segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Quando Os Artistas Pagam Mico


Todo mundo paga mico. Sejam artistas ou não. Situação chata, constrangedora, que deixa a gente de saia justa, por assim dizer.

Hoje eu me lembrei de dois micos que passei com colegas de profissão.

Assistindo ao sucesso de Os Dez Mandamentos, e vendo o desempenho brilhante dos colegas, e também do nosso Ramsés Sérgio Marone, revivi na memória o mico que paguei com ele há alguns anos atrás.

Confesso a vocês que chega uma idade que são tantos nomes, e tantas novas celebridades, subcelebridades, e colegas de profissão que vão surgindo que não se consegue guardar ou entender todos eles. Pois foi assim entre eu e o Sérgio. Vendo-o numa mesa do restaurante, aproximei-me cumprimentei-o trocamos algumas palavras amistosas, disse-lhe que estava feliz por conhece-lo e me despedi dele dizendo:

- Foi um prazer estar contigo Bruno Marrone.

Isto já vão anos, e até hoje sinto vergonha pelo mico.

Mas parece que a questão de não conseguir saber, saber todos os nomes de colegas não é privilégio de maduros. Tirei esta dúvida com o mico pago pelo então iniciante Daniel Del Sarto.

Naquele tempo eu ainda estava na Globo e fui gravar com ele. Encontrei com ele no camarim e me apresentei:

-Muito prazer, Bemvindo.

E ele

- Obrigado!

- Não, cara, Bemvindo é meu nome!

Tenho a certeza de que o mico dele guinchou mais que o meu com o Marone. (Risos)

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Vamos Parar Com Essa Coisa de Fobia Pra Tudo

É gorda e pronto. Só isso. Tem quem goste, tem quem não goste. Simples.

O tal do “politicamente correto” já de há muito encheu o saco. Agora a moda são as "fobias". Se você não come hambúrgueres pode ser acusado de "hamburguerfobia". Uma bobajada só. Fobia é coisa muito além da distinção que fazemos das coisas e pessoas. Fobia é coisa séria, profunda, que exige tratamento e acompanhamento psicanalítico ou psiquiátrico.

Usando o Hoauiss, fobia é “medo exagerado” ou ainda “estado de angústia, impossível de ser dominado, que se traduz por violenta reação de evitamento e que sobrevém de modo relativamente persistente, quando certos objetos, tipos de objeto ou situações se fazem presentes, imaginados ou mencionados ".

Que gordofobia nada. Ela é gorda e pronto. E quem a vê sabe e diz que ela é gorda. Gordofobia nem existe catalogada entre as doenças. Mas - como eu disse, - a moda agora é taxar qualquer distinção como fobia.

Nascemos com o dom de distinguir. Separar as coisas: isto é vermelho, isto é verde. Isto é molhado, isto é seco. Isto é jiló, isto é, maxixe. E com isso decidimos do que gostamos ou não. Um amigo meu recusou uma relação com um homossexual. Foi taxado de homofóbico. Ah, qual é? Vamos respeitar. Ele não gosta de relações homossexuais, ou talvez, para maior ironia, não gostou DAQUELE homossexual. Talvez um outro... (risos)

Vamos com calma, distinguir, nomear, reconhecer coisas e pessoas não denota aversão ou fobia. Denota escolha.

Nem fobia, nem discriminação persecutória. Fobia é incontrolável, pertence ao terreno do inconsciente, deve ser tratada. Discriminação persecutória como o racismo ou crimes de gêneros é caso de polícia e Justiça.

O resto é a boca do povo usando o termo “fobia” pra tudo, como no tempo em que para qualquer comportamento se dizia brincando “Freud explica”, e sabíamos Freud não tinha nada a ver com o fato.

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Que Tal Iluminar Nossos Cantos Escuros?


Todos temos nossos pontos trevosos. Cantoss escuros em nós mesmos, na nossa vivência e no nosso existir, que recusamos a ver, sendo portanto na maioria das vezes melhor deixá-los nas trevas para que não tenhamos que tratar deles.

Vejam bem o termo que usei, até sem querer: “tratar deles”. Isso quer dizer enfim: curá-los.

Em nossas trevas vivem vermes, fantasmas, miasmas, fungos e monstros. Todos nossos. A escuridão os alimenta.

Quando a gente tem uma ferida ela precisa de duas coisas além dos medicamentos usuais: oxigênio e luz. Pois a permanência na escuridão, sem ar e sem luz, fará proliferar as bactérias e a infecção.

Assim é com a nossa vida. Quando nos atrevemos a iluminar estes cantos escuros não tenhamos medo, estamos trabalhando para a cura das “ purulentas infecções” com as quais, sem o querer, compartilhamos o que deveria ser vida limpa e saudável.

Comece hoje mesmo. Pare um pouco e olhe para dentro de si mesmo. Jogue luz sobre seus medos, seus terrores...como diz a letra de Caetano : "Nada é pior do que tudo que você já tem dentro do teu coração mudo".

Você é dual como o Universo: carrega com você a luz e as trevas. Use sua luz. Ilumine a sua escuridão.

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br
Foto: Josth Groban and Denée Benton. Photo by Chad Batka

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O Preconceito Com o Vestir

Supla surpreende usando a última moda de ternos para homens

Abro o jornal e vejo um promoter, carnavalesco, trajando um terno cenoura e com os cabelos pintados da mesma cor. Diz ele que trouxe inúmeros destes ternos coloridos diretamente de Nova Iorque para usar neste verão carioca.

A imagem, de primeira vista chocou-me. Depois lembrei-me de como somos preconceituosos com o modo de vestir. Com os costumes da moda. Lembrei-me de vários momentos de mudanças de estilo que eu mesmo passei, e sofri para vencer o preconceito.

1 – Tinha 11 anos quando foram lançadas a sandália de dedo (as chamadas havaianas). Alguns amiguinhos já usavam. Foi um problemão lá em casa para eu conseguir ter uma. “Coisa de mariquinhas” dizia meu pai. Mal informado que nordestinos e orientais já usavam estes modelos há séculos. Afinal, com a concessão de que a tira tivesse uma cor neutra (masculina) consegui a minha tão sonhada sandália de dedo. Por esta época surge para nós o bambolê, e até o seu uso por meninos era motivo de bullying.

2 – O tal do ban-lon. Uma fibra sintética que tornava os abrigos muito maleáveis e sedosos, bonitos mesmo. Havia-os nas cores as mais variadas. As mulheres foram as primeiras a usa-los. Era eu já adolescente e foi mais uma batalha a ser vencida em família para conseguir ter meu casaco de ban-lon quando já era uma moda aceita por ambos os sexos;

3 – As chamadas camisas “goleiro”. Até a chegada delas os homens usavam camisas de cores neutras e pasteis: azul claro, brancas, brancas com listinhas azuis, cinzas, marrons, castanhas... e de repente as vitrines ficaram cheias de belas camisas amarelo ovo, vermelho-sangue, azul rei, verde-alface, laranja, e por aí à fora. Aí eu á estava com mais de vinte anos, adulto e o universo patriarcal e machista olhava com profunda desconfiança e preconceito o uso desta vestimenta.

4 – Vieram as calças saint-tropez (de cintura baixíssima deixando o “cofrinho” à mostra) e as calças boca-de-sino. Estávamos na Ditadura, e para cúmulo da babaquice a polícia reprimia este uso, estigmatizando com detenções por motivos aleatórios quem os usava.

4 – E por último o direito de usar o cabelo no tamanho que desejasse. Aí foi um Deus nos acuda! Houve até uma marchinha de carnaval famosa que dizia “Olha a Cabeleira do Zezé, será que ele é? ”

Depois veio a onda hippie, as cores, as saias, as lantejoulas, os cabelos grandes, os colares, o amor livre...e a sociedade de consumo a pouco e pouco apropriou-se destes valores rebeldes e hoje o direito ao trajar-se flui melhor, embora ainda com preconceitos.

Mas a garotada de hoje - como nós os de ontem - saberá limpar os esqueletos nos armários. Afinal, esta é a autodenominada Geração Cristal.

Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; blogdobemvindo.blogspot.com.br