segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ARTISTA OU CELEBRIDADE?


As coisas hoje em dia estão de tal forma, que até parece que tudo está de pernas para o ar, ou fora da ordem, mesmo! Há uma confusão enorme entre o que é ser um artista e ser uma celebridade, principalmente essas instantâneas que pipocam de tempos em tempos e tomam conta de toda mídia.

Celebridade, qualquer um pode se tornar, seja lá participando de programas de “reality shows”, casando com alguém influente, armando barracos, correndo atrás de jogador de futebol, até político vira celebridade. Tem até certos artistas, que se acham mais celebridades do que artistas. Bem, esses, na verdade, não sabem direito o que querem: se o difícil sacerdócio da arte, ou os reluzentes holofotes das câmeras.

É certo que essa coisa de ser famoso, se tornar conhecido por um grande número de pessoas, ser popular, está no ser humano, todo mundo quer aparecer e ser conhecido, mas tem gente que é capaz de tudo. É uma loucura, loucura, loucura, como diz Luciano Huck. Só que muitas dessas celebridades, as instantâneas, principalmente, surgidas em programas de “reality shows” e que usufruem da grande popularidade alcançada, de uma hora para outra acham que são artistas, pode?

O pior é que muitos compram essa idéia e é aí que se faz a confusão. Quem até então era celebridade instantânea, vira artista revelação, e vai fazer teatro, vai fazer cinema, vai fazer televisão e o que se vê, em termos de qualidade artística, é deprimente! Jogam a arte de interpretar na lata no lixo. E não me venham dizer que fulano tem talento e é esforçado, pois isso não se sobrepõe aos anos de estudo e dedicação que um artista tem de ter.

Acho que não deviam misturar as estações. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa: celebridade é celebridade e artista é artista. A diferença é tão clara, se pode ver à olhos nus. Celebridade só quer uma coisa, está na mídia, quanto mais, melhor, seja lá fazendo o quê e do jeito que for! Já o artista nem sempre precisa aparecer, o reconhecimento de sua obra, muitas vezes, já basta!

Não se pode quer ser artista se lançando na mídia como uma celebridade, o caminho é justamente o contrário. É o trabalho de um grande artista, que de tão reconhecido, o faz se tornar uma celebridade, não apenas pelo que ele é, mas também pelo que ele faz. A arte dele o faz tão imenso que a mídia tratará de torná-lo popular, tão e mais, como qualquer uma dessas celebridades que pipocam volta e meio no mundo artístico.

Ser artista é uma coisa muito séria, que demanda muitos sacrifícios, muitos degraus a subir, um caminho longo a percorrer, muita abdicação, muito estudo e muito trabalho, por isso, tem-se que prestar muita atenção e saber separar o joio do trigo, pois artista tem alma e celebridade tem apenas um corpo ou uma carinha botina, e nada mais.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Espetáculo "O Grande Cerimonial" (2010)

sábado, 25 de dezembro de 2010

A MAGIA DA BROADWAY


Quando se visita Nova Iorque pela primeira vez, torna-se imprescindível visitar a Broadway, o símbolo mundialmente famoso da magia do teatro. Antes dos espectáculos começarem, acendem-se milhões de lâmpadas que transformam a noite em dia; nessa hora, a Broadway torna-se verdadeiramente um local encantado.

Em plena Manhattan, nesse bairro dos teatros e cinemas encontram-se mais de 30 casas de espectáculos, localizadas a Leste e Oeste da longa avenida em diagonal chamada Broadway, entre as ruas 41 e 53. Um passeio por essas ruas equivale a percorrer a história do teatro. Por exemplo, no Nederlander, na rua 41, outrora chamado National, Orson Welles, então com 22 anos, encenou em 1937 a sua controversa produção do Julius César, na qual os soldados de César envergavam uniformes fascistas.

Grande parte da mística da Broadway deriva da lendária rua 42, exaltada no musical de 1980, do mesmo nome. Essa comédia musical, de ritmo contagiante, apresentava a Broadway como o objectivo máximo daqueles que aspiravam tornarem-se estrelas do palco. Praticamente todos os anos, jovens desconhecidos tornam-se famosos. Há mais de meio século, um jovem cantor magrinho fez sua grande estreia cantando no show de Benny Goodman, no agora desaparecido Paramount Theater, na rua 43. O seu nome, evidentemente, era Frank Sinatra.

E a corista de The Pajama Game, de 1954, que era suplente de Carol Haney, a protagonista número dois? Carol adoeceu, a corista entrou em cena e dançou e cantou maravilhosamente bem. Ela chamava-se Shirley MacLaine; havia um produtor cinematográfico assistindo ao espectáculo, e foi assim que ela se tornou uma grande estrela do palco e da tela.


A Times Square nasceu em 1904, quando o New York Times edificou o prédio e mudou o nome da praça, que dantes se chamava Long Acre Square; é ali que a Broadway bifurca com a Sétima Avenida. Para Oeste, ficava naquele tempo a chamada «Cozinha do Inferno» (Hell's Kitchen), desordeiro bairro operário frequentemente retratado nos melodramas de Jimmy Cagney. A um quarteirão para Leste, ficava a linha férrea elevada da Sexta Avenida. Passado pouco tempo, na Times Square e nas ruas vizinhas foram construídos novos e elegantes teatros, com os elaborados letreiros de néon que deram à Broadway o cognome duradouro de «Grande Caminho Branco» (The Great White Way).

Em 1908, Florenz Ziegfeld, produtor das famosas Ziegfeld Follies, colocou o maior painel luminoso jamais visto até então (com 24 m de comprimento e 14 m de altura) na fachada do seu New York Theater. Continha 2.973 m2 de vidro, pesava oito toneladas e levou 18 km de fio eléctrico. Em torno das suas letras gigantescas, um desenho em ziguezague de raios faiscantes parecia explodir, num irromper de chamas que lambiam o título da peça, Miss Innocence, e o nome da estrela, Anna Held, famosa por banhar-se em leite como a lendária Cleópatra.

Se a Times Square é o coração da Broadway, então uma estátua de George M. Cohan na sua extremidade norte simboliza o seu pulsar. Este extraordinário empresário, compositor, director, cantor e bailarino morreu em 1942, mas continua presente; é conhecido no mundo inteiro através de um filme de Hollywood, Yankee Doodle Dandy, e de um musical da Broadway, George M.! Os que nunca conheceram o verdadeiro George M. Cohan viram Jimmy Cagney, Joel Grey ou Mickey Rooney no papel dele.


A rua 44 é uma das ruas da Broadway preferidas por muitos turistas, onde têm lugar as lendárias festas de estreia no Sardi's, «a renomada sala de jantar das artes do teatro». Há seis teatros na rua 44, incluindo o Helen Hayes, uma sala internacional, o Majestic, cenário de 42nd Street, o Broadhurst, onde a comédia de Neil Simon, Broadway Bound, muito naturalmente conquistou a Broadway. E há o Shubert, onde A Chorus Line, uma exaltação aos musicais da Broadway, esgotou lotações durante vários anos.


A maravilhosa continuidade do teatro mundial está ilustrada na rua 45. Aqui fica o Booth Theater, assim baptizado em honra ao grande actor do século XIX, Edwin Booth, cujo Hamlet esteve em cena durante 100 representações consecutivas. John Barrymore estreou no Hamlet em 1922, mas já falava em abandonar o papel após umas 60 actuações. Uma delegação de personagens do teatro pressionou-o para desistir ao fim da 90.a actuação, pois ninguém devia bater o recorde de Booth. "Cavalheiros", replicou Barrymore. "Parem de viver no passado. Representarei o Hamlet exactamente 101 vezes." E assim fez.

No Imperial, Drood, a versão musical do romance que Charles Dickens deixou inacabado ao morrer, mostrava uma abordagem inglesa de music-hall ao enredo gótico do romance, rematada por um número irresistível: a cena era interrompida em plena actuação para assinalar o ponto em que ficou o romance de Dickens. Os actores dirigiam-se então ao público, solicitando uma votação para determinar quem era o assassino e, consequentemente, qual seria o fim. "A atmosfera do teatro", disse o Times, "Fica tão divertida como se se tratasse de uma audiência composta exclusivamente por ginasiais."

Uma marca de qualidade da Broadway são os bons elencos. Em 1986, Arsenic and Old Lace, uma comédia acerca de duas velhinhas que serviam vinho envenenado aos seus hóspedes, esteve em cena no Teatro da rua 46, com Jean Stapleton, a Edith Bunker da televisão. Quando estreou, em 1941, o papel do sobrinho louco e homicida das velhas foi desempenhado por Boris Karloff, o monstruoso Frankenstein do famoso filme de 1931. Isso deu a Karloff, 10 anos mais tarde, uma deixa imortal: "Matei-o porque ele disse que eu era parecido com Boris Karloff."

O Biltmore, o Atkinson, o Edison, o Barrymore e o Palace estão na rua 47. Para aqui têm vindo grandes peças de todo o mundo. Da França, Red Claves, de Jean-Paul Sartre, pro­tagonizada por Charles Boyer, veio para o Mansfield, cujo nome foi substituído em 1960 em homenagem ao crítico de teatro do New York Times, Brooks Atkinson. No Edison estiveram duas peças do dramaturgo sul-africano Athol Fugard, Sizwe Banzi is Dead e The Island.

O Barrymore deve o seu nome a Ethel, que com os seus irmãos Lionel e John formou um formidável trio de actores. Isso porque os irmãos Shubert prometeram a Ethel dar o seu nome a um teatro, se ela assinasse um contrato com eles. Ela assim fez, e eles cumpriram o prometido; Ethel inaugurou o teatro a 20 de Dezembro de 1928, com The Kingdom of God. O recorde do teatro, porém, foi detido de 1947 a 1979 pela peça de Tennessee Williams, A Streetcar Named Desire (Um Bonde Chamado Desejo), que estreou a três de Dezembro de 1947, com Jessica Tandy, Kim Hunter, Karl Malden e Marlon Brando, que tinha na época apenas 23 anos, num inesquecível desempenho como Stanley Kowalski. (Em 1979, este recorde foi finalmente batido pelas 872 representações de I Love My Wife.)

Há 55 anos, o Palace arriscou em Judy Garland, que estava com 29 anos e tinha sido despedida pela MGM, pois as suas depressões nervosas haviam atrasado demasiados filmes. Judy tentara suicidar-se, e os seus amigos não estavam seguros de que ela tivesse suficiente autoconfiança para voltar ao palco. Mas o Palace passou a ter lotações esgotadas em todas as sessões; os fãs de Judy estavam decididos a encorajá-la, com vibrantes aplausos.

O último dia de Judy Garland no Palace, 24 de Novembro de 1951, foi um momento alto na história da Broadway. Judy terminou o espectáculo cantando A Couple of Swells, de Irving Berlin, vestida de mendiga, exactamente como cantara com Fred Astaire no filme Easter Parade. Chamada a bisar, sentou-se simplesmente na beira do palco e cantou Over the Rainbow. Houve momentos em que chorou, e momentos em que foi o público quem se emocionou até às lágrimas. Foi três vezes chamada ao palco pelos aplausos, mas mesmo assim a plateia não se ia embora. Judy estava manifestamente exausta, de modo que alguém gritou: "Agora somos nós que vamos cantar para Judy!" Com a orquestra tocando Auld Lang Syne, os espectadores começaram a cantar, com a voz de ouro do grande tenor lírico Lauritz Melchior soando acima das outras todas. Numa sala apinhada, 1.686 pessoas, incluindo muitas que adoravam Judy Garland desde os tempos em que ela era a Dorothy do filme O Feiticeiro de Oz, aplaudiam e soluçavam abertamente.

No Teatro Cort, na rua 48, a peça »O Diário de Anne Frank», em 1957, transportava-nos instantaneamente àquele sótão em Amesterdão, onde uma adolescente de 12 anos e a sua família se escondiam dos nazistas. Nessa história verídica, os nazistas conseguem descobri-los, é claro, e levam Anne, cujo papel era desempenhado por Susan Strasberg, para um campo de concentração, onde ela morre. Quem não se lembra de Joseph Schildkraut no papel do pai de Anne, lendo a sua derradeira anotação no diário: «Apesar de tudo, continuo acreditando que as pessoas no fundo são boas.», mas «Ela me deixa envergonhado.» O rio Mississippi foi evocado no palco do Teatro Eugene O'Neill, na rua 49, em Big River, peça baseada no Huckleberry Finn, de Mark Twain. Show Boat, o melhor musical sobre o rio Mississippi, estreou em 1927, mas foi constantemente levado novamente à cena inúmeras vezes. Basta dizer «He just keeps rollin' a!ong» e o mundo inteiro saberá que se está falando de «Ol'Man Riven».


No inverno de 1986-1987, a peça de Bernard Shaw, You Never Can Tell esteve em cena no Circle In The Square, na rua 50. A presença de Shaw na Broadway data de Arms and the Man, de 1894. Em 1957, My Pair Lady, adaptado do Pigmaleão, de Shaw, no Mark Hellinger Theater, na rua 51, foi outra peça que esteve em cena e que fez igualmente grande sucesso. Quando se visita pela primeira vez Nova Iorque, deve-se visitar obrigatoriamente o American National Theater and Academy (ANTA), na rua 52. Neste local emblemático, passaram peças como: Our Town, com Henry Fonda no papel de director de cena, e Harvey, com James Stewart como Elwood P. Dowd e Helen Hayes como Veta Louise Simmons.

Também no teatro da Broadway na esquina da rua 53, a peça Les Miserables, versão musical do romance clássico francês de Victor Hugo, que fora o sucesso londrino de 1986, ao estrear nos Estados Unidos da América em Março de 1987, primou por um sucesso extremo. As suas vendas adiantadas de entradas, que totalizaram uma soma de 11 milhões de dólares, registaram o maior recorde de todos os tempos da Broadway. Todas as noites, multidões de espectadores reuniam-se sob a bandeira tricolor francesa, gigantesca e esfarrapada, suspensa na entrada do teatro, e entravam na fila para ver as barricadas de rua e os esgotos de Paris, evocados num palco da Broadway. Também no começo da década de 1980, estava em cena aqui, a peça Evita, com Patty LuPone cantando, noite após noite, Don't cry for me, Argentina ...

Mas para visitar aquele que é, por muitos, considerado como a quintessência dos teatros da Broadway, dever-se-á visitar o Winter Garden, no nº 1634 da Broadway. Al Jolson inaugurou-o a 20 de Março de 1911. Nesse palco, abriu ele inúmeras vezes os braços, com as mãos calçadas de imaculadas luvas brancas, e gritou a frase histórica: «Pessoal! Vocês ainda não ouviram nada!


Na década de 1980, o Winter Garden tornou-se palco de um belíssimo musical britânico da autoria de Andrew Lloyd Webber, extraído de Old Possum's Book of Practical Cats, de T. S. Eliot. O musical chama-se Cats, e a Broadway chorava, bem como os diversos locais do mundo por onde esta peça tem passado, quando a gatinha maltratada, chamada Grizabella, pára diante do holofote e principia a sua canção. Com Cats, chega ao fim este breve artigo dedicado às cerca de três dezenas de salas de espectáculos numa dúzia de ruas, que no seu conjunto se chamam Broadway. É aqui o mundo dos sonhos!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

AMADOR OU PROFISSIONAL?


Na maioria das vezes, as pessoas são apresentadas ao teatro ainda na escola. Muitos nem se dão contam que um dia podem se tornar atores ou atrizes de sucesso. A aula, regada a uma peça de teatro, acaba sendo uma grande “brincadeira”, mesmo que o exercício seja levado a sério, pois alguns mais tímidos e outros nem tanto, usam a apresentação para se provocarem durante o ano.

Passada essa fase escolar, onde se é apresentado ao teatro sem compromisso algum, sempre tem alguém no grupo que leva aquela “brincadeira” um pouco mais a sério, e resolve procurar um grupo de teatro de verdade, pois sua alma foi tocada pelo bichinho do teatro.

São muitos os grupos que de uma maneira amadora conseguem fazer teatro de uma forma competente, mesmo com todas as dificuldades inerentes ao teatro, como a falta de espaço para ensaios, a falta de verba e as dificuldades de espaços para apresentação. Muitos são de muito bom nível, e são deles, que saem quase sempre, os atores e atrizes que chegarão a televisão.

Quando se está em um grupo amador, onde se faz teatro por amor e não se ganha nada por isso, tem-se a chance de aprender de verdade e na prática, as dificuldades de se fazer teatro em nosso país. Muitos optam por essa vida de teatro amador por toda a sua existência, mas outros, querem fazer desta arte o seu meio de subsistência, e é aí que depara-se com um grande dilema. Fazer teatro de uma forma amadora apenas para alimentar a alma artística ou partir de vez para uma carreira profissional e enfrentar todas as suas dificuldades?

Muitos jovens que atuam em grupos amadores, e vêem outros jovens fazendo sucesso na televisão, querem também fazer parte deste mundo, o quanto antes, melhor, e isso não é de hoje, pois, quem gosta de teatro de verdade, vive ou viveu um dia esse dilema. Mas quase sempre, o peso das responsabilidades, acaba interrompendo carreiras brilhantes, e muitas vezes, o teatro deixa de conhecer talentos que, ou não tiveram, a coragem suficiente para enfrentar as dificuldades, ou optaram por não correr riscos, e continuar apenas o seu teatro de forma amadora.

Acho que não se pode condenar, nem um, nem outro, cada qual deve escolher para a sua vida o que realmente quer no momento em que vive, as vezes, não á a hora de embarcar em uma aventura, e se jogar no mundo do teatro de uma forma desesperada, pois corre-se o risco de vender a alma ao diabo, e se perder na essência de sua alma de artista. As vezes é melhor trabalhar com o teatro amadorísticamente, mas consciente de estar preparado, para na oportunidade certa, encarar o desafio de viver profissionalmente do teatro.

A escolha é difícil, ainda mais quando se é jovem, por isso, não há a necessidade de precipitação, pois a história mostra que o teatro está cheio de atores e atrizes que tinham uma outra profissão, e no momento certo, deixaram o amadorismo para serem profissionais do teatro. E na maioria das vezes, com muito sucesso.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Espetáculo "Parada 400: Convém Tirar os Sapatos" da Santa Estação Cia de Teatro, de Porto Alegre – RS. Fotografado no Espaço Parlapatões, São Paulo – SP.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O TEATRO MUSICAL


Está aí um gênero das artes cênicas que hoje em dia me causa certo espanto, pois sem nenhuma tradição em nossos palcos, pois passa longe do que foi o Teatro de Revista e, somente a custa de remontagens de espetáculos consagrados da “broadway”, o Teatro Musical vem ganhando a simpatia tanto da mídia, quanto da crítica. Da até a impressão de que esse gênero é algo superior à arte do teatro.

É claro que reconheço a complexidade e a dificuldade de se montar um espetáculo musical, pois reunir artistas que possuam potencial para cantar, dançar e ainda interpretar não é nada fácil. Encontrar alguém que só interprete já anda tão difícil! Sem contar que montar um espetáculo desse gênero não é para qualquer um. É coisa para peixe grande.

São espetáculos caros, que precisam de grandes patrocinadores, grandes cotas de incentivos, é muito dinheiro em jogo. Talvez esteja aí a razão de tanta popularidade de um gênero que ganhou notoriedade nos palcos de Nova York. O teatro musical feito hoje no Brasil, aliás, importado pelo Brasil é muito mais uma questão de negócio, do que uma questão de teatro.

Sem contar que os espetáculos desse gênero são elitistas, pois não é qualquer um que pode desembolsar a exorbitante quantia para pagar os seus ingressos. A mídia o tem sempre como a melhor opção de entretenimento entre todos os espetáculos teatrais em cartaz e o povo, ora, o povo!...

Se o teatro infantil é o patinho feio das artes cênicas, o teatro musical vem ganhando ares de filho perfeito. Como espetáculo, não há o que questionar. As trilhas são bem cuidadas, os figurinos, lindíssimos, os cenários, monstruosos, tudo para encantar os olhos do público. Pena que é tudo importado e sempre muito caro.

Longe de mim, desmerecer o gênero musical, o acho até bem interessante, quando levamos em conta a questão da formação do ator. Cantar, dançar, interpretar é tudo que um bom ator precisa aprender. Quisera todo ator ter a oportunidade de desfrutar da prática de tamanho exercício artístico. Quisera todo o povo ter a oportunidade de desfrutar do glamour de assistir a um espetáculo musical.

Esse Teatro musical pode até encantar os olhos, pode até conter elementos da arte do teatro, mas sempre será um gênero das artes cênicas, a arte do Teatro será sempre maior, mesmo que a mídia teime em vender um espetáculo musical como Teatro. Teatro é Sófocles, Eurípidis, Shakespeare, Nelson Rodrigues. Teatro musical é apenas um espetáculo de entretenimento.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Espetáculo "Lipstick Station" da Santa Estação Cia de Teatro, de Porto Alegre (RS). Fotografado durante a mostra de repertórtio do grupo no Espaço Parlapatões, São Paulo (SP).

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O PALHAÇO


O dia amanheceu chuvoso e frio, o que por si só já estimulava uns minutos a mais de sono. Mas, aquele cidadão já idoso, que era tentado a permanecer mais um pouco embaixo dos lençóis, não podia se dar esse direito. A labuta de todo dia lhe chamava a cumprir suas obrigações. Mesmo com o passar dos anos, ainda se fazia necessária. Como é com outros tantos trabalhadores.

Só que ele não era um trabalhador comum. Nem seu trabalho era comum. Aliás, muitos, na verdade, nem consideram que seja um trabalho, mas é! Acho até que o melhor de todos os trabalhos. Só que sem direito a folgas, sem direito a lágrimas, sem direito a adoecer, nem mesmo ficar triste, por mais tristeza que possa sentir. Mas, apesar de todas as adversidades e condições, ele se pôs de pé e saiu para mais um dia de trabalho.

Com andar vagaroso de quem já correu muito, ele seguiu calmamente até chegar em seu pequeno Camarim. Sim, aquele velho cidadão era um artista! Mas não um artista qualquer, ele era o verdadeiro artista. Calmamente, como tudo que ele fazia, trocou sua roupa de cidadão comum e vestiu o seu figurino de cores vivas e alegres. Nada condizente com toda aquela melancolia estampada em seu rosto.

Os cabelos esbranquiçados, o olhar cansado, o rosto marcado, aos poucos iam se transformando em frente ao velho espelho. Cada cor pintada em sua face tinha o poder de rejuvenecê-lo e dar um novo brilho ao seu olhar. Na ponta do nariz enrugado, uma bola vermelha, nos pés, um par de enormes sapatos e sob os cabelos esbranquiçados, uma embaraçada peruca. E refletido no espelho, um enorme sorriso. Um riso de quem irradia felicidade.

Então, ele adentrou ao picadeiro, lépido e fagueiro como quem tem uma juventude eterna, meio que destrambelhado, com toda certeza, propositada-mente, pois, sabia que as gargalhadas não demorariam a encher todo o ambiente. E dito e feito. Não demorou muito para que o único som ouvido fosse o som de enormes gargalhadas, sem composturas e desavergonhadas. Pareciam todos, crianças inocentes. Ah, como foi bom!

Saciados de felicidades, todos que gargalhavam, deixavam o local com as almas lavadas, ávidos para retornarem o mais breve possível. Enquanto do outro lado, no pequeno camarim, em frente ao velho espelho, quem fez a alegria de tantos, se desfazia do figurino, da maquiagem, e da alegria e voltava a sua vida comum.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Espetáculo "Sessenta Minutos Para o Fim"

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

ARTE DÁ TRABALHO


Durante muito tempo eu achei que para realizar uma obra de arte perfeita, ou perto disso, o empenho e trabalho não faziam tanta diferença. Achava que certas obras só eram possíveis graças ao gênio de seus criadores, que eram capazes de criar genialidades sem se esforçar. Mas quando eu também comecei a participar da criação, seja no teatro ou no cinema, no meu caso, percebi que é a dedicação e empenho que fazem toda a diferença.

É claro que os gênios existem. Mas aquela história de 10% inspiração e 90% transpiração é muito verdade. Porque até para os gênios é preciso trabalho. Muito trabalho. É a dedicação a uma obra que fará dela boa ou ruim. E mesmo que haja talento, sem trabalho não basta.

Há alguns meses atrás eu acompanhei os ensaios de uma peça de teatro. Uma peça com elenco famoso e de talento reconhecido em sua maioria. Acompanhei os ensaios até a pré-estréia e estréia. E nas apresentações o que eu via nos ensaios se confirmou. O empenho por parte da maioria do elenco não era grande. Como se o fato de só serem eles mesmos bastasse para que a peça fosse boa. Mas o que ocorreu não foi isso. E o resultado foi a meu ver e de muitos outros, insatisfatório.

Eu acredito muito no trabalho árduo na criação. E falando das artes dramáticas, sou um defensor dos ensaios e principalmente, da imersão naquele texto e mundo que será retratado. Quanto mais propriedade o ator tiver sobre a obra e mesmo a equipe que fica atrás do palco ou câmera, maior a chance do resultado final ser mais convincente e envolvente para o espectador.

Nesse nosso mundo muitas vezes vemos atores serem escalados por seu talento. Mas muitas dessas vezes, o ator, apesar de bom, não se encaixa bem no personagem. Ou o pior, é uma pessoa muito difícil de lidar. E isso não vale só para os atores e sim para qualquer pessoa de uma equipe. Uma pessoa considerada talentosa, mas que traz muitos problemas de convivência, é uma pessoa que não considero recrutar. E quem já passou por uma situação dessas talvez me entenda melhor.

Creio que os malefícios acabam sendo maiores que os benefícios. E mesmo que o desempenho desse profissional seja muito bom, pode afetar o desempenho dos outros envolvidos. E isso tem a ver também com a dedicação e dessa experiência teatral que citei anteriormente. Há muitos atores que já têm certa notoriedade e que por isso acham que não têm que se esforçar mais. Que qualquer coisa que apresentem já valerá. Mas isso não poderia ser mais equivocado.

Afinal, os grandes gênios das artes são reconhecidos também por sua total imersão em seus trabalhos. Toda aquela genialidade passa a não ser tão sobrenatural aos nossos olhos quando conhecemos o processo do artista e vemos a quantidade de tempo dedicada à obra.

Talento há. Alguns têm mais, outros menos. Mas não se deixe enganar. O que pode fazer toda a diferença é o seu empenho. Tendo talento ou não.

Escrito por Felipe Fonseca

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Bastidores da temporada paulistana do Théâtre du Soleil, em 2007.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

SELO VENTOS NA PRIMAVERA


O gigante da poesia, Arnoldo Pimentel, nos concedeu o selo official de seu Blog o "Ventos na Primavera". A Cia. De Teatro Atemporal está muito honrada e lisonjeada, com o tamanho reconhecimento e admiração de Arnoldo Pimentel e de todos que se alimentam do que a arte tem de melhor, aqui em nosso Blog.

SELOS POR ARNOLDO PIMENTEL






Arnoldo Pimentel, nosso queridíssimo e fiel amigo do Blog "Ventos na Primavera" presenteou o Blog da Cia. De Teatro Atemporal com os selos acima. Muito obrigado, Arnoldo! Parabéns e muito sucesso!

sábado, 27 de novembro de 2010

UM DESAFIO PELA DAGUI


Com muita honra o Blog da Cia. De Teatro Atemporal recebeu um desafio da Dagui, do Blog "Amigos do Mania Colorida". Agradecemos, de coração, a nossa querida Dagui, pelo desafio e pelo lindo carinho por nós. Agradecemos também a todos que admiram o Blog de nossa companhia teatral. Procuramos sempre, oferecer a todos o que a arte do teatro pode oferecer de melhor.

1ª O que te levou a criar um Blog?

Criamos este Blog com a finalidade de divulgar os nossos espetáculos, agenda, todo o processo de produção e pós-produção de nossos espetáculos. Além de podermos fazer novas amizades, novas parcerias, promover grandes promoções, como sorteios e concursos para os nossos internautas. Em nosso Blog também postamos grandes artigos e noticias relacionadas a cultura, em especial o teatro. E tem sido muito gratificante, pois o carinho das pessoas para com o nosso Blog é simplesmente excepcional!

2º O que te tira do Sério?

A falta de reconhecimento, oportunidade e burocracias; que os artistas, companhias e grupos de teatro, dança, música, capoeira... sejam profissionais ou amadores, encontram atualmente. é simplesmente lamentável...

3º Você tem alguma mania ou vício?

Uma mania de nossa companhia é ser muito aplicada e dedicada nos trabalhos de nossas produções teatrais.

4º Qual a sua melhor lembrança?

Foi em um ensaio no dia 5 de junho de 2008 ter sido, em acordo com todos os componentes, o nome "Atemporal" ter sido concedido a nossa companhia.

5º Qual o seu maior sonho?

Nós desejamos a Salvação, para cada um de nós, para cada uma das pessoas que nos admiram, nos odeiam e para todos que um dia trabalharam conosco.

6º Se fosse um dinossauro, como se chamaria?

A nossa companhia se chamaria "Tiranossauro Rex" (risos)

7º Qual a personagem de desenho animado gostaria de ser?

Gostariamos de ser o "Doug"

8º Cite uma peça que não pode faltar no seu guarda-roupa e outra que já mais usaria:

O que não pode faltar é a camisa oficial de nossa companhia. O que jamais usariamos... não temos, somos artistas e não podemos fazer nenhhum tipo de restrição de figurino em nosso guarda roupa. (risos)

9º Um lugar que amo:

Amamos o palco.

10º Um Ídolo:

O SENHOR JESUS.

11º Que filme vc amou e recomenda?

Amamos muitos, mas muitos filmes... dentre um que amamos e recomendamos é "Pearl Harbor", de 2001.

12º Qual o último livro que leu?

Varios... Destacamos: "Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios" do Bispo Macedo.

13º Qual palavra te define?

Fé.

14º. Quantas horas diárias dedica ao blog?

Varia... programamos o nosso Blog para publicar as postagens automaticamente, mas geralmente em média de três a quatro horas diárias, isso umas duas ou três vezes na semana.

15º Quais são seus planos para 2011?

Em 2009 os trabalhos de teatro em nossa companhia foram encerados. Até o momento apenas o nosso Blog está em atividade.

Havia um projeto para que futuramente os nossos trabalhos de teatro retornassem, mas esse projeto foi cancelado neste ano de 2010.

Em 2011, o nosso Blog ficará inativo. E como despedida, publicaremos o fim da serie de estudos e matérias sobre os "Teatros do Mundo", uma matéria especial sobre a "Broadway" e promoções.

16º Se pode-se fazer uma pergunta ao primeiro ministro do teu país o que perguntavas?

Sabe, não perguntariamos nada, apenas diramos para que o primeiro (a) ministro (a) de nosso país colocasse o DEUS vivo no controle de tudo, pois "Feliz a nação cujo Deus é o SENHOR".

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

DO PAPEL AO PALCO


Quando começo a escrever um texto, seja ele adulto ou infantil, o processo desde a concepção da idéia até o ponto final no texto pronto, sempre é diferente, a única coisa que não é diferente é o trabalho que dá, muito embora para mim, seja por demais prazeroso. A complexidade de se contar uma história através de diálogos, não é nada fácil.

Depois de muito trabalho e algumas noites mal dormidas, visto que, o sono, volta e meia é atrapalhado pelos conflitos dos personagens e pelo rumo que a história deve tomar, consigo pôr o ponto final.

Pronto, mais um texto terminado. Nada disso! Agora vem a principal parte para mim, a leitura do texto. Minha esposa é a primeira leitora, e que tanto ler e reler meus textos, se tornou a principal crítica deles, e confesso: ela pega pesado. Pois bem, depois de várias leituras, muitas folhas imprimidas e rasgadas, e inúmeras correções ortográficas e de estrutura cênica, tenho o texto pronto, lido e relido. Enfim, mais um trabalho concluído.

Mas, e daí? O que adianta ter o texto concluído sem ter como encená-lo? Pois, texto de teatro só é teatro em cima do palco, de outro modo, não passa de Dramaturgia, não é mesmo? Para quem faz parte de um grupo de teatro, a tarefa acaba sendo facilitada, já para quem não faz, como fazer para ver sua história em cena?

Durante anos, não tinha como divulgar meus textos, apenas mostrava-os para alguns amigos, está certo que sempre tive um certo medo de expor o que eu escrevia, hoje já superado, graças a Deus. Com a internet e os sites de relacionamentos consegui enfim, ter um bom espaço de divulgação para os meus textos, e através desses canais de comunicação, inclusive esse site, pude ver montados dois de meus textos e espalhar o meu trabalho Brasil a fora.

Acontece que me deparei com um dilema que até então não havia dado conta, ceder gratuitamente os direitos de meus textos para vê-los encenados ou cobrar pela cessão desses mesmos direitos? Durante muito tempo, o que eu mais queria era ver meus textos no palco, isto já me bastava, mas, com o tempo, refleti: se quero viver da minha dramaturgia, necessito ter um mínimo de valorização, pois escrever um texto é um trabalho árduo e como tal, merece ser remunerado.

É certo que as dificuldades de se montar um espetáculo são grandes e os incentivos quase nenhum, e que muitas pessoas despendem o seu tempo para fazer teatro em grupos amadores, apenas pela divulgação da arte, e posso atestar que conheço muito bem esse universo, pois por um bom tempo fiz parte de um. Só que acho não haver nenhuma dificuldade em se pagar pelos direitos autorais, pois os mesmos, quase sempre, são pagos através da bilheteria, sem onerar em nada o espetáculo. Então, por quê alguns insistem em não pagar? É claro, que cada caso é um caso, e é certo, que não só eu, mas como outros dramaturgos, não se negarão a liberar a cobrança dos direitos autorais para projetos sociais.

Acredito que, por menor que seja a remunaração pelos direitos autorais, ela é justa e representa um estímulo para todos que se dedicam a dramaturgia, uma arte quase marginal. E contrapondo um ditado popular, nem só de arte vive o homem, ele necessita do pão. E o caminho entre o papel e o palco é longo, difícil e quase sempre sem oportunidades.

Todos nós, que de alguma forma estamos ligados ao teatro, vivemos pela arte, mas seria melhor se todos conseguissemos viver da arte que se faz.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Espetáculo "Manifiesto de Niños" (2008)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

VALE TUDO POR UM PÚBLICO?


Cada vez mais, as comédias escrachadas, os espetáculos chamados "besteirol", os "stand-up comedy" e coisas do tipo vão ganhando força e angariando cada vez mais público. É fato que o público de hoje em dia anda ávido por comédia, quer o riso fácil. Diz que de tristeza, basta a vida! Mas, será que vale tudo por um público?

Essa é uma dúvida que sempre pairará na hora de se produzir um espetáculo teatral. Optar por um clássico ou algo extremamente dramático ou partir para algo do tipo comédia da qual o público sempre estará disposto a assistir? Afinal de contas, é preciso garantir o leitinho das crianças, não é mesmo? Isso acaba pesado na hora da decisão de quem vive de arte. Que atire a primeira pedra, aquele que nunca teve de realizar um trabalho apenas pelo dinheiro, ignorando a qualidade artística do projeto.

Talvez, o ideal seria conseguir encontrar o equilíbrio e apresentar uma comédia que causasse o riso fácil e tivesse um texto com um pouco mais de profundidade, mas, nem sempre se encontra algo assim. Acontece que tem hora que é bem mais fácil ir na certa e garantir a bilheteria, porque tem vezes que desanima fazer apresentações com diálogos profundos e fazê-las para meia dúzia de gatos pingados.

O fato é que não cabe ficar aqui julgando que quem está certo é quem opta por apresentar comédias escrachadas ou quem prefere clássicos, teorias filosóficas e melodramas. A questão é saber se o artista está disposto a se "vender" para atender a vontade do público. Cada um deve saber o seu preço e o que quer do Teatro.

Por mais que muitos roguem pragas, desconjurem e queiram exorcizar aqueles que preferem " vender" a alma para o capitalismo selvagem, precisa-se medir sem preconceitos, o contexto do trabalho. Não é porque se trata de uma comédia, que não pode ser legal. Radicalismo não faz bem para nenhum dos lados.

É certo que essa questão causa e causará discussões infindáveis e que cada lado tentará mostrar a qualidade de sua arte, muito embora, todos sabemos que tem coisas por aí que chamam de arte, que pelo amor de Deus!... Mas isso é assunto pra depois.

O que não pode ser esquecido é que a opção também é do público. É ele quem está atrás das comédias escrachadas, dos "besteiróis", dos "stand-up comedy". O problema não é único e exclusivo do artista, talvez o público prefira mesmo "emburrecer" ou simplesmente se entreter sem maiores questionamentos e reflexôes.

A verdade sobre esse assunto é que os "don quixotes" do teatro continuarão correndo atrás dos seus moinhos de vento, alguns não tão radicais sobre essa questão, tentarão encontrar um meio termo e outros tantos, que pensam a arte como um simples produto de entretenimento, estarão sempre dispostos a venderem suas almas ao diabo, para poderem contar com o teatro entupido de gente.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: "Greta Garbo Quem Diria…" (2010)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

ARTISTA POR COMPLETO


Vocês hão de concordar comigo que é sempre bom assistir a um espetáculo onde os atores, além de mostrarem uma boa interpretação, são capazes de cantar e dançar com a mesma desenvoltura. Mas, uma coisa eu não consigo entender. Por que é que existe um certo preconceito com quem tenta flutuar entre duas artes, como interpretar e cantar, por exemplo?

São raros os artistas que não sofrem críticas quando resolvem transitar entre uma arte e outra, mesmo mostrando talento e condições para desenvolvê-las com grande desenvoltura.

É sabido que muitos artistas, que não estão preparados para executar uma arte diferente da sua, se aventuram em executá-la, recebendo muitas vezes, até elogios por suas atuações. Mas sabemos também, que muitas vezes, essa troca de arte, como um cantor interpretando, ou um ator cantando, são simples participações para garantir a audiência de certos programas, pois um artista completo que realmente leva a sério ás várias artes que domina, não consegue a mesma exposição.

Quando um ator sem grande expressão, tenta se lançar com um cantor, muitos torcem o nariz, pois duvidam de sua capacidade. O mesmo acontece ao inverso. Quando um cantor sem tanta popularidade, quer enveredar pelo caminho da interpretação, chovem críticas. É esse preconceito que acho estranho. Os artistas populares, podem tudo, mas o artista completo, não pode se dar a esse direito.

Ora, se o artista é completo, não interessa em que arte ele tenha maior visibilidade. O que interessa é que se ele tem talento suficiente para transitar entre várias artes, que o faça. O que podemos fazer é simplesmente aplaudir tamanha desenvoltura e talento.

Por isso, abaixo ao preconceito. Artista completo deve ser respeitado, pois ele não se fecha em torno de apenas uma arte. Não que quem não faça isso seja inferior. Um artista por completo, não tem limites para expor suas emoções, por isso necessita de várias manifestações artísticas. E cá entre nós, um espetáculo feito por um artista completo é muito melhor de assistir, não é mesmo?

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: Bastidores do espetáculo "Réquiem" do dramaturgo israelense Hanoch Levin. Fotografado em Maio de 2009 em São Paulo.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O QUE VOCÊ QUER DO TEATRO?


Muita gente anda procurando o teatro como um meio de conseguir um lugar na televisão, acho isso até interessante, pelo menos é uma forma de aprender um pouco sobre o que se quer fazer. O problema é que muitos já chegam querendo fazer o papel principal, mas não duram mais do que quatro ou cinco ensaios, isto quando não desistem assim que o diretor lhes dá um papel que para eles seja de pouco destaque.

Acho que muitos jovens andam equivocados com a questão do “fazer” teatro, pois, muitos vão atrás de algo que dificilmente encontrarão fazendo teatro. É óbvio que quem tem talento, se sobressai, e consegue até ter uma certa fama, obtendo o respeito e a admiração da classe.

Só que o interesse pela fama, tem causado grandes dificuldades para quem quer fazer teatro. Estou cheio de histórias de diretores que não conseguem realizar um trabalho por falta de elenco, principalmente no meio amador, e isso se deve por conta de algumas pessoas, que simplesmente, querem do teatro, somente a oportunidade de poderem inflar seus egos e mostrar-se perante a alguns amigos, mas, não hora do vamos ver, correm do pau.

Tenho notícias que algumas cidades estão passando por uma crise, principalmente com os grupos amadores de teatro, com muitos mostrando uma enorme falta de qualidade, e um total despreparo de algumas pessoas envolvidas, que acham que só porque já subiram em um palco, são demais! E até se arriscam a dirigir, a escrever e a atuar, sem ter um mínimo de noção do que estão fazendo.

É louvável que muitas pessoas até se esforcem para fazer um trabalho digno, mas o problema, está no propósito. O que você quer do teatro? Com certeza, muitos não saberão responder essa pergunta, e com isso, o que se apresenta como teatro, não passa de um arremedo de caras e bocas, e de uma tentativa frustrante de se mostrar algo que não é merecedor de ser visto.

E quem sofre? Quem realmente leva o teatro a sério, pois acaba sendo colocado do mesmo balaio de gatos, sofrendo as conseqüências, como as críticas generalizadas, a falta de público, até o desdém da população sobre a arte que se faz com todo empenho e dedicação.

Vocês hão de concordar comigo, que não temos como impedir isso, porque cada qual é livre para fazer o que quiser, então, que pelo menos, as pessoas que se acham as tais, procurem obter um pouco mais de informação, se interessem um pouco mais em aprender, e nos façam acreditar naquilo que eles fazem, pois aquele que acha que já sabe tudo, nunca saberá o quanto deixou de aprender.

Ah, quanto o que eu quero do teatro, bom, eu quero no mínimo, poder sentar em um teatro e assistir um espetáculo de verdade, e não, brincadeiras de faz de conta.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Registro de uma das 5 partes de “Os Sertões – O Homem II”, do Teatro Oficina, em sua temporada no Rio de Janeiro. Fotografado no Rio Cena Contemporanea, 2007.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A IMPORTÂNCIA DO TEXTO INFANTIL


Muito mais do que conter e contar fábulas, um texto infantil para teatro, tem uma função ainda pouco explorada, ou pelo menos, não se vê muita divulgação de sua utilização para esse fim: o de servir como um forte instrumento de apoio pedagógico, auxiliando na educação da criança.

Enfatizar apenas o lado lúdico que o teatro, com toda sua magia, é capaz de passar, é muito pouco para um texto infantil de teatro. Ele pode ser muito melhor explorado, do que ser apenas uma parte de um espetáculo infantil oferecido à criança como passeios em datas festivas.

Utilizar o texto infantil de teatro na sala de aula, servindo-se de suas histórias para trabalhar de maneira mais lúdica, assuntos por vezes difíceis de lidar, até mesmo pela complexidade do tema, a princípio pode parecer que não, mas é sim, um diferencial para a educação infantil.

A pedagogia precisa se ater a esse detalhe, pois o teatro como arte pura e o seu texto infantil utilizados como instrumentos multiplicadores de idéias e, acima de tudo, como facilitadores para trabalhar ações e sentimentos, só tem a acrescentar na melhoria da educação, seja ela de forma informal, ou de forma didática.

Mais e mais fica claro, que não bastam apenas os métodos ortodoxos de educação para ensinar a criança dos dias de hoje, e cada vez mais é preciso se buscar um diferencial para estimular a criança á aprender. E a utilização do texto infantil de um espetáculo teatral caminha neste sentido.

É claro que não é sempre que se pode se utilizar de textos infantis, mesmo porque, ainda são raros, ou de pouco conhecimento, textos que possam servir de fato, como apoio pedagógico. E também, não se deve incorrer no mesmo erro de outrora, forçando a criança a ler vários textos infantis, assim como se fez, e se faz com a literatura, pois assim, corre-se o risco de se obter o efeito contrário.

O texto infantil se faz importante quando ele é usado na medida certa entre o que é lúdico e o que é didático, servindo de estimulo, instigando a investigação, apoiando a pedagogia no dia-a-dia e trazendo para sala de aula, a magia existente no teatro de uma forma natural, para que todos possam usufruir de cada pedacinho da história.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: "A Tempestade e os Mistérios da Ilha" de William Shakespeare, em uma montagem voltada para o público infantil. Porto Alegre em Cena, 2007.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

PROGRAMA ATEMPORAL


O escritor espanhol Juan Mayorga conquistou o prêmio Max de Melhor Autor Teatral pelo texto Hamelin, de 2005. No Brasil, a obra já ganhou algumas adaptações para o teatro e agora reestreia no Rio de Janeiro, no Teatro Glaucio Gil. Hamelin explora o tema da pedofilia. A peça possui direção de André Paes Leme e atuação de Vladimir Brichta, Alexandre Mello, Oscar Saraiva, Cláudia Ventura, Patrícia Simões e Alexandre Dantas.

A trama se desenvolve a partir de uma acusação de abuso infantil. O juiz do caso está determinado a provar que um importante membro da sociedade é culpado pelo ato contra uma criança. Entretanto, ao passar da investigação, ele se depara com a dificuldade de distinguir o bem do mal.

A montagem revela a impotência da sociedade em proteger a inocência das suas crianças e a impossibilidade de se chegar a uma única conclusão quando as palavras são tudo o que se tem para apurar a verdade.

Ficha Técnica

Espetáculo: Hamelin
Elenco: Vladimir Brichta, Alexandre Mello, Oscar Saraiva, Cláudia Ventura, Patrícia Simões e Alexandre Dantas
Texto: Juan Mayorga
Tradução: Patrícia Simões e António Gonçalves
Direção: André Paes Leme
Foto: Divulgação

Serviço

Temporada: Até 31 de outubro de 2010.
Horário(s): Sexta e Sábado, às 21:00hs; Domingo, às 19:00hs.
Local: Teatro Glaucio Gil
Endereço: Praça Cardeal Arcoverde s/n - Copacabana - Zona Sul - Rio de Janeiro, RJ.
Telefone(s): (0**21) 2547 7003
Ingresso(s): R$ 20,00


O espetáculo Comício Gargalhada leva ao palco um verdadeiro comício eleitoral. Em cartaz no Centro Cultural Anglo Americano, a comédia é interpretada pelo ator Rodrigo Sant´Anna, que atua no humorístico Zorra Total, da rede Globo.

Em seu primeiro monólogo, o ator vive sete personagens diferentes, que tentam conquitar o voto do "eleitorado": Adimílson, Adelaide - a favelada, Vanderley das Almas, Sara-menininha, Frango de Padaria, Homossexual Obeso e São Jorge.

Entre um personagem e outro, Rodrigo ainda encontra espaço para histórias engraçadas de sua vida, no estilo stand-up comedy. O ator escreveu, dirigiu e atuou na peça Os Suburbanos, que fez sucesso no Rio em 2005.

Serviço

Temporada: Até 31 de outubro de 2010.
Horário(s): Sexta e sábado, ás 21h30hs; aos domingos, ás 20h30hs.
Local: Centro Cultural Anglo Americano
Endereço: Avenida das Américas, 2603 - Barra da Tijuca - Zona Oeste - Rio de Janeiro, RJ.
Telefone(s): (0**21) 2439-8002
Ingresso(s): R$ 30,00


Até o dia 10 de outubro, o Teatro Municipal do Jockey apresenta A Devolução Industrial, do grupo brasiliense Circo Teatro Udi Grudi. A peça mescla música e engenhocas criativas para contar a evolução do mundo e da raça humana.

A direção é de Leo Sykes e o elenco é formado pelos atores Luciano Porto, Marcelo Beré e Joana Abreu. A montagem está em cartaz no Teatro do Jockey até domingo, depois de ter passado por Brasília, Goiânia, Porto Alegre e São Paulo.

Serviço

Temporada: Até domingo, dia 10 de outubro de 2010.
Horário(s): Sábado e domingo, ás 18h30hs.
Local: Teatro Municipal do Jockey
Endereço: Av. Bartolomeu Mitre, 1110 - Leblon - Zona Sul - Rio de Janeiro, RJ.
Telefone(s): (0**21) 2540-9853
Ingresso(s): R$ 20,00

EXPOSICÃO


Chão, Parede e Gente

A exposição do artista plástico carioca Raul Mourão, apresenta esculturas pela primeira vez no Rio quatro esculturas cinéticas em aço da recente série Balanço. Nesta série o espectador é convidado a mexer nas formas geométricas criadas pelo artista e modificar o formato delas, sempre equilibrando-as.

Toda a mostra é inspirada em um espetáculo acrobata da companhia carioca Intrépida Trupe, que em um de seus espetáculo interage com esculturas. Cada obra exposta, quando acionada, tem um tempo específico de movimento. Essa série foi iniciada em 2009 e já teve obras expostas em individuais em Porto Alegre e em São Paulo.

Raul Mourão, artista que produz desenhos, esculturas, vídeos, fotografias, textos, instalações e performances, nasceu em 1967 e estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. A exposição estará em cartaz até 29 de outubro, na galria Lurix Arte Contemporânea.

Exposicão: Chão, Parede e Gente
Local: Galeria Lurixs Arte Contemporânea - Rio de Janeiro/RJ
Endereço: Rua Paulo Barreto, 77 - Botafogo - Rio de Janeiro/RJ
Datas: Até 29 de outubro de 2010.
Horário(s): Segunda a sexta, 14h às 19h; sábado, 14h - mediante agendamento prévio por telefone
Telefone(s): (0**21) 2541-4935
Ingresso(s): GRATUITO

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

OS DONOS DO TEATRO


Sempre se pregou a popularização do teatro, o que já está mais do que na hora de acontecer, pois não pode ser admissível uma arte tão popular ser de tão difícil acesso para as pessoas mais carentes. E não é só isso. Como pode pessoas que fazem do teatro um sacerdócio, não conseguirem verbas para realizarem seus projetos?

Uma pena, não é mesmo? Hoje o teatro até tem um espaço maior da mídia, principalmente a televisiva, mas somente meia dúzia de produtores capitalistas tem acesso às verbas para seus projetos teatrais. Não me parece ser esse o melhor modelo de popularização, certo?

Mesmo porque o teatro não tem dono e não pode ficar nas mãos de meia dúzia de pessoas que na verdade, não estão interessadas, de fato, no bem do teatro, ou na importância que o teatro tem, pensam eles, somente em lucros, lucros e lucros.

Dizem pois, que eles se beneficiam da lei, sorte que a lei está sendo revista. Torcemos que seja para melhor. Que contemple mais os quatro cantos deste país imenso e não só as capitais, mesmo porque no interior também se faz teatro, e dos bons. E o que é pior, sem verba nenhuma.

O teatro sempre foi uma arte para ser compartilhada com todas as camadas sociais. O que adianta se fazer um teatro popular desse jeito? Produções grandiosas com ingressos altíssimos e lucros ainda maiores. Tudo produzido com verba pública, mas povo, ó!

Teatro se faz nas escolas, nas comunidades carentes, de forma amadora. Teatro é feito na raça, é feito de graça, é feito sem verba. Teatro é feito para entreter, é feito para educar, é feito para formar. E mesmo sem recursos e sem apoios, ele se fará presente.

O teatro não precisa de donos. Teatro precisa de verbas divididas igualmente à todos os artistas. Do Oiapoque ao Chuí. De Corumbá a Vitória. Não precisa destes poucos produtores capitalistas, pseudo-interessados na arte. Mesmo porque, o teatro não precisa de migalhas, pois quem faz teatro, sempre come o pão que o diabo amassou para colocar seu espetáculo em cartaz.

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: "Aqueles Dois" Adaptação da Cia. Teatral Palhaços Noturnos para o conto de Caio Fernando Abreu. Fotografado no FIT Rio Preto, 2008.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PROGRAMA ATEMPORAL


Comemorando 25 anos de sua vida com atriz, Ana Beatriz Nogueira estrela a peça Tudo o que eu queria te dizer, baseada no livro homônimo de Martha Medeiros, em cartaz no Centro Cultural Correios.

Com direção de Victor Garcia Peralta, a trama mostra como a comunicação estabelecida por meio de cartas, em tempos atuais, é algo quase extinto. A reflexão e os estímulos à comunicação por correspondências manuscritas compõem o espetáculo, a partir da interpretação de cada uma das cartas.

Seis cartas publicadas no livro de Martha Medeiros servem de mote para o ínicio da trama. Em cena, o público acompanha as entradas e saídas de cada personagem, o relato de pessoas que nunca se viram e nem vivem na mesma cidade, mas que possuem em comum o fato de carregarem uma bagagem muito parecida, constituída por dores de cotovelo, mágoas, medos e vontade de mudar de vida.

Serviço

Temporada: Até 24 de outubro de 2010.
Horário(s): Quinta a domingo, às 19:00hs.
Local: Centro Cultural Correios
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20 - Centro - Rio de Janeiro, RJ.
Telefone(s): (0**21) 2253-1580
Ingresso(s): R$ 20,00


Em Mordendo os Lábios, uma aeromoça aposentada, amiga fiel e mãe de FELIX, seu filhinho querido, que é namorado de ELEONORA, uma garota descolada e grande amiga de seu pai SAMUEL, um bom chefe de família e um sedutor advogado. Duas famílias que se encontram, duas gerações de cariocas da gema, pai X mãe e filho X filha tomam conta da cena, enquanto a platéia morde seus lábios.

Ficha Técnica

Espetáculo: Mordendo os Lábios
Elenco: Hamilton Vaz Pereira, Lena Brito, Bianca Comparato e Ivan Mendes
Texto, música e direção: Hamilton Vaz Pereira
Foto: Divulgação

Serviço

Temporada: Dia 2 e 3 de outubro de 2010.
Horário(s): Sábado, ás 20:00hs e domingo, às 19:00hs.
Local: Teatro Municipal Raul Cortez
Endereço: Praça do Pacificador, s/nº - Centro - Duque de Caxias, RJ.
Telefone(s): (0**21) 2771-3062
Ingresso(s): R$ 20,00 (INTEIRA), R$ 10,00 (MEIA) E R$ 5,00 (ANTECIPADO)


A peça Os Sonhos de Tom e Théo conta a história de dois irmãos que aprenderam a se divertir dentro de seus próprios sonhos. A trama acontece em torno do fato de que toda criança já sentiu vontade de vivenciar seus sonhos e pesadelos.

Na medida em que Tom e Théo descobrem como podem vivenciar as experiências dos sonhos, eles passam a conviver com diversos personagens, como o Rei e a Rainha, o Homem da Capa Preta e um misterioso Mapa do Tesouro. Esse espetáculo promete levar muita magia, encantamento e diversão para todas as crianças.

Ficha Técnica

Espetáculo: Os Sonhos de Tom e Théo
Elenco: Bruno Zukoff e Joanna Justen
Texto: Arnaldo Miranda
Direção: Filippe Néri
Foto: Andrea Rocha

Serviço

Temporada: Até 31 de outubro de 2010.
Horário(s): Sábado e Domingo, às 16h.
Local: Teatro Sesi
Endereço: Avenida Graça Aranha, 1 - Centro - Rio de Janeiro, RJ.
Telefone(s): (0**21) 2563-4163 / 2563-4168
Ingresso(s): R$ 20,00

EXPOSICÃO


Keith Haring - Selected Works

A exposição fica em cartaz na galeria 3 da Caixa Cultural até o dia 28 de novembro de 2010. A mostra traz 94 obras inéditas do artista no Brasil.

Após o em São Paulo, onde cerca de 38 mil pessoas foram à exposição ao longo de 5 semanas, a estimativa é de que 50 mil pessoas possam ver as criações dentro de oito semanas.


A exposição, que tem produção e ciradoria da norte-americana Sharon Battat, revela a obra de um dos ícones da cultura underground da Nova Iorque dos anos 80. No total são 55 serigrafias, nove gravuras, 29 litografias e uma xilogravura feitas por Keith.

Haring já esteve no Brasil em diversas ocasiões, tendo participado da Bienal Internacional de São Paulo em 1983. Além da exposição, acontece uma série de workshops de pinturas e desenhos para crianças com artistas locais.


Keith Haring se destacou por suas criações fortes, democráticas e despretensiosas, cheias de mensagens de vitalidade e união. Seu trabalho é facilmente reconhecido pelas linhas grossas, cores vibrantes e figuras características. Antes de falecer, no início da década de 1990 após contrair o vírus do HIV, Keith criou uma fundação, ajudou programas infantis e utilizou seu nome para divulgar alertas sobre a prevenção da doença.

Exposicão: Keith Haring - Selected Works
Local: Caixa Cultural - Rio de Janeiro/RJ
Endereço: Avenida Almirante Barroso, 25 (Próximo à estação Carioca do Metrô) - Centro - Rio de Janeiro/RJ
Datas: Até 28 de novembro de 2010.
Horário(s): De terça a sábado, 10h às 22h; aos domingos, das 10h às 21h.
Telefone(s): (0**21) 2544-4080 / 2544-7666
Ingresso(s): GRATUITO

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

CASA DA ARTE DE EDUCAR


O Grupo Capoeira Cultura Viva esteve na Casa da Arte de Educarm no bairro da Mangueira, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro para conferir de perto o belo trabalho que eles desenvolvem junto as 240 crianças (da Mangueira e de Vila Isabel) com faixa etária de 06 e 16 anos. A Casa da Arte foi fundada e formalizada entre 2004 e 2005 pela Sra Suelí de Lima.

O grupo ficou muito contente e encantado com tudo o que viu e ouviu por lá! O carinho e o respeito que a Instituição tem com as crianças, e até com o Capoeira Cultura Viva que estive por lá o dia inteiro ( fotografando, filmando e colhendo depoimentos ) foi simplesmente fantástico! Por isso todos nós estamos satisfeitos em ver que a capoeira pode e deve fazer parte de projetos como este, e poder observar mais uma vez de perto a alegria e o encantamento das crianças com a arte capoeira.

Além da capoeira a Casa da Arte oferece também as crianças apoio escolar e uma gama de outros benefícios culturais.

A Instituição recebe o apoio do:

Ministério da Cultura
Secretaria da Cultura
UNESCO
UNICEF
Rede Globo / Criança Esperança

Para saber mais sobre a Casa da Arte, acesse:

http://www.artedeeducar.org.br/mangueira.html


"Instrutor Kong e a Coordenadora do Projeto Casa da Arte da Mangueira"

"O nosso Projeto é um trabalho continuado em busca da educação das crianças, a Casa da Arte ensina, educa busca fornecer o lazer fazendo com que a criança sinta vontade de estar aqui, arte e educação.

A capoeira entra como desafio, colocar a capoeira no projeto como a arte que educa.
O Carlos (Instrutor Kong do Grupo Capoeira Cultura Viva) merece nota 10 e consegue chegar ao objetivo esperado pela nossa instituição, estamos muitos satisfeitos com ele aqui."


Rose Carol, ou Carol como é chamada pelas crianças do projeto é moradora da comunidade Mangueira e demonstrou muito orgulho disso ao nos levar até a sua casa, em seu terraço para tirar a foto para o Blog. Ela disse que se era para tirar foto, que fosse então com a imagem das casas da comunidade ao fundo, dando um grande sorriso para a foto! Parabéns, Rose Carol! Pela simpatia e pelo trabalho realizado, é de pessoas como você e a Fundadora Sueli de Lima que o Brasil precisa!

Confira alguns depoimento dos alunos do Instrutor Kong beneficiados pelo Projeto:


"Faço capoeira para ocupar meu tempo, a minha mente e desenvolver a saúde do meu corpo, eu gosto muito de capoeira! O Kong é legal, e quando está explicando e a gente não entende, ele explica de novo, e faz isso brincando. E a Carol é muito legal também me ajuda na escola, arruma passeios para irmos, -Lugares que eu nunca fui e acho que nem iria, e graças a ela eu fui e conheci. Ela tem projetos pensando no nosso futuro!" - Samara Limeira da Silva, 11 anos.


"Faço capoeira porque gosto, me ajuda a movimentar o corpo, coordenação. O Kong é muito legal, o modo de ensinar é bacana, a capoeira é um pouco difícil mais se eu continuar a treinar um dia vou achar fácil.(Risos). E a Carol é muito boa, faz muita coisa para nos ajudar ela é carinhosa!" - Amanda Domingos Antonio, 12 anos.


Da esquerda para direita Emerson P. Santos, 11 anos, Vinícius M. de França, 12 anos e Lorran K. S. dos Santos, 11 anos.

Emerson: "A capoeira ajuda a minha saúde, eu gostou muito mesmo, e fico treinando em casa tudo que o Kong passa na aula, e pretendo ficar velho jogando capoeira! E a Carol é quem ajuda a aprender mais, quando tenho dúvidas na escola ela explica até entender, eu gosto muito dela."

Vinícius: "A capoeira me ajuda na escola também, disciplina, o Kong é maneiro tem paciência e sempre tem novidades, e a Carol está sempre pensando em todos e eu agradeço a ela por tudo!"

Lorran: "A capoeira representa muita coisa boa para mim, vou continuar na capoeira até quando puder... O Kong tem muita paciência e nos deixa feliz! A Carol é bacana mais também é muito exigente, mais é para o nosso bem, e ela tem sempre muitas idéias!"


A foto acima com o olhar desta criança nem precisa de comentários! Lindo!


Se você deseja trazer a arte de capoeira para sua escola ou instituição, envie um e-mail para: capoeiraculturaviva@gmail.com para maiores informações.

Material cedido gentilmente pelo Grupo Capoeira Cultura Viva á Cia. De Teatro Atemporal, para divulgação.

Texto e fotos: Luciane Santiago

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O MEDO DA REPETIÇÃO


Quem escreve, uma hora ou outra, acaba vivendo esse grande dilema: Por mais criatividade que se tenha, sempre parece que algo está se repetindo. Mesmo que tenha ali toda a sua verdade, sempre fica a sensação de "déjà-vu". E é aí que bate aquele baita medo da repetição. Então a gente se pergunta: Será que perdemos a mão para coisa?

Como falar sobre o mesmo assunto que já foi dito e feito de frente para trás e de trás para frente e de inúmeras formas? E quando você já escreveu várias histórias? Parece até que a coisa fica ainda pior. O medo da repetição não se resume apenas ao texto, até a maneira de contar a história, as personagens, os diálogos e o formato, tudo assusta.

A cada início de uma nova aventura, ou melhor, antes mesmo de começar a escrever a primeira linha, esperando usar toda a criatividade com o propósito de contar uma história que valha a pena ser contada e seja ao mesmo tempo singular, apesar de nada mais ser novidade, o fantasma se coloca ao nosso lado e, dar o pontapé inicial é uma luta.

É..., a vida de escritor não é nada fácil. Talvez muito mais difícil que alguém possa imaginar. Quem vê o espetáculo pronto, nem imagina o quanto sacrificante foi á criação daquele texto. Quantas barreiras tiveram de ser transpassadas até o seu ponto final. E, se não bastasse todo o processo criativo, ainda tem essa luta incansável com o medo da repetição. E depois, ainda vem um crítico de arte e diz: "O texto é cheio de clichês". As favas com a opinião da crítica.

Eu quero é, a cada nova história, vencer esse meu medo da repetição e procurar acima de tudo, contar a cada história cujo tema já tenha sido exaustivamente tratado, da maneira mais criativa possível e dentro da mais absoluta entrega. Procurando passar, da minha maneira, o que minha experiência pode filtrar. Esperando transmitir a minha visão, independente do que possam achar, mas torcendo para atingir o meu objetivo.

É certo que o meu jeito de escrever, de contar, de organizar as idéias, é único, e vai estar sempre em todas as minhas histórias, quer eu queira ou não. Só que isso não pode ser tratado como repetição, e sim, representar o meu estilo, a minha marca. Todo escritor tem o seu jeito de escrever. E nem comigo e com ninguém, vai ser diferente. Por isso, eu digo: Xô! Medo da repetição!

Ufa!... Parece que tirei um peso das minhas costas. Pronto! Passado esse momento em que exorcisei esse fantasma que andava me incomodando nos últimos dias, posso voltar a escrever o meu novo texto infantil: A caixinha de Dora. Aguardem!

Escrito por Paulo Sacaldassy

Colaborou: Oficina de Teatro; Foto: "A Tempestade e os Mistérios da Ilha" de William Shakespeare, em uma montagem voltada para o público infantil. Porto Alegre em Cena, 2007.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

SELO


A Cia. De Teatro Atemporal recebeu mais um maravilhoso selo da Bela, Vanessa Monique do Blog "Altos Babados!" A companhia está honrada e muito, muito feliz com tamanha lembrança e carinho desta bela menina, que é fantástica! Obrigado a você, Vanessa e a todos que admiram o Blog da Cia. De Teatro Atemporal. Neste selo, a companhia deve dizer 9 coisas sobre ela:

  1. Nossa companhia começou no segundo semestre de 2007, na Escola Municipal Juliano Moreira, no bairro do Pechincha, Jacarepaguá/RJ;
  2. Para nomear a companhia, o nome "Atemporal" foi sugerido por Serginho Clemente, em um ensaio da mesma no dia 5 de junho de 2008, a idéia surgiu após Clemente ter ouvido algumas vezes a música "Atemporal" da Banda Catedral;
  3. O nome Atemporal nos faz de fato sermos Atemporais, que significa: Que transitamos no tempo sem necessariamente pertencer ao passado, futuro ou presente;
  4. Trabalhamos com todos os gêneros teatrais, desde a pantomima ao infantil; 
  5. Odiamos a expressão "merda" no teatro;
  6. Temos fãs, admiradores e amigos, em todos os continentes do mundo;
  7. Defendemos o Meio Ambiente;
  8. Apoiamos o Instituto Ressoar e a Rede Record de Televisão;
  9. Os trabalhos da Cia. De Teatro Atemporal pararam no final de outubro de 2008, porém muito em breve, a companhia retomará os seus trabalhos.