segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A CRIAÇÃO DE UM PAPEL


A miúdo, nem mesmo o ator pode explicar como cria um papel. Porque o processo é demasiadamente complicado para que possa dar-se conta dele.

O talento não é suficiente para que o ator apareça em cena e faça um ou mais papéis. Os atores novos pensam que basta ter talento e vocação para galgarem uma carreira como ator ou atriz.

Não bastam os impulsos, á vontade e a audácia de aparecer em público para que deles sejam transformados em atores.

Antes de tudo é necessário que o intérprete possa dominar-se, dominar os seus meios expressivos como se seu próprio corpo fosse um instrumento. Antes de um concerto um musico afina seu instrumento. Da mesma forma o corpo e a voz de um ator, necessitam desta afinação para que possam responder plenamente e prontamente aos impulsos de sua emoção.

A par de uma capacidade congênita, o ator necessita de uma técnica disciplinada, de um treinamento prolongado.

Possua ou não esta capacidade congênita, que chamaremos de "talento", continuam sendo seu instrumento de expressão o seu corpo e a sua voz.

Cada ator possui uma personalidade, um tipo físico, uma forma de rosto, um porte distinto. Eles são os seus meios naturais que dificilmente poderão ser alterados.

"O ator como todo artista, deve explorar suas próprias limitações e saber onde deve deter-se."

Cada ator deve dominar com seus meios naturais, ampliar os seus recursos e desenvolvê-los. A voz e os movimentos corporais exigem treinamento.

A interpretação é uma linguagem teatral que precisa ser aprendida. Sem técnica o ator desconhecerá os recursos do ritmo, a significação do andamento, a significação da voz para obtenção de seus objetivos; não poderá reconhecer de terminados efeitos quando chega a alcançá-los, nem preservar os mesmos o que é mais expressivo para repeti-lo quando necessário - É pelo caminho da técnica que o ator alcança todo o espírito, variedade e profundidade de estilo.

Por intermédio da técnica é que ele estabelece o delineamento firme que separa sua criação da realidade e a eleva até a arte.

Sem técnica, por mais excepcionais que sejam suas qualidades individuais, o ator não tem uma linguagem com a qual ele possa falar. Por intermédio da técnica ele aprende a usar seu instrumento de expressão; por intermédio do trabalho técnico ele desenvolve uma disciplina que o ajuda a esclarecer suas idéias que, por sua vez, são desenvolvidas por esta pesquisa no sentido da firma técnica correta. Se o cultivo da técnica auxilia o ator a usar seu instrumento de expressão, um cultivo geral, uma cultura de pensamento, arte e vivência, auxiliará sua idéia criadora.

O conhecimento de outras artes alimenta e propicia as concepções que terá em sua própria arte; e as qualidades técnicas de uma arte podem ser transferidas para outra.

Concordamos então com Hebert Read quando diz: "Para compreender inteiramente uma arte deve-se compreender todas as artes."

Então Bujvalde conclui: "É difícil determinar em uma última análise onde termina a técnica e onde começa o talento criador."

O entrelaçamento de ambos é total. Não existe solução de continuidade, um vazio ou um limite entre a técnica e o talento. Porém, "se tem confiança em sua técnica, o ator pode entregar-se inteiro a sua sensibilidade."

O talento e a fantasia caminham lado a lado. A intuição é uma condição real do artista.

Ninguém pode imaginar uma criação artística verdadeira sem a fantasia, sem esta capacidade de captar o inexistente misterioso e complexo que chamamos por vezes de "inspiração" - É esta técnica que permitirá que a inspiração passe a realização sem perda de tempo, sem solução de continuidade, sem quebra de harmonia. É esta que Grotovski pretende "o ator como se não tivesse corpo.".

Neste processo de criação, o ator quase que se coloca fora de si mesmo, por assim dizer, e passa a se considerar como que um instrumento e "simultâneamente fazer o oposto, o que vale dizer: viver o papel."

O ator cria, harmoniza sua própria personalidade, inclinações e hábitos com as condições do personagem que vai interpretar.

Para Tyronne Guthrie, os melhores atores pertencem geralmente ao tipo intuitivo que ao intelectual.

Colaborou: Teatro Evangélico

6 comentários:

  1. OLÁ, CLEMENTE!

    PARABÉNS POR ESTE ESTUDO TÃO MARAVILHOSO!

    A TÉCNICA É SEM DÚVIDA DE SUMA IMPORTANCIA NA VIDA DE QUALQUER PROFISSIONAL. E NA VIDA DO ATOR NÃO PODERIA SER DIFERENTE.

    ESTUDO ESPETACULAR! PARABENS!

    "NO MUNDO TEATRAL, SOU ATEMPORAL!"

    CARLINHOS TAQUARA.

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  2. UM EXCELENTE FERIADO, CLEMENTE!

    BEIJOS E ABRAÇOS PARA A GLÓRIA E PRA VOCÊ!

    EU TENHO UM IMENSO CARINHO PELA CIA. DE TEATRO ATEMPORAL E POR VOCÊS DOIS!

    "NO MUNDO TEATRAL, SOU ATEMPORAL!"

    CARLINHOS TAQUARA.

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  3. belissimo estudo!!! arassou!!!!

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  4. belissimo estudo!!!!! arrasou!!!!!!!!!

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  5. Oi Clemente!!! Amei o estudo!!!! Mtssss bjssss p vc!!!!!!

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  6. mt interessante! concordo com o nosso bravo carlinhos da taquara, realmente a tecnica é mt importante na vida do ator e de qualquer profissional! simplesmente, um estudo teatral fora de serie! parabens! q Deus abençoe a cia. de teatro atemporal para todo o sempre!

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