segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O Medo e o Temor


Você já sentiu medo? Mas não o medo comum, o medo de uma queda, de altura, de avião, de ser assaltado, de um cão... não! Falo de um medo interior. Um medo que não se expressa por nenhum objeto ou sujeito. Um medo que pode ser chamado de temor. Este sim o temor. O temor diante da grandeza do Universo? Diante da eternidade das galáxias e da Luz? É um medo intenso, que vem lá das profundas. Mas descobri que não é medo, mais uma vez repito: é temor.

Será este o temor de que fala a Bíblia? Será este temor que acompanha o Homem desde seus primórdios e que não se explica a não ser por sua pequenez e fragilidade diante das grandezas cósmicas?

Pois sinta este temor, se é que já o sentiu ou está sentindo. Sinta-o e observe-o. Tema, mas não tenha medo, porque tudo que há no Universo está dentro de nós, somos nós mesmos, e relembro a letra da música de Caetano Veloso, interpretada por Elis Regina e que diz: “Não tenha medo, não. Nada é pior do que tudo que você já tem dentro do seu coração. ”

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com
Foto: Espetáculo 4:48 "Psychosis" by Sarah Kane

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Segunda de Primeira


Informamos que a partir de setembro de 2017 os artigos do gênio Bemvindo Sequeira (Foto Acima) estarão aqui no Blog da Cia. De Teatro Atemporal apenas nas segundas-feiras.

Com toda irreverência e carisma ímpar os melhores artigos do mundo do teatro e da cultura estão aqui!

Não se esqueça! Nossas segundas serão de primeiras!

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O Ideal do Outro Em Nós


A tolerância é um grande Dom, e um exercício para ser elaborado todos os dias. Ninguém se tona tolerante da noite para o dia, como num passe de mágica. É um exercício constante. Uma observação constante de si mesmo e do outro.

Pela observação do outro aprendemos o quanto podemos ser intolerantes também.

Há pressões sociais e pessoais de intolerância que afetam nosso Ser. São pressões que vão de sutis manifestações até claras manifestações de ódio.

Como é difícil para muitos, hoje, dizer: - Sou comunista! Ou: sou evangélico! Ou: sou homossexual! Ou até mesmo: Sou ateu!

E, creiam, este SOU não é a verdadeira essência do que estas pessoas são. Estes “EU SOU” são rótulos que estabelecemos para nos identificarmos diante do outro e de nós mesmos.

Mas o que exatamente - no nosso âmago, na nossa essência, na nossa alma - o que somos realmente? Quem somos realmente? Este é o mistério da vida, cujo desvelar passaremos a existência procurando saber.

Portanto, aceitar naturalmente as pessoas como elas são naquele momento da vida delas, aguardando que elas avancem cada vez mais no seu autoconhecimento é, este sim, um ato de amor ao próximo. Um ato de tolerância.

O que eu penso, ou o que acho bom para mim, pode não ser para o próximo, e isso deve ser respeitado, para que também me respeitem.

Como posso ser libertário se tento prender o próximo aos meus conceitos? Afinal, se eu mesmo ao prender o próximo aos meus conceitos torno-me preso a ele.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Com Mulher Não se Pode Falar Sério, Diz Sérgio Mallandro

Divertido e ingênuo no seu humor toma bronca das novas gerações

Minha neta de 15 anos está de mau com Sérgio Mallandro. Ela e uma porção de amigas que se juntaram para discutir a mais recente entrevista do amigo e humorista.São duas gerações diferentes, muito distantes uma da outra, em idade e conceitos. Mallandro, que é divertidíssimo e como diz o nome: muito malandro, vem de uma época em que não se precisava ter muitos cuidados com o que se dizia sobre a mulher. Não chega ao nível de machismo é claro do tempo da minha vó árabe, que quando minha mãe recém casada foi queixar-se com ela do meu pai, ainda imatura, (naquele tempo casava-se com 16 anos ) Travou-se o seguinte diálogo em 1932:

Mãe – Eu quero separar do meu marido.

Avó – Por que? Ele bate em você?

Mãe – Não.

Avó – Você passa fome? –

Mãe – Não.

Avó – Ele te dá roupas?

Mãe – Sim.

Avó- Ele deu sobrenome dele pra você.

Mãe – Deu.

Avó – Então você está reclamando de que? Volta pra seu marido e fica quieta.

Minha neta , da chamada geração cristal, está muito pau com a declaração machista dele de que mulher gosta de rir, de que não se pode falar sério com mulher. Ela diz que este é o tipo de homem babaca,e que se um garoto de hoje diz isso elas de saída escanteiam ele como bobo, infantil e machista. Tentei explicar à ela que se tratava apenas de uma brincadeira e tive como resposta:

- O humor não pode servir de escudo para a manutenção de conceitos machistas.

É, Mallandro, a gente papa mosca com as novas gerações, coisas ditas sem a menor intenção de ferir – nos nossos velhos conceitos – acabam provocando tsunamis de críticas e de broncas para nos adequarmos aos tempos modernos.

Outro dia , palestrando numa Faculdade levei uma bronca de uma jovem apenas porque disse que as feministas do meu tempo eram muito feias, e as de hoje são belas. Uma jovem pediu a palavra e me desancou de machista pra baixo.

E a garotada está certa, afinal o mundo já é deles. E em dez anos será mais ainda.

Escrito Por Bemvindo Sequeira

Colaboraram: Bemvindo Sequeira; entretenimento.r7.com