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: "Greta Garbo Quem Diria…" (2010)

7 comentários:

  1. Otimo. è o que acontece na minha terrinha de meu Deus (Rio Branco - Acre)... de vez em quando surge por aqui os caça-niqueis globais. com uma bela comédia escrachada onde o ingresso é nada mais que 80 reais, sendo que ao representar um classico de Molliere (O Doente Imaginário) com o ingresso por apenas 5 reias o povo nao vem... é de fazer rir e chorar qualquer artista q se preze, que tem q ter um trabalho pra sobreviver e fazer teatro por prazer. Más artista que é artista não se vende... e la estamos nós a ensaiar mais um classico (Othelo é o desafio da vez.) Teremos Público?! Tendo ou não faremos o melhor.

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  2. Divulgue e compareça

    UMA NOVA FORMA DE AÇÃO PEDAGÓGICA A PARTIR DO TEATRO

    O curso de Educação Física da Estácio / FIC procurando inovar ações pedagógicas e atividades curriculares da disciplina de Estrutura e Funcionamento da Educação Básica estará promovendo no proximo dia 19 de novembro de 2010 as 19 horas no auditório da FIC UNIDADE VIA CORPVS em Fortaleza - Ceará a apresentação e discussão da Peça PAULO RÉGLUS NEVES FREIRE como pre requisito avaliativo da disciplina. A atividade faz parte do critério de ações pedagógicas do curso de educação Física que procura verificar habilidades, competências e ações como critérios de avaliação e prática pedagógica. A peça será apresentada pelo Grupo Teatral Cactus de Acarape - Ceará e terá apoio logístico e acompanhamento dos alunos da disciplina.
    Maiores informações com o professor DJACYR DE SOUZA através do telefone 99799611 ou pelo blog caosnaeducacao.blogspot.com

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  3. É... Meu amigo!
    Mas, você me fez lembrar de um grande amigo que desde cedo (estudei vários anos com ele) aqui em Fortaleza, que pelo seu talento, competência e originalidade, fez as "grandes" mídias se rederem a ele. Peeeense! Ele hoje tá pelo "mundo" mais legal de Hollywood.
    O cara é fera!
    Então, o grande saque é a originalidade de um artista, pessoa sensível ao que o universo que o toma, tem a comunicá-lo, entende? O mundo capitalista não o capta nem o coopta.
    É uma coisa transcendental, mesmo. Algo que fala a alma da gente.
    Um grande abraço e um cheirinho.
    Luciana.

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  4. Olá turma...
    tem um super desafio para a Cia. Atemporal no blog http://amigosdomaniacolorida.blogspot.com/
    beijos
    Dagui

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  5. Paulo,
    há tantas coisas que nos impressionam meu amigo.
    Mas detalhadamente esse texto é um farol.

    Beijinho.
    Fernanda.

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  6. Muito bom mesmo esse texto, parabéns e tudo de bom pra vocês. Se puder visite o blog do grupo gambiarra profana que faço parte, dia 13 último inauguramos nosso espaço cultural.

    http://gambiarraprofana.blogspot.com

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