segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O PESO DA INTERPRETAÇÃO


Ao abrir as cortinas do palco, nem sempre a surpresa é agradável, pois não é sempre que temos a felicidade de nos deliciarmos com a magnitude de uma boa interpretação. Sendo o teatro a arte do ator, o peso de uma interpretação é tudo.

Pouco importa o excelente figurino, o cenário deslumbrante, um texto primoroso, o que interessa é ver a entrega do ator em cena. E também, pouco importa se o espetáculo é um drama, uma comédia, ou um espetáculo infantil. O ator tem de ser pleno e absoluto em cena.

O ator tem de se entregar de corpo e alma, ser visceral, buscar nas entranhas, a melhor parte que a personagem solicitar. Não bastam caras e bocas, jeitos e gestos estereotípicos e micagem em cima do palco, nada disso convence e, põe a perder qualquer excelente produção.

A interpretação é a parte mais importante dentro de um espetáculo, pois é ele que conta a história, que sente a história, que vive a história, por isso, precisa mergulhar até o fim do poço a fim de conhecer o seu personagem. O ator deve e tem de colocar o seu peso na interpretação, assim é que se conhece um bom ator.

Tudo tem de ser meticulosamente cuidado, a voz, o andar, o falar, o jeito de se vestir... tudo isso, junto e misturado, vai construir a personagem que sustentará qualquer história, mesmo aquelas rasas e sem pretensões. E isso vale para qualquer ator que esteja em cena.

Não cabe a justificativa pífia de que por ter apenas duas ou três falas em cena, não é preciso todo esse emprenho, muito pelo contrário. Há situações que essas duas ou três falas fazem a diferença de uma história. E imagine você: A grande chance de mostrar o seu potencial está em duas ou três falas, e você, talvez por se achar mais do que seja, desperdiça?

O ator é uma profissão que precisa ser levada a sério, até mesmo nos ensaios, aliás, é nos ensaios que um ator precisa se dedicar e caminhar em busca da melhor interpretação, pois, é nos ensaios que ele vai conhecendo pouco a pouco, o quanto o peso ele terá no espetáculo. Para aí sim, quando se der o abrir das cortinas, faça da sua interpretação um motivo de admiração.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Registro do ensaio aberto de "Bandidos" do Teatro Oficina Uzyna Uzona em 1 de julho de 2007.

3 comentários:

  1. Olá Clemente!

    O Teatro faz parte da humanidade desde as épocas mais remotas, muito antes de os gregos o descobrirem, esta arte nata já fazia parte da vida de todos, todos interpretam ou representa ( na proporção real de cada afirmação) já que interpretar e representar são caminhos diferentes de uma mesma estrada. Podemos dizer que representar é se fazer de algo ou alguém, podemos representar algo ou alguém sem necessáriamente ser este algo ou alguém, quando falamos sobre interpretação, esse ato recebe um peso mauito maior já que para interpretarmos não basta se passar, mas é imperativo ser, sentir, vivenciar a situação.

    Poderiamos exemplificar de uma forma mais fácil:

    Quando eu represento você, não precisi ser você, as pessoas não precisam me ver como você, apenas precisão saber que estou no seu lugar.
    Quando interpreto você, é preciso que todos me identifiquem com você em tudo, na minha forma de falar, de vestir, de andar, em fim, não existo mais, somente você está presente naquele momento.

    Essa na verdade é a diferença entre os dois caminho!

    Nós atores, temos o privilégio de de fazer os dois!

    O que nos diferencia de outras pessoas são as técnicas que utilizamos para realizar essa arte impar.

    Muito pode ser dito sobre esta arte " A arte da Interpretação", e é o que pretendo fazer nos artigos que passarei a apresentar aqui se me permitirem!

    Obrigado pela atenção!!

    Onofre.

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  2. Bom seria q todos fossem ao teatro com esta consciência: o ator é o personagem principal e nenhum dos artificios produzidos como maquilagem,figurino, cenario e etc sera maior que a arte do ator em cena.

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